FOCO NA PREPARAÇÃO

Com mais de 252 mil vagas previstas até o fim de 2021, está na hora de mudar seu foco para os concursos

Só nesta semana, pelo menos 57 certames estão abertos com 6.016 vagas

Marcelo Aprígio
Marcelo Aprígio
Publicado em 29/05/2021 às 8:00
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EDMAR MELO/ACERVO JC IMAGEM
Desde o começo de 2021, apesar da crise sanitária causada pela covid-19, diversos órgãos públicos lançaram editais ou aplicaram provas de concursos - FOTO: EDMAR MELO/ACERVO JC IMAGEM
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Nos últimos dias, o Brasil tem experimentado um ‘boom’ de concursos. Só nesta semana, pelo menos 57 certames estão abertos com 6.016 vagas. O número é ainda maior se somado com as oportunidades previstas para o restante do ano. Ao todo, mais de 252 mil vagas, além de cadastro de reserva, devem ser abertas até dezembro, para a alegria dos concurseiros.

Desde o começo de 2021, apesar da crise sanitária causada pela covid-19, diversos órgãos públicos lançaram editais ou aplicaram provas de concursos, que vão desde o IBGE às forças de segurança, a exemplo da Polícia Federal, Polícia Penal, Polícia Rodoviária Federal e Polícia Militar de alguns estados brasileiros.

O concurseiro João Vitor Pereira, de 19 anos, foi uma das pessoas que realizou uma prova durante a pandemia e já se prepara para mais uma avaliação. O estudante conta que em sua preparação o fator da aula online não foi prejudicial, já que gostava de estudar dessa forma e convida outras pessoas a abraçarem o atual momento dos concursos.

ACERVO PESSOAL
CONCURSOS | João Vitor Pereira, 19 anos, concurseiro - ACERVO PESSOAL

“Sabemos que as aulas presenciais, o contato com o professor influencia bastante na preparação, no entanto sempre gostei de estudar sozinho, online e eu dito o meu ritmo, priorizo as matérias. A pandemia ela afetou nesse aspecto do contato com o professor, para tirar dúvidas, nem sempre com aulas online, mas não foi tão diferente do normal para mim”, conta. "De toda forma, é preciso aproveitar esse momento. Não sabemos quando tantos concursos serão abertos de uma só vez assim", afirma.

Atualmente, instituições como a Defensoria Pública da Bahia (DPE-BA) e a PM de Alagoas estão com concursos abertos à espera dos candidatos. Só na DPE-BA são 18 vagas com salários iniciais que podem chegar a 22.528,54. Para se inscrever, os interessados devem acessar o site da Fundação Carlos Chagas (FCC), preencher um formulário com seus dados pessoais e profissionais até o dia 23 de junho, além de pagar uma taxa no valor de R$ 280,00. As provas estão previstas para ocorrer em 1º de agosto de 2021.

Já para a Polícia Militar alagoana, de acordo com o edital, serão contratados 1.060 novos soldados e cadetes, cujas remunerações passam de R$ 8.099,94. A inscrição ocorre até 2 de junho pelo site da Cebraspe, responsável pela organização do certame. A taxa de inscrição custa R$ 95,00. As provas objetivas devem ser aplicadas em 15 de agosto de 2021.

Além dessas oportunidades, nos próximos meses, ao menos 4 concursos devem ser abertos em Pernambuco. Dentre eles, os mais avançados são os da Câmara Municipal de Olinda, do Hemope e da Secretária de Educação e Esportes do Estado, que já tiveram as bancas definidas. O Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) já formou a comissão para seu concurso, cuja finalidade é preencher vagas para os cargos de Técnico Judiciário, Analista Judiciário e Oficial de Justiça.

ANSIEDADE

João Vitor conta que por conta da pandemia algumas provas foram adiadas, e para os concurseiros, a ansiedade pode atrapalhar. “A ansiedade foi algo que impactou bastante, já que o concurso foi adiado algumas vezes, e sou um pouco ansioso. No final do ano estava cansado, saturado, não aguentava mais esperar, ver todo edital, ter estudado, resolvido questões para no final, ver a prova adiada. Foi complicado”, desabafa.

Na avaliação da professora de psicologia do mestrado do centro universitário UniFBV Jesuína Ferreira, a ansiedade de João é justificada, dado o fato de não saber sobre quando os concursos estarão abertos, algo que pode afetar e dar mais pressão aos candidatos.

“Isso gera uma ansiedade muito grande, você fica com a vida parada, estudando, sem saber quando serão abertos, quando surgirá oportunidade. O emocional de grande parte das pessoas na pandemia sofreu influência grande, pelo sentimento de impotência, incerteza. É importante promover o autoconhecimento, saber lidar com as frustrações, o trabalho com um profissional especializado é fundamental. O estudante precisa aceitar que a realidade de agora não será igual ao que vivíamos antes, é continuar e não se culpar, dar o melhor e buscar esse equilíbrio, continuar firme no propósito”, destacou ela, afirmando que, apesar dos adiamentos, o concurseiro não pode deixar de estudar. “A dica principal é: continue estudando, principalmente agora, quando tantos concursos foram abertos.”

FOCO NOS ESTUDOS

Opinião parecida tem o professor de disciplinas pedagógicas e administrativas do NUCE Concuursos, Abner Mansur. Segundo ele, como todo processo seletivo, um certame público exige por si só um período de preparo maior, e com a pandemia isso se intensificou, porque um dos desafios impostos pela covid-19 foi o de estudar em casa. Mansur recomenda que um horário de estudos detalhado e bem distribuído pode ajudar em uma boa preparação, desde que sejam cumpridos à risca.

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Concursos - Abner Mansur, professor - DIVULGAÇÃO

“Estudar em casa é sempre mais difícil, por conta das distrações naturais, é preciso redobrar a atenção e disciplina. A dica é montar um cronograma de horários, dentro dele vai fazer a divisão por disciplina, por horas. Ele pode ter revisões semanais, quinzenais, e acima de tudo deve cumprir ele, se trancar nos horários, e transformar em horas líquidas de estudo, sem permitir que atrapalhe, isolamento total nas horas de trabalho”, aconselha, lembrando de um serviço que cresce no Grande Recife: as cabines de estudo.

Para Abner, é importante que os concurseiros refaçam provas anteriores, para ter conhecimento das bancas elaboradoras. “Uma dica é a resolução de muitas questões, fazendo o raio X de provas passadas. Isso é importante porque as provas das bancas costumam trazer questões parecidas, com a mesma temática e mudanças de pequenos detalhes. Assim, apenas esse estudo mais pragmático já ajudará o concurseiro a pontuar bastante nas provas”, recomenda. “Esse é o melhor treinamento”, completa.

PERSPECTIVAS

ASCOM/TRT6
CONCURSOS | Professor da UFPE e Unit-PE Sérgio Torres Teixeira - ASCOM/TRT6

O especialista em concursos e professor de Direito da UFPE e do Centro Universitário Tiradentes Sérgio Torres, que também é desembargador no TRT6, afirma, porém, que, a médio e longo prazo, a oferta de vagas para certames públicos deve cair e, com isso, aumentar a concorrência, diferente do acontece hoje.

“Eu acredito que teremos cada vez menos concursos, acompanhado, lógico, de um número menor de vagas. Em contrapartida, teremos muito mais candidatos se preparando e preparados para disputar uma vaga nos certames”, diz ele reforçando o conselho dos outros especialistas sobre o estudo. “Então, não dá para relaxar e parar de estudar. A dedicação e a disciplina será crucial. É preciso continuar com o foco na preparação”, emenda, sugerindo que os concurseiros aproveitem a leva atual de provas.

Abner Mansur, no entanto, discorda do professor e diz que, na sua avaliação, com a modernização do serviço público, a estabilidade profissional outrora garantida pelos concursos deve ser diminuída, fazendo com que muitas pessoas não se sintam atraídas pelos certames. “Nesse caso, o que pode acontecer não é o cancelamento dos concursos, mas eles não serem atrativos para as pessoas, que buscarão outras áreas que não setor público”, pontua.

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Concursos - Abner Mansur, professor - FOTO:DIVULGAÇÃO
ASCOM/TRT6
CONCURSOS | Professor da UFPE e Unit-PE Sérgio Torres Teixeira - FOTO:ASCOM/TRT6
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CONCURSOS | Professora de psicologia do mestrado do centro universitário UniFBV Jessuina Ferreira - FOTO:ACERVO PESSOAL
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CONCURSOS | João Vitor Pereira, 19 anos, concurseiro - FOTO:ACERVO PESSOAL
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CONCURSOS | João Vitor Pereira, 19 anos, concurseiro - FOTO:ACERVO PESSOAL
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CONCURSOS | João Vitor Pereira, 19 anos, concurseiro - FOTO:ACERVO PESSOAL

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