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100 Melhores Filmes Brasileiros ganha lançamento no Janela Internacional

04 / nov
Publicado por Ernesto Barros às 10:35

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100 Melhores Filmes Brasileiros da Abraccine é lançado no Janela Internacional de Cinema do Recife

Oficialmente, o cinema brasileiro completou 118 anos no último dia 18 junho. Foi nessa data, em 1898, que o ítalo-brasileiro Afonso Segreto realizou as primeiras filmagens em terras brasilis. Ele estava a bordo do navio francês Brésil quando filmou a Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. Desde então, milhares de filmes foram feitos no País, nos mais variados formatos e gêneros – em preto e branco e em cores, de feição experimental, ficcional e documentária. Como todo cinéfilo é um crítico em potencial, muitos já se perguntaram: quais são os melhores filmes brasileiros de todos tempos?

Fundada há seis anos, a Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema, recentemente reconhecida pela Fipresci – Federação Internacional de Críticos de Cinema, reúne jornalistas e críticos de quase todos os estados brasileiros. No final do ano passado, a entidade promoveu uma votação entre os associados e cada um escolheu seus 25 filmes preferidos, entre curtas e longas-metragens. Depois de apurado, o resultado está no livro 100 Melhores Filmes Brasileiros (Grupo Editorial Letramento, R$ 79,90), que será lançado nesta sexta-feira (4/11), às 18h, no Cinema São Luiz, dentro da programação do 9º Janela Internacional de Cinema do Recife.

Desde agosto que o excelente livro da Abraccine, que contou com o apoio do Canal Brasil, vem ganhando lançamentos regionais, com paradas pelos principais festivais do País, entre eles o Festival de Gramado, Festival do Rio e Mostra de São Paulo. No Recife, a sessão de autógrafos vai contar com os críticos pernambucanos que participaram do livro e de outros que estão cobrindo o Janela, entre eles os jornalistas Luiz Joaquim, André Dib, Júlio Cavani e este repórter, além do goiano Fabrício Cordeiro e do paulista Heitor Augusto, que ministra o Janela Crítica (a oficina para jovens críticos do festival pernambucano).

100 Melhores Filmes Brasileiros é a primeira publicação da Abraccine. A obra, coordenada pelo crítico mineiro Paulo Henrique Silva, presidente da Abraccine, foi feita para impressionar os leitores. Além do formato diferenciado, próprio dos livros de arte, a coletânea tem um acabamento impecável, com centenas de fotos que ilustram cada crítica, num esforço tremendo da entidade junto aos produtores e donos dos direitos autorais dos filmes. Contudo, em se tratando de uma coleção de críticas, o que está em questão são os textos dos críticos e jornalistas, a maioria em atividade em jornais, revistas e sites da internet.

A lista traz filmes produzidos no Brasil entre 1931 e 2015 – do clássico Limite, de Mário Peixoto, a Que Horas Ela Volta?, de Anna Muylaert. Limite, por sinal, é o melhor filme brasileiro segundo os críticos da Abraccine. Produzido nos estertores do cinema silencioso, o mítico filme de Mário Peixoto é comentado pelo gaúcho Enéas de Souza, editor da revista Teorema e um dos decanos da crítica brasileira. “Sim, Limite é um filme difícil, mas a arte não é do ramo da facilidade e do vulgar. É o da invenção de formas. E por essa razão, vendo e revendo – e estudando – Mário Peixoto, nosso coração pode enfim falar com doçura: Limite é um grande filme”, escreve Souza.

É verdade que o leitor, dependendo do seu grau de conhecimento, pode criticar um ou outra escolha. Mas não se pode negar que esse espectro de 100 filmes é representativo do melhor que já foi feito em cinema no Brasil. Grandes cineastas como Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos, Eduardo Coutinho, Rogério Sganzerla, Walter Lima Jr, Leon Hirszman, Joaquim Pedro de Andrada, Walter Salles, Humberto Mauro, Ruy Guerra e Carlos Reichenbach, entre dezenas de outros, estão presentes com seus principais trabalhos.

O cinema e a crítica pernambucanos estão com boa representação no livro. O Som ao Redor, de Kleber Mendonça Filho, ocupa a 15ª posição da lista, seguido por Tatuagem, de Hilton Lacerda, na 73ª; Cinema, Aspirinas e Urubus, de Marcelo Gomes, na 75ª; Baile Perfumado, de Paulo Caldas e Lírio Ferreira, na 76ª, e Amarelo Manga, de Cláudio Assis, na 85ª. De quebra, a seleção ainda tem O Auto da Compadecida, dirigido pelo pernambucano Guel Arraes, na 63ª posição. Já os críticos locais escreveram sobre Eles Não Usam Black Tie (Luiz Joaquim), Ilha das Flores (André Dib), Memórias do Cárcere (este repórter) e Baile Perfumado (Júlio Cavani). No estilo das enciclopédias, 100 Melhores Filmes é um livro que pode ser consultado constantemente, ao sabor dos interesses dos leitores.


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