Oposição

Depois da denúncia de propina na vacina, líder do MBL diz que movimento precisa voltar às ruas contra Bolsonaro

Nesta segunda-feira (29), surgiram denúncias do oferecimento de propina para viabilizar a compra da vacina indiana Covaxin e da Astrazeneca

JC
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Publicado em 30/06/2021 às 8:51
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"Tudo se encaminha pra um gigantesco esquema de roubo de vacina. Não da pra não ir pra rua", disse Renan Santos em seu Twitter - FOTO: DIVULGAÇÃO
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O líder do Movimento Brasil Livre (MBL), Renan Santos, defendeu a necessidade de ir as ruas e protestar contra o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), diante das denúncias que vem surgindo sobre a suposta participação do governo em um esquema de propina envolvendo a compra da vacina indiana Covaxin.

"Pessoal, tudo se encaminha pra um gigantesco esquema de roubo de vacina. Não da pra não ir pra rua. Repito: eh minha posição pessoal. Mas não da pra fugir dessa discussão mais", afirmou Renan em sua página do Twitter.

Em maio deste ano, Renan Santos apontou o apresentador de televisão e humorista Danilo Gentili como opção de "terceira via" fora da polarização política ente o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o ex-presidente Lula (PT) para as eleições presidenciais de 2022. O nome Gentilli começou a ser cogitado depois que o MBL o incluiu em uma pesquisa eleitoral. 

Propina

O deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) - que denunciou supostas irregularidades na compra da vacina contra a covid-19 Covaxin, do laboratório indiano Bharat Biontech, pelo governo Bolsonaro - teria recebido uma oferta de propina para parar de atrapalhar a comprar do imunizante, afirmou a Revista Crusoé. A revista diz ter tido acesso às conversas de Luis Miranda com interlocutores relatando as reuniões em que a propina foi oferecida.

O lobista Silvio Assis, que atuaria como representante da Precisa Medicamentos, intermediária entre o governo brasileiro a indiana Bharat Biotech, prometeu um ganho de seis centavos de dólar a Miranda por dose da vacina vendida ao Ministério da Saúde. O cálculo é de que ele poderia ganhar US$ 1,2 milhão, o equivalente a R$ 6 milhões, caso aceitasse. 

Outra denúncia envolve uma declaração de representante de uma vendedora de vacinas em entrevista à Folha de S.Paulo afirmando que recebeu pedido de propina de US$ 1 por dose em troca de fechar contrato com o Ministério da Saúde. 

Segundo a Folha, Luiz Paulo Dominguetti Pereira, que se apresenta como representante da empresa Davati Medical Supply, disse que o diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, cobrou a propina em um jantar no restaurante Vasto, no Brasília Shopping, na capital federal, no dia 25 de fevereiro. O jornal acrescenta que Roberto Dias foi indicado ao cargo pelo líder do governo de Jair Bolsonaro na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR). Sua nomeação ocorreu em 8 de janeiro de 2019, na gestão do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM).

De acordo com a Folha, a Davati procurou o governo federal para oferecer 400 milhões de doses do imunizante desenvolvido pela Astrazeneca e a Universidade de Oxford. Na época, cada dose sairia por US$ 3,5 (o equivalente a R$ 17,35 pela cotação desta terça-feira).

"Eu falei que nós tínhamos a vacina, que a empresa era uma empresa forte, a Davati. E aí ele falou: 'Olha, para trabalhar dentro do ministério, tem que compor com o grupo'. E eu falei: 'Mas como compor com o grupo? Que composição que seria essa?'", afirmou Dominguetti à Folha

Foi aí que Dias teria apresentado a proposta de majorar o valor do imunizante para viabilizar o negócio. O empresário teria dito que esse tipo de acordo não era possível porque as doses vinham do exterior e, lá, as companhias não operavam dessa maneira.

A solução apresentada pelo diretor do ministério seria adicionar um dólar ao valor de cada dose. Com a cotação atual, US$ 400 milhões equivalem a R$ 1,984 bilhão. "Foi uma coisa estranha porque não estava só eu, estavam ele e mais dois. Era um militar do Exército e um empresário lá de Brasília", descreveu Dominguetti à Folha.

Ao jornal, o empresário disse ter certeza que conversou com o representante do governo federal. Sugeriu que os dados telemáticos do seu celular e as câmeras de segurança do local podem ser usadas para confirmar o encontro.

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