Nutrição

Cerveja low carb e sem glúten? Saiba se essas bebidas são aliadas ou vilãs disfarçadas

Você sabia que uma lata de cerveja de 350ml possui cerca de 140 kcal e 39g de carboidratos?

Marília Banholzer
Marília Banholzer
Publicado em 19/10/2021 às 17:47
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Cerveja vai pesar no bolso dos brejeiros. - FOTO: Divulgação
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Em A Praieira, da Nação Zumbi, Chico Science dizia: "Uma cerveja antes do almoço é muito bom para ficar pensando melhor". Pois bem, o Brasil é o terceiro maior consumidor de cerveja do mundo, atrás apenas do EUA e da China. O ranking se repete quando o assunto é a produção desta bebida. Dados como estes só mostram o quanto o brasileiro gosta de uma loira gelada. Tão fã que está criando até produtos "mais saudáveis" para poder beber sem "prejudicar" tanto a saúde, afinal, manter a dieta nem sempre é uma tarefa fácil, principalmente em momentos de lazer e descontração.

As chamadas cervejas funcionais estão chegando aos montes no mercado brasileiro. As sem álcool já são comuns, algumas pessoas até as preferem, outras torcem o nariz pelo gosto ser um pouco diferente da tradicional. Mas agora tem opção sem glúten e até com redução de carboidratos. Para saber se essas bebidas são aliadas ou vilãs disfarçadas, a coluna Vida Fit conversou com o nutricionista clínico Ricardo Duarte.

Em geral, é bom saber que as cerveja funcionais são não novidade. Na verdade, é um movimento que acontece no últimos anos, mas agora as principais indústrias, como a Ambev, e até as cervejarias menores passaram a investir mais forte linhas que prejudicam menos o corpo e prometem trazer alguns benefícios.

O movimento vem junto com a busca crescente das pessoas por uma vida mais saudável, com prática de exercícios e reeducação alimentar. O álcool, de maneira geral, sempre foi um calo nesse processo. As bebidas alcoólicas atrapalham o processo de emagrecimento e até de hipertrofia - para quem busca um corpo mais musculoso.

Por que a cerveja é vilã?

Ricardo Duarte explica que a cerveja comum é uma bebida altamente inflamatória para o organismo. Primeiro, por conter álcool, depois, por ser à base de cevada - um cereal que é calórico e por conter glúten - uma proteína que estudos científicos já confirmam seu poder inflamatório e que pode desestabilizar a microbiota do intestino.

Então, para ele, a melhor opção entre as funcionais seriam as que se oferecem como sem álcool. "O álcool é uma substância tóxica. Quando ingerimos, o corpo vai querer expulsar, pressionando o figado e o rim, porque os dois vão trabalham para excretar essa substância, por isso vamos muito ao banheiro para fazer xixi. Além disso o álcool inibi a substância que faz a regulação da concentração de água no nosso corpo, o que justifica a orientação de ingerir água quando estiver ingerindo bebida alcoólica", explica o nutricionista clínico.

Já para quem não abre mão da cerveja com álcool, há outras opções menos nocivas. As mais populares são as com redução de carboidrato (ou low carb) e as sem glúten. A própria Ambev laçou este ano a Michelob Ultra (que promete ter 80% menos carboidratos quando comparada com às dez cervejas mais vendidas do Brasil) e a Stella Artois sem glúten, lançada no segundo semestre de 2020.

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Ambev investe em cerveja sem glúten e com baixo teor calórico - DIVULGAÇÃO

De acordo com o nutricionista Ricardo Duarte, escolher entre as duas vai depender do objetivo de cada pessoa. Se for para cortar calorias, a low carb deve ser a pedida, mas se a pessoa tem algum tipo de sensibilidade ao glúten (ou mesmo alergia, como os celíacos) a melhor opção seria a segunda. "No caso da sem glúten, pode oferecer uma sensação menor de empachamento, porque essa proteína tem essa característica de deixar a pessoa com aquela sensação de estômago cheio", observa o especialista.

Moderação e água são o caminho

Ricardo alerta, porém, que independe da bebida ser funcional ou tradicional, o correto é moderar. Mesmo investindo nas menos nocivas, exagerar vai trazer os menos reflexos negativos no organismo. Por isso, outra dica que ele repete é sempre intercalar a bebida alcoólica com água, evitando a desidratação.

"A cerveja é basicamente composta de água e cevada. A cevada é um cereal que contem glutén e quando fermentada produz álcool. A cevada tem carboidrato, substância que nos dá energia. Mas carboidrato em excesso faz acumular gordura e ganhar peso", pontua o nutricionista clínico.

Ele pondera, inclusive, que o próprio álcool possui suas calorias, que são chamadas "calorias vazias". "Temos três macronutrientes específicos para o bom funcionamento do nosso corpo: carboidratos, proteínas e gordura. Todos podem gerar calorias e energia. Mas no caso do álcool, as colorias dele são vazias porque nosso organismo não consegue utilizar para gerar energia. Então toda caloria dele só vai acumular, por isso ganhamos peso", diz.

Por fim, Duarte explica que não adianta fugir para os destilados. "A cerveja tem menos álcool do que os destilados, mas os outros tem menos carboidrato. Equiparando, todas as bebidas terão muitas calorias. Por isso é importante consumir com moderação", encerra.

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