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Em Pernambuco, São João terá menos comida de milho na mesa este ano

Apesar da boa safra, o Ceasa vai reduzir em cinco dias o plantão de vendas do milho este ano. A procura pelos pratos típico nas padarias deve cair em torno de 30%, estimam os comerciantes

Edilson Vieira
Edilson Vieira
Publicado em 25/05/2020 às 18:53
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Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
A boa notícia é que o preço da mão de milho (50 espigas) deve ficar estável em relação ao ano passado, em torno de R$ 20 e R$ 30 - FOTO: Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
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Um São João com menos comida de milho na mesa. Essa é a projeção para as festas juninas deste ano, por conta do isolamento social e o cancelamento das festas juninas em vários municípios pernambucanos.
No Ceasa, as vendas no pátio do milho começarão mais tarde este ano. Em 2019, o Plantão do Milho começou no dia 10 de junho. Este ano, o período em que o centro de abastecimento fica aberto 24 horas por dia para comercialização do produto só terá início em 15 de junho e vai até o Dia de São João (24).

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A expectativa de oferta é de 12 milhões de espigas, um pouco menos que no ano passado, quando ficou em torno de 13 milhões de espigas. Mas o diretor técnico operacional do Ceasa, Paulo de Tarso, garante que não vai faltar milho porque, tanto os mananciais quanto as chuvas foram regulares nas zonas produtoras, segundo Paulo de Tarso.

A grande icógnita é em relação ao consumo. “Falei com os produtores e tem muito milho para ser arrancado, o que vai colaborar para manter o preço estável”. A projeção é que o preço da mão de milho (com 50 espigas) no Ceasa fique entre R$ 20 e R$ 30, praticamente o mesmo cobrado no ano passado, apesar do aumento nos custos de produção como combustível, energia elétrica e mão-de-obra, disse Paulo de Tarso.

A abertura do período de venda de milho no Ceasa não terá festa, nem apresentação de bacamarteiros e sanfoneiros, como acontecia todos os anos. Tudo para evitar aglomerações. Além disso, a administração estuda o disciplinamento do trânsito na área interna do Centro e o distanciamento entre os produtores de milho que vão ofertar o produto. O Ceasa vai ainda lançar uma campanha para que o público faça suas compras no período da tarde, evitando o horário de maior demanda do Centro de Abastecimento, que acontece pela manhã.

PADARIAS

Os donos de padarias e delicatessens que preparam e vendem comidas juninas estão certos que o consumo será menor esse ano. Mesmo assim, ele apostam na tradição pernambucana de consumir produtos à base de milho nesta época e já estão preparando seus cardápios e algumas novidades. O São João é o terceiro melhor período de vendas para as padarias, perdendo apenas para o Natal e o Réveillon.

Juliana Wolfenson, proprietária da Padaria Jaqueira, no bairro de mesmo nome na Zona Norte do Recife, vai apostar em peças em miniaturas e cestas para presentes para impulsionar as vendas. “Nós sabemos que não deveremos ter uma demanda igual a de um São João normal porque não deverá haver aqueles arraiais, aquelas festas de rua, mas, mesmo quem está em casa vai querer comer os pratos da época. Vamos lançar um cardápio com bolos menores e kits com vários produtos, para comemorações menores, em família”, afirmou a empresária.

Vamos lançar um cardápio com bolos menores e kits com vários produtos, para comemorações menores, em família"
Juliana Wolfenson, proprietária da Padaria Jaqueira

Para o empresário Marcelo Gonçalves, sócio proprietário da Padaria Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, a expectativa é de vendas 30% menores no São João deste ano, mas ele acredita que a queda no consumo pode ser compensada pelo fato das famílias não se deslocarem para cidades do interior, já que não haverá pólos juninos tradicionais como o de Caruaru, no Agreste. “Estamos fortalecendo a divulgação dos produtos juninos nas redes sociais e vamos ampliar o serviço de delivery”, afirmou Marcelo.

O empresário Mário Francini, dono da padaria Com Pão, no Bairro dos Aflitos, Zona Norte do Recife, revela que apesar de as padarias estarem autorizadas a funcionar durante a quarentena, o movimento caiu entre 50% e 60% porque muitos dos frequentadores diários, aqueles que compravam pão todos os dias, reduziram a ida a padaria. “Isso vai se refletir no consumo de comida junina, mas ainda é algo indefinido. Apesar de ser paulistano eu sei que a tradição do são João aqui é muito forte. Então vou me preparar, não sei ainda se na mesma proporção dos outros anos, mas não tem como deixar de oferecer os bolos, a canjica, a pamonha, tudo isso vamos ter”, diz Mário Francini.

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