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Saída de Bruno Araújo de ministério esquenta disputa por liberação de recursos no Estado

14 / nov
Publicado por Leonardo Spinelli às 18:55

Bruno Araújo (D), na foto ao lado de Temer. Deputado vai tentar capitalizar sua passagem pelo ministério em sua busca por um pleito majoritário no Estado. Foto: Beto Barata / Divulgação

O governo de Pernambuco pegou ar, como se diz no popular, com as declarações do deputado Bruno Araújo (PSDB) sobre como vai capitalizar para si os recursos que garantiu à frente do Ministério das Cidades, de onde pediu exoneração na segunda-feira.

O líder do governo na Alepe, Isaltino Nascimento (PSB), procurou a coluna para rebater o discurso do ex-ministro de que liberou mais verbas ao Estado em um ano e meio à frente da pasta do que o próprio governo estadual, num total de R$ 3 bilhões. “Bruno incluiu nessa conta meros anúncios de projetos”, disse Isaltino. “O anúncio de R$ 1 bilhão para o saneamento na RMR, além de já estar previsto na PPP do governo de Pernambuco desde 2013, não foi liberado um centavo. Houve apenas o enquadramento da operação, com recursos privados do trabalhador brasileiro, por meio do FGTS”, elencou o socialista como exemplo.

Isaltino aproveitou para bater no governo Temer, para quem fechou as torneiras ao Estado, salientando que houve, neste período, “a menor liberação anual para a Adutora do Agreste”. “O governo de Pernambuco investiu R$ 3,6 bilhões (de 2015 a 2017). Dinheiro de verdade, não ‘papel moeda de jornal’, anunciado pelo ex-ministro e que nunca chegou.”

Na segunda, Bruno Araújo (PSDB) se adiantou à decisão do presidente Michel Temer (PMDB), que vinha sendo pressionado pelos partidos do chamado Centrão a sacá-lo do cargo, e pediu, ele mesmo, sua exoneração. A cobiça do Centrão em relação ao ministério das Cidades se deve, principalmente, ao poder de investimento da pasta e ao seu potencial político.

E serão justamente essas qualidades que Bruno Araújo vai tentar capitalizar em sua busca por um pleito majoritário no Estado, em detrimento de sua participação no governo Temer, que tem baixo apelo popular, principalmente no Nordeste.

“O que vale para mim e para os ministros pernambucanos é o que nós fizemos pelo Estado. Nunca se conseguiu aplicar em Pernambuco R$ 3 bilhões em um ano e meio. Aplicamos R$ 1 bilhão para a concessionária de saneamento, R$ 150 milhões em encostas, mais de R$ 1 bilhão em habitação e outros R$ 300 milhões em saneamento. O que vai valer nessa relação serão os dividendos políticos dos ministros que trabalharam por Pernambuco. Investimos mais neste período do que o governo do Estado”, salientou o agora ex-ministro.

Sobre esses comentários, Isaltino envio a nota a seguir:

O ministro Bruno Araújo, que deu o voto decisivo para o impeachment da ex-presidente Dilma e imediatamente virou ministro no Governo Temer, ao deixar o Ministério para se desvincular da imagem negativa do presidente, tentou comparar seu desempenho com o do governo do Estado.
O ex-ministro subestima a capacidade de discernimento dos pernambucanos. Bruno disse que investiu mais que o governo do Estado e incluiu nessa conta meros anúncios de projetos. Um exemplo: o anúncio de R$ 1 bilhão para o saneamento na Região Metropolitana do Recife. Além de já estar previsto na PPP do Governo de Pernambuco desde 2013, não foi liberado 1 centavo. Houve apenas o enquadramento da operação, com recursos privados do trabalhador brasileiro, por meio do FGTS.

Na questão da prevenção para as áreas de encostas, a mesma coisa. Quanto foi efetivamente liberado? Apenas anúncios de enquadramento. Promessas de liberação que podem ou não acontecer.

Bruno fala de “dividendos políticos dos ministros que trabalharam por Pernambuco”. Quais? A menor liberação anual para a Adutora do Agreste pode ser um exemplo?

O Governo de Pernambuco, mesmo na crise, investiu mais de R$ 3,6 bilhões, entre janeiro de 2015 e agosto de 2017. Dinheiro de verdade. Não “papel moeda de jornal”, anunciado pelo ex-ministro Bruno e que não nunca chegou no nosso Estado.
Como não tem muita experiência no Executivo, o ministro insiste em confundir anúncio com realização. Essa é a diferença entre quem fala e quem faz.


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