A derrota do Sport para o Palmeiras, por 1x0, na Ilha do Retiro, não surpreende. Há uma realidade nua e crua que é impossível fugir: o Alviverde tem uma equipe infinitamente superior tecnicamente do que o Leão. Não só os onze titulares, mas também o elenco. O time paulista tinha opções no banco de reservas que dá dinâmica o futebol da equipe. O Rubro-negro é justamente o contrário. Os titulares já não agradam faz tempo. E os reservas, quando entram na equipe, pioram a situação. Então, o placar foi magro diante dessa superioridade. Sendo a derrota algo normal, o que faz esse revés incomodar tanto? Simples: a apatia da equipe. Um grupo sem brilho que faz o Sport estagnar no Brasileiro e sentir o cheiro da zona de rebaixamento.
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Nesse Brasileirão, o Sport só conseguiu uma vitória. Contra o Grêmio, por 1x0. Um triunfo até surpreendente diante da tradição do Tricolor gaúcho. Mas, que no momento, está na lanterna da competição. E para lembrar, a vitória aconteceu numa falta do tão sempre criticado Sander. A conquista também valeu da raça da equipe. Raro momento. Assim, como foi no empate contra o Inter-RS, em Porto Alegre, e o 0x0 contra o Santos (mas esse jogo foi mais incompetência do Peixe do que qualquer outra coisa). E só. Foram os únicos momentos em que o Sport mostrou empenho, vontade e disposição para superar suas limitações. Nas demais partidas, o que se vê é um bando de atletas correndo não se sabe para onde e com a frieza de time que parece desinteressado nos jogos.
O atual elenco rubro-negro tem suas estrelas. Tiago Neves, que foi contratado para ser o dono do meio de campo, o que chamaria a responsabilidade dentro de campo, e André, que ao anunciar seu retorno para a Ilha do Retiro, foi celebrado pela torcida. Mas é impressionante como parecem estar com o freio de mão puxado. Neves corre como se estivesse treinando, trotando na avenida Boa Viagem. E André, hein? Se a bola não chega, o atacante não faz por onde ter a bola nos seus pés. Numa partida como essa contra o Palmeiras, ele praticamente não finalizou. Como pode? Nesse Sport que disputa o Brasileirão não se vê indignação quando perde, nem fome de vitória e nem empolgação quando vence. Time sem alma.
Se falta qualidade técnica à equipe e os jogadores não procuram motivação para superar as deficiências, avaliemos quem comanda o futebol. O técnico Umberto Louzer já demonstra não saber o que fazer. Já fez diversos testes no time. Mas não vem surtindo efeito. A diretoria, bem... Em situação parecida. Segundo informações, os salários estão atrasados. E os dirigentes estão com a atenção voltadas às eleições do clube que acontece no próximo dia 15. Sim, o ano já está pela metade e o Sport está sem presidente. Fica claro que cobrança não existe. Na derrota para o Fortaleza, o zagueiro Maidana meteu a mão na bola como se fosse jogador de vôlei ou basquete, menos de futebol. O Sport perdeu a partida por causa desse lance. E o atleta nem se explicou pelo que fez. Aconteceu, perdeu, passou e fica por isso mesmo. Recentemente, Patric foi afastado do elenco por um ato de indisciplina. E foi reintegrado de uma hora para outra sem nenhum tipo de explicação.
Sem comando, ninguém sabe para onde vai. E o barco sai à deriva. O Sport segue assim no Campeonato Brasileiro. Clube rachado politicamente, diretoria que deixa correr solto até que se defina o novo presidente, treinador sem saber o que fazer e elenco que está entrando em campo sem a motivação necessária para disputar um Brasileirão que exige muito mais do que o Sport vem apresentando.