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Petistas ficam surpreendidos com boa recepção do PSB a Lula e acreditam que não há mais arestas que impeçam alianças em 2022

Humberto Costa afirmou que a ''prioridade é fazer aliança e tornar a candidatura de Lula mais forte''

Cássio Oliveira Mirella Araújo
Cássio Oliveira
Mirella Araújo
Publicado em 16/08/2021 às 14:53
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Heudes Regis/SEI
Paulo Câmara e Lula se encontraram no Recife - FOTO: Heudes Regis/SEI
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Membros do Partido dos Trabalhadores ficaram surpreendidos com a boa recepção do PSB ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e sua comitiva, que faz um giro pelo Nordeste, iniciando por Pernambuco. Na visão dos petistas, a reunião deu uma clara sinalização de que as siglas devem aparar arestas para 2022 e estar, mais uma vez, disputando a eleição no mesmo palanque. 

"Eu fiquei surpreso positivamente com a reunião com o governador (Paulo Câmara), quatro deputados federais, o presidente estadual do PSB (Sileno Guedes) e o prefeito do Recife (João Campos). Para mim, essa é que é a unidade. Vai quebrando aresta, vai se discutindo. Eu fiquei muito positivamente satisfeito com a conversa. Não se fechou nada. Mas sinalizou os caminhos", afirmou o vice-presidente do PT, deputado federal José Guimarães (CE).

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Lula foi recebido por membros do PSB, como o governador Paulo Câmara e o prefeito João Campos, no Palácio do Campo das Princesas, nesse domingo (15). O senador Humberto Costa (PT) participou do encontro e também avaliou positivamente. "Acho que todos os que participaram gostaram bastante. O governador Paulo Câmara abriu inclusive agradecendo o apoio do PT à candidatura dele em 2018. Falou da importância de nós unirmos forças para enfrentar o ano de 2022. E o presidente foi muito claro no sentido de que considera que o que nós estamos vivendo hoje vai exigir uma aglutinação de forças muito grande para tentar recompor o país, reconstruir o Brasil. Na avaliação dele e na nossa, estamos vivendo um processo de deterioração grave e rápida da situação do país. Ele disse que estuda a possibilidade de ser candidato. E se for candidato, gostará de conversar com todos os segmentos da sociedade brasileira. E muito especialmente com o PSB, que é um partido com quem ele e o PT tem uma relação histórica e positiva de muitos anos", afirmou Humberto.

José Guimarães, por sua vez, disse que a conversa foi franca e que há unidade no PT e no PSB em "derrotar o Bolsonaro". De acordo com o deputado, vai haver uma rodada de discussões para discutir com cada estado se há ou não palanque, se tem ou não tem aliança para definir onde o PT terá candidato e onde o PT poderá apoiar alguma candidatura. "Claro que o Nordeste é o nosso oásis. Nós temos que cuidar com todo o carinho de Pernambuco, até porque é a terra do Lula. Aí vocês perguntam se vai ter ou não aliança. Mas vai depender da eleição nacional", destacou o parlamentar.

Eleições 2022

Sobre a eleição de 2022 em Pernambuco, Humberto disse não ter discutido e sobre a eleição nacional ele afirmou que Lula foi quem manifestou o desejo de, no ano que vem, tomar uma posição definitiva sobre candidatura. "Nós aqui do PT em Pernambuco continuamos com a mesma posição. De que nós devemos aguardar uma resolução nacional para, então, abrirmos um debate aqui no Estado. Para nós, a prioridade é construirmos uma aliança nacional e tornar a candidatura do presidente Lula mais forte. E se o PSB estiver conosco, nós vamos abrir também essa discussão aqui em Pernambuco", comentou o senador.

Em 2020, PT e PSB estavam em lados opostos com João Campos de um lado e Marília Arraes de outro. Porém, de acordo com Humberto, Lula deixou claro que o momento é de olhar para frente. "Ele valorizou muito a relação que ele sempre teve com Miguel Arraes, com Eduardo Campos e a que ele tem hoje com o próprio governador Paulo Câmara. Nós não nos aprofundamos muito nessa discussão. Mas eu creio que a ideia nossa é que nós possamos conversar agora daqui pra frente", disse Costa.

Inclusive, questionado sobre críticas que João Campos fez ao PT nas eleições de 2020, Humberto disse que o Brasil está vivendo um momento que está acima de qualquer coisa do passado. "E por essa razão, eu acredito que todo mundo de bom senso vai entender que a gente tem que superar esse episódio e apostar em um novo momento para o país", pontuou.

José Guimarães concordou. "Eu ouvi ontem do presidente Lula e do próprio prefeito do Recife, no jantar, que é olhar para frente. O país emergencialmente pede socorro, ao PT e ao PSB principalmente. Então, não é por conta de uma disputa que teve aqui que nós vamos quebrar a unidade nacional. Na hora do 'vamo ver', nós vamos ter que sentar e discutir. Se for para o bem do país, faremos (aliança)", afirmou.

Entretanto, a deputada estadual e dirigente nacional do PT,  Teresa Leitão, que também esteve presente no encontro, afirmou que o desgaste gerado, principalmente no segundo turno da disputa pela Prefeitura do Recife, terá peso na construção desse possível palanque. "Se houver aliança quem tem que explicar isso não é a gente, mas João Campos e sua campanha, cabe a ele explicar. Foi levantado em uma das falas que foi um momento muito difícil para nós, o segundo turno. O PT tem uma avaliação muito crítica do que foi o segundo turno", declarou. 

Nos bastidores, houve quem observou o constrangimento do socialista, que pouco falou durante o jantar. Diferente do governador Paulo Câmara, que fez um discurso tecendo elogios ao líder petista e destacando as ações das suas gestões no Estado. Nesta segunda-feira, João Campos mencionou o encontro com Lula, sem suas redes sociais. 

"Participei, ontem, de um encontro entre PSB e o PT, com a presença do ex-presidente Lula. O diálogo é a essência da política, e vamos seguir conversando com o campo progressista sobre o momento do Brasil, a economia e a defesa da democracia", declarou. 

A ausência do ex-prefeito do Recife e secretário de Desenvolvimento Econômico, Geraldo Julio, também foi observada com atenção pelos petistas, já que o socialista é cotado como candidato a sucessão do governador Paulo Câmara. "Para um partido lançar um candidato, primeiro ele tem que estar resolvido internamente. Depois ele tem que convencer os outros partidos que o candidato dele é o melhor entre todos os partidos que vão apoiá-lo. Isso ainda não está dado, não está oficializado. Acho que o fato de Geraldo Julio não ter ido, é um exemplo de que não se discutiu a aliança. Quem já viu se discutir a aliança sem o candidato presumido, presente", disparou Teresa Leitão.


Bolsonaro

Humberto ainda disse que o atual presidente Jair Bolsonaro está acuado e perdendo popularidade. "A resposta dele tem sido a de radicalizar ainda mais. Mas o Supremo tem respondido de uma forma muito decisiva. Vai responder novamente a estes que estão apregoando esse golpe. E eu creio que o Senado federal vai ignorar solenemente essa tentativa de Bolsonaro de colocar no Senado contra o Supremo Tribunal Federal", afirmou.

Bolsonaro publicou no sábado (14), em suas contas em redes sociais, que levará ao Senado um pedido para instaurar um processo contra os ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O presidente afirmou que os dois magistrados “extrapolam com atos os limites constitucionais”. “Todos sabem das consequências, internas e externas, de uma ruptura institucional, a qual não provocamos ou desejamos. De há muito, os ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, extrapolam com atos os limites constitucionais”, escreveu.

A reação de Bolsonaro ocorre após Moraes autorizar a prisão preventiva de Roberto Jefferson (PTB-RJ), aliado de Bolsonaro, pela Polícia Federal (PF). O ministro do Supremo acusou o ex-deputado de participar de uma suposta milícia digital em ataques às instituições democráticas – montada, principalmente, para atacar as eleições de 2022.

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