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Crítica: Shazam!, de David F. Sandberg

04 / abr
Publicado por Ernesto Barros às 16:05

Shazam (Zachary Levi). Foto: Steve Wilkie/Divulgação

Criado na fase de ouro das HQs, Capitão Marvel, que perdeu o nome numa disputa entre a Marvel e a DC, chega aos cinemas como é conhecido desde a década de 1970: Shazam! Contemporâneo de Batman e Superman – criados entre 1938 e 1939 –, Shazam, quer dizer, Capitão Marvel, não teve a mesma a sorte deles. Saído da imaginação do roteirista Bill Parker e do desenhista C. C. Beck, o personagem sofreu muitos percalços e desde os anos 1970 estava no limbo, como se a Warner Bros./DC Comics estivessem esperando uma hora boa para introduzi-lo no cinema. O certo é que, depois dos altos baixos da franquias Batman e Superman, a Warner Bros. – por meio da subsidiária New Line – vem apostando na diversão pura e simples, como bem mostrou recentemente com Aquaman (2018).

Respeitando quase que por completo o histórico do personagem, Shazam! é a confirmação de que os anos negros de Zack Snyder à frente dos projetos da Warner são coisas do passado. Assim, os antigos fãs de Shazam e os novos têm tudo para curtir o filme sem reclamação. Afinal, o apelo infantojuvenil está intacto, com os roteiristas Henry Gayden e Darren Lemke dando conta da origem do personagem e de suas primeiras aventuras, a partir de um arco narrativo que se estende até o ponto certo.

Dirigido com um notável empenho artesanal pelo sueco David F. Sandberg, que Hollywood importou para dirigir Quando as Luzes se Apagam (Lights Out, 2016) e depois Annabelle 2: A Criação do Mal (Annabelle: Creation, 2017), Shazam! é o tipo de filme feito para agradar aos fãs, mas que isso não significa uma facilidade para conquistar o público. Simplesmente, Sandberg comandou um filme com todos elementos afinado, apesar de que há – como acontece com todos os filmes do gênero – um excesso de efeitos especiais que por pouco não desanda a fórmula.

Um dos grandes trunfos de Shazam! é que ele é um filme de super-herói para crianças que gostam de filmes de super-heróis. Mas isso pode ser aplicado também a adultos, claro. Afinal, todos esses super-heróis, nascidos originalmente nas HQs, já estão passando dos 80 anos. E Shazam, como devem lembrar, é um super-herói infantojuvenil. Sem muita pressa, o filme introduz Billy Batson, o alter ego de Shazam, até que todos entendam quem é aquele menino, que perdeu a mãe e não consegue se ajustar às inúmeras casas de acolhimento porque já passou.

Primeiro, conhecemos o menino Thaddeus, que mais adiante ira se transformar no vilão Dr. Silvana. Tanto Thaddeus quanto Billy tiveram um encontro com um mago, só que apenas aquele de alma pura e coração bom teria a sabedoria de Salomão, a força de Hércules, a resistência de Atlas, o poderes de Zeus, a coragem de Aquiles e a velocidade de Mercúrio. Como Silvana era mal, ele só absorveu o que tinha de ruim na caverna do mágico: os sete pecados capitais.

Com diálogos hilários, personagens cativantes (toda os irmãos de postiços de Billy, especialmente Freddy) e um super-herói originalíssimo – um menino de 14 anos, que vira superpoderoso quando recebe um raio –, Shazam! consegue a façanha de manter a plateia atenta do começo ao fim do filme. Além da trama redondinha, os atores – a maioria novatos – foram muito bem escolhidos, a começar por Zachary Levi (Shazam), Asger Angel (Billy), Mark Strong (Dr. Silvana) e Jack Dylan Grazer (o falastrão Freddy).


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