PREOCUPAÇÃO

Países vizinhos da Ucrânia se preparam para onda de refugiados

A embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Linda Thomas-Greenfield, alertou nesta quarta-feira (23) que invasão russa à Ucrânia poderia provocar "uma nova crise de refugiados" com "até 5 milhões" de pessoas deslocadas

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AFP

Publicado em 23/02/2022 às 19:26
Ucrânia tinha população estimada em 44,13 milhões em 2020 - DANIEL LEAL / AFP

Os países da União Europeia (UE) vizinhos da Ucrânia se preparam para enfrentar o fluxo de centenas de milhares ou até de milhões de refugiados caso a Rússia invada essa ex-república soviética.

A embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Linda Thomas-Greenfield, alertou nesta quarta-feira (23) que o conflito poderia provocar "uma nova crise de refugiados" com "até 5 milhões" de pessoas deslocadas.

A Polônia, que tem uma extensa fronteira com a Ucrânia e acolhe cerca de 1,5 milhão de seus cidadãos, expressou seu apoio ao país vizinho e sua vontade de ajudá-lo.

"A Polônia está se preparando para vários cenários relacionados à situação de tensão" entre Ucrânia e Rússia, informou o ministério do Interior à AFP.

Os planos já estavam sendo analisados mesmo antes de a Rússia reconhecer a independência das áreas controladas pelos rebeldes no leste da Ucrânia e das sanções ocidentais.

"O ministério do Interior está há um tempo tomando medidas para se preparar para uma onda de até um milhão de pessoas", disse no mês passado o vice-ministro do Interior polonês, Maciej Wasik.

O primeiro-ministro Mateusz Morawiecki criou um grupo de trabalho para definir as necessidades logísticas, de transporte, médicas e educativas para receber os refugiados ucranianos.

"Estamos preparados para receber crianças e jovens nas escolas e os estudantes nas universidades polonesas", disse nesta quarta-feira o ministro da Educação, Przemyslaw Czarnek.

A comissária do Interior da UE, Ylva Johansson, afirmou à AFP que a Comissão Europeia está disposta a fornecer apoio econômico à Polônia se necessário, assim como ajuda da agência europeia de asilo, da Europol e da agência de fronteiras da UE, a Frontex.

Romênia e Eslováquia

A Eslováquia, que compartilha sua fronteira oriental com a Ucrânia, também tem planos para enfrentar "uma possível pressão dos refugiados", disse o ministro da Defesa, Jaroslav Nad, nesta quarta-feira.

O ministro do Interior, Roman Mikulec, revelou que há quatro campos de refugiados que poderiam receber os solicitantes de asilo ucranianos.

"Se a situação exigir, também podemos utilizar as instalações de alojamento existentes no ministério do Interior e outros ministérios", afirmou.

A Romênia, um dos países mais pobres da Europa, não acredita que muitos ucranianos vão fugir para seu território em caso de conflito, mas está preparada para acolher meio milhão.

"Este é o número para o qual estamos preparados", disse na terça-feira o ministro da Defesa, Vasile Dancu.

O país poderia criar centros de acolhida, especialmente nas principais cidades ao longo de seus 650 quilômetros de fronteira com a Ucrânia, segundo o ministro.

Situação imprevisível

A Hungria, cujo primeiro-ministro Viktor Orban é conhecido pela sua linha dura contra a imigração, também parece disposta a receber refugiados ucranianos.

"Em caso de guerra, centenas de milhares, até mesmo milhões de refugiados chegariam da Ucrânia e reformulariam fundamentalmente a situação política e econômica da Hungria", afirmou Orban recentemente.

"Estamos trabalhando pela paz, mas é claro que os órgãos estatais designados começaram os preparativos", acrescentou.

O Conselho Norueguês para os Refugiados alertou no início do mês que se o conflito se intensificar e deslocar milhões de pessoas, os grupos humanitários teriam dificuldades para atender suas necessidade, inclusive parcialmente.

"Seria uma loucura lançar uma nova guerra cataclísmica no mundo", disse então seu secretário-geral, Jan Egeland.

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