Eleições 2022

A difícil decisão que o PSB tem que tomar em 2022 para não rachar a Frente Popular de Pernambuco

Ao menos cinco partidos estão na disputa pela vaga na chapa majoritária que tem como principal nome cotado como pré-candidato ao governo, o ex-prefeito do Recife, Geraldo Julio

Mirella Araújo
Mirella Araújo
Publicado em 11/07/2021 às 8:00
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Fotos: Heudes Regis/SEI
PSB deverá definir a partir do primeiro semestre de 2022 quem irá apoiar nacionalmente para as eleições assim como bater o martelo sobre a chapa majoritária no Estado - FOTO: Fotos: Heudes Regis/SEI
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Com o pré-candidato ao governo praticamente definido, o ex-prefeito do Recife e secretário de Desenvolvimento Econômico Geraldo Julio é apontado como a preferência do partido, o grande desafio do PSB será decidir entre os diversos partidos que compõem a Frente Popular de Pernambuco, quem ocupará a única vaga do Senado disponível na chapa de 2022.

Alguns nomes começam a surgir na disputa, entretanto, deverá pesar na escolha as alianças que o partido poderá firmar em nível nacional. Embora, dentro do partido, socialistas afirmem que, mais que relevância da legenda, para o perfil de candidato ao Senado é necessário que o postulante seja alguém que possa agregar o bloco partidário e as lideranças locais. O que se sabe é que o provável destino do governador Paulo Câmara seja a disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados, levando-o a se desincompatibilizar do cargo em abril.

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“Historicamente essa vaga para o Senado ocupa um lugar estratégico na definição desse apoio, uma vaga extremamente barganhada apesar de ser um cargo, que de certa forma, é mais frio perante ao eleitorado. O eleitorado não dá muita importância e acaba meio que decidindo o voto para o Senado, combinado com o voto para o governador”, avalia a cientista política e professora da Faculdade de Ciências Humanas de Olinda (Facho), Priscila Lapa. “Agora, a gente pode dizer que ela é decisiva na estruturação de uma aliança porque, independente desse processo eleitoral, a garantia de uma vaga no Senado tem repercussões importantes para o partido posteriormente ao período eleitoral”, complementa.

Tanto o governador como o  prefeito do Recife João Campos, afirmaram durante o encontro com o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, nessa quinta-feira (8), que o PSB só deverá definir quem irá apoiar nas eleições presidenciais a partir do primeiro semestre de 2022. É o cenário nacional que vai ajudar o partido a desenhar seu palanque no Estado. Na sigla pedetista, o nome do deputado estadual e ex-prefeito de Caruaru, José Queiroz, é lembrado como um possível candidato ao Senado.

O “fator PT'' tem mostrado que será o norteador das discussões, isso porque com a reaproximação dos socialistas, a indicação para compor a chapa majoritária, caso não seja lançado uma candidatura própria ao governo, será uma grande moeda de barganha. O presidente do PT de Pernambuco, o deputado estadual Doriel Barros, afirma que o Partido dos Trabalhadores está na fase de construção do debate sobre 2022, visto que não há composição da chapa. “Claro que numa possível aliança [com o PSB], o partido, vai reivindicar estar na majoritária. O Senado é um espaço que consideramos importante”, declarou ao JC.

Além do nome do dirigente estadual, o deputado federal Carlos Veras também tem sido cotado para ser o indicado pelo partido na composição da chapa com o PSB. Sobre o assunto, Veras também endossou que o PT está na fase de conversas internas, mas que não há qualquer definição sobre o Senado e até mesmo sobre a candidatura ao Governo de Pernambuco.

“Com a candidatura do governo definida, essa composição será uma discussão a ser aprofundada. Nosso nome estará à disposição do Partido dos Trabalhadores e do presidente Lula”, declarou o parlamentar. O ex-presidente deverá cumprir agenda em Pernambuco na primeira quinzena de agosto, indo à mesa com as lideranças do PSB para tratar da conjuntura nacional e local.

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A cientista política Priscila Lapa rememora o que ocorreu nas eleições de 2018, quando o PT declinou da candidatura própria da deputada federal Marília Arraes, para apoiar a reeleição do governador Paulo Câmara, que, em contrapartida, apoiou a reeleição do senador Humberto Costa. “A vaga ao Senado foi decisiva para que o PT e o PSB reatassem a união que tinha sido rompida em 2014. Neste momento, mais do que a propriamente a vaga de governador, o que tem sido costurado e discutido é como será a definição para a vaga de senador. Essa briga não é pequena”, comentou a docente.

PARTIDOS

Por outro lado, dentro de uma frente que já se mostrou fragilizada nas eleições municipais, a escolha do PSB pelo PT pode causar grandes fissuras ao arco de alianças. Alguns nomes começam a ser ventilados para compor a chapa majoritária ao Senado, como o do deputado federal Augusto Coutinho (Solidariedade). “Acho que isso tem de ser uma construção, primeiro temos que criar uma unidade dentro da Frente Popular e definir quem vai fazer parte dessa chapa. É natural que qualquer deputado (estadual ou federal) tenha vontade de ser candidato a senador. Fico feliz do meu nome ser lembrado para isso, estamos há 28 anos na vida pública”, afirmou.

Coutinho ressalta que nenhuma decisão deverá ser imposta e que inicialmente essa discussão não poderá ser feita em torno de nomes, mas dos partidos que vão estar no mesmo palanque eleitoral. “De fato o PT momentaneamente está afastado do grupo de partidos e esse retorno precisa ser bem discutido. Não pode ser imposto, nem nada”, complementou o parlamentar.

Presidente estadual do Republicanos, o deputado federal Sílvio Costa Filho também tem sido lembrado, mas ressalta que a eleição majoritária não deve ser pautada por projetos pessoais e que o governador Paulo Câmara será o condutor desse processo. “Nós temos o desejo de poder disputar a eleição para o Senador, mas pode ser tanto em 2022 como em 2026, não tenho pressa”, declarou Costa Filho, afirmando ainda que conta com o apoio do presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, para sua candidatura ao Senado a fim de ampliar o número de parlamentares na Casa Alta.

O parlamentar, que já foi líder da Oposição na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), no primeiro mandato do governador Paulo Câmara, anunciou o ingresso do Republicanos do bloco liderado pelo PSB, nas eleições municipais de 2020, ao apoiar o então candidato a prefeito do Recife, João Campos.

Outros líderes partidários têm sido cotados como pretensos candidatos à única vaga do Senado pela Frente Popular: o presidente estadual do PSD, o deputado federal André de Paula; o deputado federal Sebastião Oliveira (Avante); o presidente da Alepe, o deputado estadual Eriberto Medeiros (PP); e o presidente estadual do PP, o deputado federal Eduardo da Fonte.

 

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