ISOLAMENTO SOCIAL

Contrário ao isolamento, Flávio Bolsonaro faz enquete nas redes sociais e vê seguidores mais preocupados com o coronavírus

O senador questionou no Twitter: "o que é pior, coronavírus ou caos social?" O resultado da enquete divergiu do que a família Bolsonaro defende

JC
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Publicado em 25/03/2020 às 23:38
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Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Na noite desta terça-feira (22), as hashtags #FlavioPresidente e #FlavioBolsonaroNaCadeia integram a lista de assuntos do momento da rede social no Recife - FOTO: Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
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Com Estadão Conteúdo

Após o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) declarar, nesta quarta-feira (25), que o "caos" está "na nossa cara" e defender mudança na orientação de isolamento para que as pessoas possam voltar ao trabalho e evitar um "colapso" na economia brasileira, o senador Flávio Bolsonaro, seguindo o discurso do pai, resolveu questionar no Twitter: "o que é pior, coronavírus ou caos social?" O resultado da enquete, no entanto, divergiu do que a família defende.

Com 61.1% dos 165.935 votos, venceu a opção "coronavírus". "Caos social" foi escolhido por 38.9% dos que votaram.

Nas publicações seguintes, Flávio não comentou diretamente o resultado da enquete, mas, tuitou que "a fúria de quem está contra o presidente agora vai durar até quando tiver comida na geladeira. Acabou a comida, aí verão que #BolsonaroTemRazao".

Críticas de Bolsonaro ao isolamento da população

Em pronunciamento em rede nacional de TV nessa terça-feira (24)o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a falar em "histeria" em torno da pandemia do novo coronavírus e criticou o fechamento de escolas, entre outras medidas adotadas por governos e municípios. O mandatário voltou ainda a citar a cloroquina, remédio que ainda não tem a eficácia contra a nova doença, a covid-19. 

"O que tínhamos que fazer naquele momento (no início das precauções) era o pânico, a histeria e, ao mesmo tempo, traçar a estratégia para salvar vidas e evitar o desemprego em massa", afirmou. O presidente acusou a imprensa de ir na contramão e espalhar "a sensação de pavor, tendo como grande carro-chefe o grande número de vítimas na Itália, um país com um grande número de idosos e com um clima totalmente diferente do nosso", criticou. Não existem ainda evidências científicas para suportar a teoria de que climas quentes podem ajudar a aplacar a doença.

Bolsonaro elogiou as ações do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, no planejamento estratégico de esclarecimento e atendimento no Sistema Único de Saúde. Ao se usar como exemplo, o presidente disse que, caso ele contraísse o coronavírus, ele não sentiria nenhum efeito dado o seu histórico de atleta. Bolsonaro viajou com ao menos 23 pessoas que receberam diagnóstico positivo para a doença. Há duas semanas, o jornal O Estado de S. Paulo pede os resultados dos seus exames para covid-19, mas não obtém resposta.

O mandatário criticou também algumas autoridades estaduais e municipais que "devem abandonar o conceito de terra arrasada, a proibição de transporte, o fechamento dos comércios e o confinamento em massa". Segundo ele, não há motivo para fechar escolas, uma vez que o grupo de risco é composto por, também, pessoas com mais de 60 anos. "São raros os casos fatais de pessoas sãs com menos de 40 anos", disse.

Durante o pronunciamento, Bolsonaro voltou a ser alvo de panelaços nesta terça-feira, 24, em ao menos nove capitais do País: São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Curitiba, Fortaleza e Porto Alegre.

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