DEIXANDO CARGO

Após perder disputa pelo TCU, Fernando Bezerra Coelho entrega liderança do governo Bolsonaro no Senado

Por meio das redes sociais, o parlamentar afirmou que a medida já foi formalizada ao presidente da República

Marcelo Aprígio Paulo Veras
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Marcelo Aprígio
Paulo Veras
Publicado em 15/12/2021 às 10:50 | Atualizado em 16/12/2021 às 12:12
PEDRP FRANÇA/AGÊNCIA SENADO
Senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) era o líder do governo Bolsonaro no Senado à época - FOTO: PEDRP FRANÇA/AGÊNCIA SENADO
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Após acachapante derrota na disputa pela indicação para ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), o senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) entregou na manhã desta quarta-feira (15) o cargo de líder do governo no Senado. 

Por meio das redes sociais, o parlamentar afirmou que pedido já foi formalizado ao presidente Jair Bolsonaro (PL) "a quem o senador agradece a confiança no exercício da função".

FBC se sentiu traído

Bezerra entregou o cargo um dia após o Senado ter aprovado o nome de Antonio Anastasia (PSD-MG) como novo ministro do TCU. O emedebista disputava o cargo na corte com o mineiro e também com Kátia Abreu (PP-TO), e foi o último na disputa, com 7 votos.

Com a vitória do senador mineiro, FBC confidenciou a interlocutores que se sentiu traído pelo governo. Cálculos internos apontavam que o então líder do governo receberia 35 e 38 votos. Isso teria sido preponderante para a decisão anunciada nesta quarta.

No TCU, FBC estava de olho no cargo de Raimundo Carreiro, que deixa o tribunal após ser indicado por Bolsonaro para assumir a Embaixada do Brasil em Portugal. O sucessor do ministro herda, entre outras coisas, a relatoria do processo sobre os gastos com cartão corporativo de Bolsonaro e de seus familiares.

Clã dos Coelhos se complica

A não eleição de FBC para uma vaga no TCU cria um empecilho para o clã de Petrolina resolver em relação às eleições de 2022. O mandato do emedebista se encerra no próximo ano, mas todas as apostas do grupo estão na pré-candidatura do filho dele, o prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (DEM), ao Palácio do Campo das Princesas.

Para garantir apoios ao projeto do filho, Bezerra Coelho teria que abrir mão de disputar a reeleição, já que seria difícil garantir um amplo arco de alianças com os dois principais cargos da chapa reservados para a mesma família.

Uma alternativa que chegou a ser aventada foi a possibilidade de o senador disputar uma vaga na Câmara Federal, numa disputa proporcional. O problema, neste caso, é que o clã já tem um representante na Casa, o deputado federal Fernando Filho (DEM). Para viabilizar a vitória de ambos, a família teria que garantir votos suficientes para fazer dois deputados federais em uma eleição complicada, sem coligações proporcionais.

Fernando Filho, por sua vez, não poderia tentar disputar uma vaga na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), porque acabaria criando competição para o próprio irmão, o deputado estadual Antônio Coelho (DEM), líder da oposição no Legislativo estadual.

Ao longo dos últimos anos, a família Coelho ganhou força política ao emplacar um representante em cada espaço da política pernambucana. Mas é este cenário que, hoje, deixa pouca margem para manobra, sem que pelo menos um dos integrantes do clã fique sem mandato, ao menos até 2024.

Em setembro, Fernando Bezerra Coelho já havia dito à Rádio Jornal Petrolina, que o "projeto prioritário" era o de Miguel e que, para viabilizá-lo, poderia não disputar as próximas eleições. "Não terei mandato, mas continuarei fazendo política, colocando minha experiência à disposição e trabalhando muito", afirmou na ocasião.

Na época, porém, a vaga no TCU ainda era uma possibilidade para evitar que ele ficasse sem um mandato parlamentar e sem foro privilegiado.

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