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CAOS POLÍTICO NA ILHA DO RETIRO

Dirigentes ignoram estatuto e o Sport vive caos político

Sport vive uma crise política grave e que atormenta o clube desde o ano passado

Marcelo Cavalcante
Marcelo Cavalcante
Publicado em 17/06/2021 às 15:04
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ARNALDOCARVALHO/JC IMAGEM
Sport vive caos político. - FOTO: ARNALDOCARVALHO/JC IMAGEM
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Nesses tempos difíceis de pandemia do novo coronavírus, o Brasil vive uma reviravolta em suas instituições. Quem está no poder, sente-se superior ao ponto de ser dono da verdade, dono do pensamento das pessoas. Os que estão no trono não se importam em mentir. Até porque, para eles, a mentira não mais existe. Eles mudam a ordem, falam o lhe convém, tornam isso uma verdade absoluta e quem discorda é o mentiroso. As regras são apagadas e refeitas como passe de mágica. A massa, anestesiada, aceita.

E os descontentes ecoam sua ira para o vazio. Isso me lembra muito duas obras literárias geniais: Revolução dos Bichos (que já li e quero muito reler) e 1984 (estou finalizando a leitura). Fazendo um resumo rápido sobre o que falam esses livros escritos por George Owell, o mundo se divide em quem tem o poder e os que estão no mundo apenas para obedecer, aceitar e se calar.

No mundinho do futebol pernambucano, o Sport Club do Recife parece ser o cenário das obras de Orwell. O que aconteceu na reunião virtual do conselho deliberativo, na noite da última quarta-feira, é pura prova de quem está no poder não quer sair dele. Rasgam regras, criam regras, impõem pensamentos e não estão nem ai para o que os sócios que clamam. Mas a situação absurda no Sport vem de antes. Ou alguém esqueceu como aconteceu o processo eleitoral do Sport? O personagem principal disso tudo? Milton Bivar.

É lamentável que Milton, com uma vasta lista corrida de serviços prestados pelo clube, tenha tomado tantas atitudes equivocadas pelo simples fato de estar no poder. Pediu licença quando a situação do Sport estava complicada, voltou quando o Leão se garantiu na Série A, adiou a eleição até quando pode, aliou-se a uma torcida organizada, tomou posse e, 60 dias depois, do nada, divulga a renúncia do cargo. Seguido pelo seu vice, Carlos Frederico. Como se dissesse: "Tchau, vou embora e vocês que se virem". Simples assim.

A reunião do conselho deliberativo para decidir o futuro do clube foi simplesmente estarrecedora. Volto a dizer: ESTARRECEDORA. O clube terá o presidente do conselho, Pedro Lacerda, como interino por 90 dias. Não, amigos. Isso não é o certo. O clube precisa de uma eleição imediata. E essa eleição tem que ser direta. Ou seja, o sócio é quem tem que decidir quem vai comandar o abandonado Leão a partir de então. Não pode ser diferente. E se for, está infringindo às normas do clube.

Mas quem está no Sport não quer saber da ordem. Duvidam? Basta ouvir um áudio que está circulou pelas redes sociais em que um dirigente deixa claro que é preciso fazer manobra para que outros postulantes ao cargo não vençam a eleição. Se fala isso, mostra que o processo eleitoral do Sport foi e é deplorável. E mais: quem garante que, após 90 dias, haverá a eleição?

Segunda tem nova reunião virtual do conselho para decidir se a eleição deve ser direta ou indireta. Mais um jogo de cena. Porque o estatuto é claro, prevê eleição direta, com o sócio escolhendo o presidente. Porém, quem no clube quer saber o que está escrito no estatuto se pode ser modificando ao bel prazer. A regra é de quem manda, de quem pode. Quem está de fora tem que engolir. Deve ser assim que pensam os poderosos.

Nessa confusão toda, o Sport, a instituição, fica em segundo plano para aqueles que dizem amar o clube. E eu fico aqui imaginando o que deve estar pensando o agora ex-presidente Milton Bivar. Voltou à cena para causar toda essa confusão. Deixou o clube à deriva. Até porque, pelo que percebi, a sua decisão de renunciar ao cargo surpreendeu até mesmo os seus asseclas.

Para quê, então, entrou na disputa eleitoral no ano passado que se arrastou até a atual temporada? Não há quem não pense o contrário: é a briga do poder pelo poder. Com uma dose generosa de anarquia. Em todos os anos que acompanho o processo político dos clubes pernambucanos, nunca vi nada parecido com o que está acontecendo com o Sport. Um escândalo que, para quem respira a atmosfera da Ilha do Retiro, não há o que reclamar. Afinal, a ordem é de quem manda.

 

 

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