Eleições 2020

PT do Recife mostra apoio ao PSB nas eleições para prefeito; PT nacional vai decidir destino de Marília Arraes

O PT nacional já havia orientado anteriormente pela candidatura própria no Recife com Marília como candidata

Gabriela Carvalho Luisa Farias
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Gabriela Carvalho
Luisa Farias
Publicado em 29/06/2020 às 10:38 | Atualizado em 29/06/2020 às 20:26
Foto: Divulgação/PT
"PT e PSOL precisam firmar esta união porque está claro que tanto do ponto de vista nacional, com Bolsonaro, quanto aqui em Pernambuco e no Recife, com Governo do Estado e Prefeitura, o que se oferece é muito ruim para a população", disse a petista - FOTO: Foto: Divulgação/PT
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Atualizada às 20h16

O PT do Recife confirmou a decisão de sinalizar apoio ao PSB nas eleições do Recife em 2020 em resolução lançada nesse domingo (28). A maioria dos dirigentes locais do partido refutaram a candidatura de Marília Arraes a prefeita. O PSB deve lançar o deputado federal João Campos (PSB) para disputar a sucessão do prefeito Geraldo Julio (PSB). Apesar da declaração de apoio dos dirigentes locais, a decisão final sobre a candidatura própria ou apoio ao PSB cabe à direção nacional do PT, que se posiciona a favor da candidatura da deputada federal no Recife. 

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37 dos 44 delegados do PT no Recife votaram pela "manutenção da aliança político eleitoral do PT com os demais partidos da Frente Popular do Recife", liderado pelo PSB. Os delegados pró-candidatura de Marília não participaram do segundo dia do encontro partidário, ocorrido neste domingo (28). Marília Arraes também esteve ausente na reunião. 

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Na resolução, o diretório municipal também resolveu recorrer da decisão do Diretório Nacional de lançar  candidatura própria no Recife e solicitar que ela "adote a posição de ampla maioria dos delegados e delegadas presentes ao encontro municipal", diz trecho da resolução. 

Gleisi Hoffman afirmou que o diretório municipal do PT no Recife não tem poder de tomar uma decisão que vá de encontro a uma já tomada pela Executiva Nacional. "A definição em PE é pela candidatura própria, da companheira Marília Arraes. Ainda não recebi formalmente a Resolução do Diretório municipal. Soube que pedem a reconsideração da Direção Nacional. Pedir e recursar é um direito que todas as instâncias têm", afirmou a presidente. 

PT
PT do Recife - PT

Aliados

A deputada estadual Teresa Leitão (PT), aliada de Marília Arraes, também questionou a autoridade do diretório municipal em votar uma resolução pela manutenção da aliança com o PSB.

"O que me chamou atenção foi essa afirmação "O PT do Recife não apoia Marília Arraes". Quem é o PT do Recife, é Oscar (Barreto), é Cirilo (Mota, presidente do diretório municipal), é Humberto (Costa, senador), são os 44 delegados que representaram no encontro? Eu acho que o PT do Recife é maior do que isto. E tem setores significativos do PT que apoiam a candidatura de Marília. E além disso, ninguém se elege para nenhum cargo somente com os votos do seu partido não. A campanha vai ser feita com o povo, com o recifense, com a recifense", afirmou a parlamentar, em entrevista à Rádio CBN Recife nesta segunda-feira (29). 

Segundo Teresa, a decisão do diretório nacional é política e prejudicial para a sigla, assim como ocorreu em 2012 - quando o PT rachou durante as prévias para a escolha do candidato à Prefeitura do Recife - e alguns setores não apoiaram Humberto Costa (PT) nas eleições municipais. 

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Na época, o então prefeito João da Costa (PT) era o candidato natural à reeleição, mas o PT acabou realizando prévias entre ele e o então deputado federal Maurício Rands (PT). Mesmo João da Costa vencendo as prévias, o Diretório Nacional interviu e indicou Humberto Costa candidato, com o ex-prefeito João Paulo na vice. O próprio João da Costa se opôs à chapa durante a campanha. 

"Mas a conjuntura agora é diferente, o PT não é mais governo federal, está na oposição a Bolsonaro, então existem outros ingredientes que não vão repetir. Eu só estou lembrando o modus operandi de alguns segmentos do PT, mas vai prevalecer o que a instância do PT definiu não só para o Recife, é uma estratégia política do partido", disse Teresa.

A orientação do PT nacional é pelo lançamento de candidaturas próprias nos municípios brasileiros com mais de 200 mil habitantes, onde há propaganda eleitoral de rádio e TV. 

Sobre a ausência do grupo pró-Marília no encontro do domingo (28), Teresa disse que o diálogo é uma via de mão dupla, e que desde quando houve o anúncio da sua pré-candidatura, membros do partido tentam descredibilizá-la. "Quem quer conversar faz gestos, então não dá para você ter uma deputada federal, a primeira mulher deputada federal do PT, a segunda deputada mais votada do PT para estar sendo defenestrada a tudo e a mais porque é candidata a prefeita. O diálogo pode se dar a qualquer tempo, mas é necessário que se queira. Se querendo estamos à inteira disposição", cravou. 

Já o secretário de saneamento do Recife, Oscar Barreto, integrante do grupo que defende a manutenção da aliança, rebateu dizendo que para dialogar é preciso credibilidade. Ele alega que o grupo de Marília passou por cima do partido no âmbito local e levou a questão da candidatura para instâncias superiores. "Eles simplesmente foram para o diretório nacional votar, não esperaram que fosse votado no município, estadual e nacional, que é a instância que tem o poder muito grande sobre o partido. Esse papo de diálogo foi quebrado com eles porque na realidade não tem o sentimento do partido", afirmou Oscar. 

Oscar acusa o grupo adversário de tentar personalizar a política no contexto das eleições municipais. "Estamos falando de uma eleição contra o fascismo, possivelmente alimenta muito a tática da direita que quer que tenha segundo turno aqui e a gente termina ajudando a direita. Temos que ganhar a eleição no primeiro turno. É isso o que está se discutindo. Não é Marília e João Campos. O que está discutindo aqui é como derrotar Bolsonaro", afirmou. 

Aliança

A manutenção da aliança com o PSB é defendida pelo grupo liderado pelo senador Humberto Costa, que é aliado do prefeito Geraldo Julio (PSB) e do governador Paulo Câmara (PSB) e tem aliados que ocupam cargos nas gestões do PSB no Recife e no Governo de Pernambuco.

Em 2018, houve outro cenário: Marília Arraes recebeu aval do diretório local, mas foi impedida pelo PT Nacional de disputar a eleição para governadora. A manobra abriu alas para o PT se aliar ao governador Paulo Câmara, que tentava a reeleição, em acordo para minar possível apoio do PSB à candidatura de Ciro Gomes (PDT) à Presidência.

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Assim, o senador Humberto Costa foi para a chapa majoritária de Paulo Câmara, quando obteve a reeleição, e o PT Nacional, que teve Fernando Haddad como candidato a presidente, conseguiu isolar Ciro Gomes.

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