CINEMA

Kleber Mendonça Filho fala de Bacurau, selecionado para Cannes

Codirigido por Juliano Dornelles, o longa-metragem irá representar o Brasil no festival de cinema considerado o maior do mundo

Ernesto Barros
Ernesto Barros
Publicado em 19/04/2019 às 13:33
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Victor Jucá/Divulgação
Codirigido por Juliano Dornelles, o longa-metragem irá representar o Brasil no festival de cinema considerado o maior do mundo - FOTO: Victor Jucá/Divulgação
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Nada melhor do que um dia com uma noite no meio para tudo melhorar. Para o cineasta pernambucano Kleber Mendonça Filho, a quinta-feira (18/4) foi de alegria e fé renovada, com a notícia de que Bacurau, seu filme mais novo, feito em parceria com Juliano Dornelles, está na disputa pela Palma de Ouro do 72º Festival de Cannes, que acontece a partir de 14 de maio. É a segunda vez que o cineasta representa o Brasil no festival francês, o mais importante do mundo. Em 2016, o longa Aquarius, protagonizado por Sonia Braga, ficou entre mais importantes daquele ano.

Vários cineastas que participaram da 69ª edição do festival, ao lado de Kleber, vão se encontrar mais uma vez na sessões de gala do Palais du Festival, na Croisette, como Pedro Almódovar, os irmãos Dardenne, Xavier Dolan, Jim Jarmusch e Ken Loach, além de Terrence Malick, Marco Bellocchio, Bong Joon-ho e Elia Suleiman. Alguns desses cineastas, que Kleber conheceu em seus tempos de crítico de cinema do Jornal do Commercio, tiveram importância em sua formação cinematográfica. “Tenho um orgulho muito grande de participar de um festival com esses nomes, que fazem parte da minha educação, e dentre esses Elia Suleiman teve um impacto muito grande com Intervenção Divina, em 2002, que aparece nos meus próprios filmes, com certeza em O Som ao Redor. É muito tocante está na mesma competição que Suleiman, que é um cineasta que talvez não seja tão conhecido, mas que é muito importante para mim”, afirmou Kleber por telefone, de Paris, onde está há cerca de um mês finalizando a mixagem de Bacurau, ao lado de Juliano Dornelles e de dois técnicos de som, o brasileiro Ricardo Cutz e o francês Cyril Holtz.

Segundo Kleber, a primeira vez que ele e Juliano discutiram a ideia de Bacurau foi no Festival de Brasília, em 2009, quando levaram o curta Recife Frio para lá. “Foi um ano especial, com uma recepção incrível e muito forte. Já são quase 10 anos e não teve um dia que a gente não estivesse junto escrevendo Bacurau. Tivemos outros projetos, como O Som ao Redor e Aquarius, e Bacurau amadureceu bastante. A gente está muito empolgado e feliz com o filme, que mobilizou 800 pessoas entre a equipe profissionais e terceirizados, gente de outros países e do Sertão do Seridó, no Rio Grande do Norte, de São Paulo, Porto Alegre, Recife, Belo Horizonte, João Pessoa, Fortaleza, Salvador, Brasília e Curitiba”, elenca o cineasta.

Como sempre, Kleber é muito reticente em explicar a trama dos seus filmes. De acordo com a sinopse, Bacurau “é um western brasileiro, um filme de aventura e ficção científica, que se passa daqui a alguns anos... “Para mim, os melhores filmes, os melhores livros e as melhores obras de expressão artística são objetos voadores não identificados ou objetos não identificados. Eu não gosto de adiantar muitos detalhes e informações porque acho que é muito importante que o cinéfilo, o crítico, e as pessoas que vão ver o filme tenham sua própria opinião em relação ele. Por isso que a gente divulgou muito pouco sobre exatamente do que se trata o filme”, comentou.

TCU

Kleber falou também sobre a notícia publicada na última quarta-feira, de que teve o terceiro e último recurso negado pelo governo federal no caso que aponta irregularidades na captação de recursos do longa O Som ao Redor, produzido em 2010 e lançado comercialmente em janeiro de 2013. “Essa matéria saiu 12 horas antes da divulgação oficial da seleção de Bacurau no festival . Eu não sou o primeiro nem serei o último artista a ser perseguido e atacado por pessoas que ocupam posições temporária de poder. A gente vai agora seguir no processo da justiça, chegar no Tribunal de Contas da União e provar que, basicamente, esse processo não faz o absolutamente o menor sentido, que é um escândalo e uma vergonha”, garantiu.

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