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''É natural, alguns chegam, outros vão'', diz Miguel Coelho sobre saída de Priscila Krause do DEM

A deputada Priscila Krause confirmou que deixará o Democratas, após 27 anos de filiação. Miguel entrou recentemente na sigla e comentou o desembarque

Cássio Oliveira
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Cássio Oliveira
Publicado em 09/11/2021 às 20:07 | Atualizado em 09/11/2021 às 21:01
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Miguel Coelho, ex-prefeito de Petrolina - FOTO: DIVULGAÇÃO
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O prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, entrou no Democratas e foi, por pouco tempo, correligionário de Priscila Krause. A deputada estadual desembarcou do partido nesta terça-feira (9), após 27 anos de militância.

Miguel falou sobre a saída de Priscila durante o Debate na TV Nova Nordeste e disse ser natural. "Temos de destacar a história que Priscila construiu, militante, vereadora, deputada estadual, fui deputado com ela por dois anos na Alepe, e se iniciou uma relação. O que aconteceu é algo natural, de um processo de fusão que está acontecendo e ela coloca como fator preponderante na saída por entender que nessa fusão haverá sinergias com quadros do DEM e do PSL, formando o União Brasil, e ela não se sentiu identificada com esse movimento", disse o prefeito.

Priscila Krause confirmou a saída do Democratas nesta terça-feira. Ela pode seguir para o PSDB, onde deve trabalhar pela candidatura de Raquel Lyra ao Governo de Pernambuco, mas ainda não definiu se esse será realmente o caminho. Especulações de que Priscila sairia do DEM começaram a surgir desde que a agremiação decidiu fundir-se com o PSL e o prefeito Miguel Coelho chegou à legenda para lançar sua pré-candidatura a governador de Pernambuco.

"Diante da extinção do Democratas, resultado da fusão com o PSL, decidi não fazer parte do novo partido. Não me enxergo participante do processo. Assim, comunico que no prazo previsto em lei, me desfiliarei", afirmou Priscila, em comunicado oficial.

Miguel não relacionou sua chegada ao DEM à saída de Priscila e destacou que ambos continuarão fazendo oposição ao PSB em Pernambuco, mesmo que estejam em partidos distintos. "É natural, alguns chegam, outros vão. Foi algo bem pensado por ela (Priscila Krause), não é decisão simples, respeitamos e desejamos sucesso nessa nova jornada partidária. Mas, vale à pena destacar que Priscila não precisa de partido A, B ou C para poder dar sua contribuição, seja à oposição ou à política pernambucana. Ela é um dos grandes quadros do Estado", comentou.

Oposição

Durante o debate na Nova, Miguel foi questionado se o desembarque de Priscila indica divisão na oposição. Ele negou. Hoje, um dos grupos de oposição ao PSB é o de centro-direita, formado com partidos como PL, PSDB, DEM e PSC. Nesse conglomerado de siglas, além de Miguel, Anderson Ferreira, prefeito de Jaboatão, e Raquel Lyra, prefeita de Caruaru, podem ser candidatos a governador.

No entanto, Raquel e Anderson formaram um bloco à parte recentemente, no qual Priscila deve embarcar. Ainda assim, Miguel diz que ter dois palanques será positivo para o grupo. "A oposição está unida em torno do projeto comum que é mudança. É Muito cedo para definir nomes, estamos a seis meses da descompatibilização e a quase 10 meses da eleição. Há tempo se optar por duas candidaturas consolidadas fortes, é certo que haverá segundo turno. A estrategia é de coletivo e destacamos que ninguém pode participar defendendo só o 'eu', precisa pensar o 'nós', um projeto para Pernambuco", disse.

Mesmo com Raquel e Anderson caminhando mais juntos, Miguel diz que o seu partido, o DEM, está "muito bem, animado e otimista". Ele aponta que, com a fusão, pessoas estão chegando para se filiar ao União Brasil. Ele aponta que prefeitos e vice-prefeitos iniciam esse processo de migração à nova legenda, que ainda carece de convalidação das atas pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral). "Sobre novos deputados, trabalhamos para fazer uma ampla chapa. O União espera eleger na faixa de faixa de oito a dez estaduais e de três a cinco deputados federais", comentou Coelho.

Jair Bolsonaro

A possível entrada de Jair Bolsonaro no PL pode mudar o xadrez político em Pernambuco. Miguel Coelho, cabe lembrar, é filho de Fernando Bezerra Coelho, líder de Bolsonaro no Senado. Assim, é esperada a presença do presidente em seu palanque. E o próprio Miguel confirmou isso no debate da Nova.

Porém, com Bolsonaro entrando no partido de Anderson Ferreira, Miguel diz que o melhor é esperar para ver como os apoios se darão. "Óbvio que a chegada de Bolsonaro ao PL tende a causar rearrumação, pois PSDB e Bolsonaro são antagônicos, mas seria presunçoso fazer essa avaliação. Nada melhor que o tempo. Os fatos vão amadurecendo", disse.

Miguel se refere à aliança que o PSDB tem com o PL em Pernambuco. Como Raquel e Anderson ficarão unidos se ela apoiará um candidato tucano para presidente em 2022 e ele deverá estar buscando a reeleição de Bolsonaro? Isso é algo que ainda precisa ser definido pelo grupo.

Para Miguel, ter mais de um candidato a presidente no mesmo palanque é normal. Ou seja, em Pernambuco você pode unir pessoas que apoiem diferentes candidatos ao Planalto, contanto que estejam unidas em prol de vencer a disputa ao Governo.

"Nunca você teve só um candidato a presidente no palanque com vários partidos. Significa somar pessoas, ideias, projetos. O que está em voga é a capacidade de tirar Pernambuco do calabouço que se encontra", destacou Miguel. Ele ainda disse que não quer a eleição focada no plano nacional e, sim, nos problemas locais. Citou falta d'água, más condições das vias, burocracia, falta de apoio a empreendedorismo, entre outros.

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