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Insistindo em não reconhecer seus erros, o PT vai vivendo de narrativas

12 / maio
Publicado por Fernando Castilho às 8:10

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Fora do poder partir de hoje, o Partido dos Trabalhadores procura um norte. Uma coisa é perder uma eleição, outra é ser apeado do Governo após toda cúpula ser presa e condenada por corrupção. Uma coisa é brigar nas ruas por um ideal, outra é defender uma narrativa. Não se trata mais de resgatar o apoio da população que já faz tempo, foi perdido. O que se tenta agora é, ao menos, segurar uma militância mínima ainda que a um custo que inclui transporte, comida, fardamento e, não raro, até diárias em dinheiro.

Não foi para isso que se criou o PT. Não foi para defender esse tipo de gente que esquerda emprestou sua credibilidade e sua capacidade intelectual. Não foi para ver no que o partido se transformou que os trabalhadores fizeram greves, enfrentaram a polícia e até colocaram seu dinheiro. O PT não queria apenas ser diferente, queria ser honesto.

O desafio a partir de hoje não é defender a tese de ter sido expulso do poder por um Congresso de idoneidade questionável. É precisar levar às ruas um discurso quando a sociedade – mesmo sabendo disso – saiu de casa pedindo a saída do PT. E que se dispôs ir ocupar espaços públicos querendo expulsá-los a despeito dos 54 milhões de votos que Dilma Rousseff obteve há menos de 18 meses.

O PT que já foi e não é mais soberano nas ruas assiste sem entender como o país se fia esperança num governo Michel Temer cujo partido nunca teve condições de, sequer, disputar uma eleição sozinho. O ocaso de Dilma é o ocaso de Lula como projeto de esquerda honesta. É o fracasso de um sonho de tentar fazer diferente.

Ontem, no Senado os senadores do PT procuram contradições sem explicar as suas. O senador Paulo Paim (RS) invocou os votos contra o impeachment de Armando Neto (ex-presidente da CNI) e de Katia Abreu (presidente licenciada da CNI) esquecendo que as duas entidades já se declaram a favor do processo.

A senadora Fatima Bezerra (RN), foi mais patética e simplória: ela acusou a TV Globo e perguntou porque as pessoas se interessam pelo que faz sérvio Moro e despreza a lista do HSBC? Talvez devesse procurar a lista de integrantes do partido condenados pela Lava Jato.

Bom, ao menos o líder do Governo, o pernambucano Humberto Costa foi mais sensato: “Seremos o maior partido de oposição do Brasil. Repito, seremos o maior partido de oposição do Brasil, e não ao Brasil”, disse Humberto Costa. Horas antes, o vice-presidente do Senado, Jorge Viana (PT-AC), também foi mais realista. Admitiu em seu discurso que o governo cometeu erros mas destacou melhorias realizadas no país durante a era PT no governo.

É por isso o PT procura um norte. Ontem, antes do resultado senado o partido distribuiu nota afirmando que “mais uma vez em nossa história, as elites pisoteiam o voto popular, abrindo caminho para a imposição de um governo ilegítimo”. Mas sabe que não dá para querer voltar ao poder vivendo apenas de narrativas. Até o que sobrou da militância não vai aceitar isso por muito tempo.


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