Entrevista

''Se Bolsonaro continuar com escala autoritária, precisará ser contido'', diz presidente do PT sobre impeachment

Gleisi Hoffmann disse que os protestos a favor de Bolsonaro contaram com número importante de pessoas, mas ficaram aquém do esperado

Cássio Oliveira
Cássio Oliveira
Publicado em 08/09/2021 às 14:44
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PAULO PINTO/DIVULGAÇÃO
Gleisi Hoffmann é presidente nacional do PT - FOTO: PAULO PINTO/DIVULGAÇÃO
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Presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), a deputada federal Gleisi Hoffmann voltou a defender, na manhã desta quarta-feira (8), o impeachment de Jair Bolsonaro (sem partido), após declarações do presidente nos atos do 7 de Setembro.

Bolsonaro discursou a apoiadores em Brasília e em São Paulo no Dia da Independência, voltou cobrar o voto aditável, já derrotado na Câmara, e prometeu descumprir decisões judiciais do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a quem ele chamou de "canalha".

Para Gleisi, Bolsonaro precisa ser "impedido" de continuar com uma "escalada autoritária". "O discurso de Bolsonaro foi de mais um crime de responsabilidade, dizendo que não vai cumprir decisão judicial e estimulando seus apoiadores a não cumprir, o que é grave. Ele coloca a sociedade em instabilidade grande. A postura de Bolsonaro deixa a situação dele cada vez pior e ele mais isolado, partidos que não tinham se posicionado sobre impeachment, como PSDB e PSD, começaram a falar sobre e levarão o assunto para discussão na direção. Discutiremos com os partidos para avançar nesse processo", destacou a petista em entrevista à Rádio Jornal Petrolina.

A população não quer ditadura, nem ditador. Se Bolsonaro continuar com a escalada autoritária precisará ser contido, ele não pode continuar. Vai contra a Constituição, contra a regra da democracia. Ele atua contra ele mesmo com essa postura e isso terá reverberação na Câmara dos Deputados.
Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT

Manifestações

Manifestações em favor de Bolsonaro foram realizadas diversas capitais do País, como no Recife, onde apoiadores do presidente compareceram ao ato na Avenida Boa Viagem. Foi alto o número de pessoas nos protestos a favor do presidente, mas, para Gleisi, o número ainda ficou aquém do esperado.

"Foi um número importante (de pessoas), um número grande, mas aquém do esforço do próprio Bolsonaro e de sua articulação. Fizeram esforço político de organizar e financeiro, foi muito dinheiro colocado em um ato convocado há dois meses. Acho que frustrou um pouco as expectativas dos bolsonaristas, não foi a mobilização que eles pretendiam", afirmou Gleisi.

A presidente do PT ainda criticou a pauta de Bolsonaro em seus discursos. "A agenda dos atos não é da vida do povo, ele (Bolsonaro) não falou em emprego, renda, vacina, em baratear comida, baratear combustíveis, nem em saída para a crise. Ele falou o tempo inteiro de uma pauta que interessa a ele, uma pauta que ele teme que são inquéritos no Supremo, por isso o ataque a ministros e a defesa de intervenção, não é pauta que dialoga com a imensa maioria do povo", concluiu a parlamentar.

Arthur Lira

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), também se posicionou sobre as falas de Bolsonaro e afirmou que o Parlamento vai ser um ponte de pacificação entre os Poderes Executivo e Judiciário. “É hora de dar um basta a esta escalada, em um infinito looping negativo.
Bravatas em redes sociais, vídeos e um eterno palanque deixaram de ser um elemento virtual e passaram a impactar o dia a dia do Brasil de verdade. O Brasil que vê a gasolina chegar a R$ 7 reais, o dólar valorizado em excesso e a redução de expectativas. Uma crise que, infelizmente, é superdimensionada pelas redes sociais, que apesar de amplificar a democracia estimula incitações e excessos”, afirmou Lira.

Sem citar o presidente Bolsonaro, que defendeu ontem o voto impresso, proposta já derrubada pela Câmara no mês passado, Lira afirmou que é uma questão superada.

“Não posso admitir questionamentos sobre decisões tomadas e superadas – como a do voto impresso. Uma vez definida, vira-se a página. Assim como também vou seguir defendendo o direito dos parlamentares à livre expressão – e a nossa prerrogativa de puni-los internamente se a Casa com sua soberania e independência entender que cruzaram a linha”, disse.

Arthur Lira reafirmou o respeito à Constituição e disse que ela “jamais será rasgada”.“O único compromisso inadiável e inquestionável que temos em nosso calendário está marcado para 3 de outubro de 2022. Com as urnas eletrônicas. São nas cabines eleitorais, com sigilo e segurança, que o povo expressa sua soberania”, defendeu Lira.

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