Eleições 2022

Miguel Coelho se aproxima do PDT e endurece o tom contra Paulo Câmara e João Campos

Prefeito de Petrolina tenta costurar alianças para viabilizar sua candidatura ao governo do Estado nas próximas eleições

Renata Monteiro
Renata Monteiro
Publicado em 28/04/2021 às 15:37
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DIVULGAÇÃO/PREFEITURA DE PETROLINA
Miguel Coelho e Wolney Queiroz - FOTO: DIVULGAÇÃO/PREFEITURA DE PETROLINA
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Atualizada às 20h23

Após cumprir uma série de agendas no Recife desde o início da semana, o prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (MDB), encontrou-se em Caruaru com o deputado federal Wolney Queiroz, que preside o PDT em Pernambuco, para uma conversa sobre "política estadual e nacional". A reunião entre as lideranças ocorreu nesta quarta-feira (28), quando o emedebista também visitou empresários da construção civil do Agreste para negociar a atração de novos empreendimentos para Petrolina.

Pré-candidato ao Governo de Pernambuco, Miguel convidou Wolney, que hoje está na base do governador Paulo Câmara (PSB), para compor uma aliança visando discutir uma nova agenda para o Estado em 2022. "Falei para Wolney que os municípios precisam urgentemente debater a recuperação econômica, a situação da saúde, vacinação, soluções para a infraestrutura, investimentos públicos que possam fazer todas as regiões se desenvolverem de forma justa. O PDT pode ser muito importante para esse debate público que precisa ser feito", afirmou o prefeito, através de nota.

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Em uma publicação no Instagram, Wolney também fez questão de comentar o encontro com Miguel. "Hoje cedo tive a honra de receber a visita do prefeito de Petrolina, meu amigo Miguel Coelho, aqui em Caruaru. Conversamos sobre Pernambuco e os desafios do futuro. Na pauta, também os rumos dos nossos partidos para 2022. Conversa boa!", declarou o pedetista.

À repórter Mirella Araújo, deste JC, Wolney afirmou, ainda, que o encontro com o prefeito de Petrolina trata-se de uma conversa inicial, abrindo a possibilidade de o PDT ter mais uma alternativa de apoio à candidatura de Ciro Gomes (PDT) em Pernambuco. “Foi só uma primeira conversa, ninguém antecipou nada. Nós sabemos do desejo de Miguel em disputar o Governo do Estado, e acho que temos espaço para levar o MDB para apoiar Ciro Gomes, e isto é um fato fundamental. Ele tem essa simpatia ao nome de Ciro”, destacou o pedetista.

Miguel, porém, afastou por ora esse debate sobre o cenário nacional em 2022. "Nós estamos focados no debate do Estado. O Estado tem muitos problemas a resolver e a população não quer saber de eleição, ela está interessada em melhorar a qualidade de vida, em como gerar empregos, em investimentos em infraestrutura, no acesso à água, ao saneamento, tudo isso são pontos cruciais no dia a dia da população. O debate nacional vai ficar para o momento apropriado, que não é agora nem nesse ano", pontuou o prefeito. E completou: "Mas se vamos falar sobre projetos conflitantes em nível nacional, como se justifica o PDT ficar com o PSB, que defende uma candidatura nacional do próprio partido? Como se defende o PDT ficar em uma aliança que pode ter o PT e o PSB juntos? Não se pode olhar apenas um lado da moeda", cravou.

Embate com o Palácio

Mais cedo, após ficar sabendo que o Recife vai começar a vacinar os professores da cidade contra a covid-19, Miguel exigiu que a gestão estadual prestasse esclarecimentos acerca da campanha de vacinação, pois, segundo ele, a capital estaria recebendo tratamento diferenciado por ser governada por um aliado de Paulo, o prefeito João Campos (PSB).

"É muito preocupante porque, não só eu, mas outros prefeitos já tinham estranhado um suposto privilégio para a Prefeitura do Recife na distribuição da vacina após denúncia do portal UOL. Agora, um dia após todos os municípios acatarem uma determinação do Governo do Estado, acontece isso, uma quebra de acordo flagrante", disparou o gestor municipal.

O prefeito referiu-se a uma reunião realizada na última segunda-feira (26), em que houve uma pactuação entre secretários de Saúde dos municípios, Governo do Estado e Ministério Público para que nenhuma cidade avançasse a imunização para outra categoria antes de concluir a aplicação das doses nos profissionais de saúde. A Prefeitura de Petrolina - assim como todas as demais, inclusive a do Recife - teria acatado a recomendação.

"Eu quero que todos os educadores sejam vacinados o quanto antes. Mas não posso antecipar esse processo porque o Governo do Estado não liberou essa etapa. Quando a Prefeitura do Recife anuncia a vacinação dessa forma, com a conivência do Governo do Estado, viola o que foi acordado. E mais, ainda joga toda a categoria dos professores contra os prefeitos pernambucanos. Se no Recife pode vacinar, em Petrolina, ou outra cidade também deve ser assim. Não pode uma prefeitura só porque é do PSB ter mais direito que todas as outras. Todos os professores merecem vacina", observou Miguel.

Outro lado

Através de nota, a Secretaria Estadual de Saúde afirmou que o envio das vacinas contra a covid-19 para os municípios pernambucanos " é feito de forma equânime, tendo como base os cálculos populacionais dos grupos prioritários previstos no Plano Nacional de Imunização (PNI), do próprio Ministério da Saúde".

A pasta afirma, portanto, que o avanço nas etapas de imunização, dentro dos parâmetros do PNI, "é possível de acordo com a realidade de cada território, a disponibilidade de doses e, principalmente, a organização do processo de vacinação, minimizando as perdas de doses e monitorando a evasão do público", ressaltando que essas medidas seriam de responsabilidade dos gestores municipais.

A SES salienta, ainda, que tem compromisso com a imunização dos pernambucanos e ratifica que "tem feito todas as ações que lhe cabe para acelerar o processo. Além disso, aguarda o envio de mais vacinas pelo Ministério da Saúde para avançar na proteção da população de Pernambuco".

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