El Niño pode ser o mais forte dos últimos 50 anos

O atual fenômeno climático tem características parecidas com os registrados em 58 e 98 que provocaram grandes estiagens
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Publicado em 05/09/2015 às 8:00
O atual fenômeno climático tem características parecidas com os registrados em 58 e 98 que provocaram grandes estiagens Foto: Igo Bione/ Arquivo/ JC Imagem


 fenômeno climático El Niño em formação está sendo comparado com os dois mais fortes dos últimos 50 anos. “O atual tem características parecidas com o El Niño registrado em agosto de 58 e agosto de 98. Quando o El Niño é forte atinge duas estações chuvosas. Se essas previsões se confirmarem, ele chegará até o final de março de 2016 e a consequência maior é de ter mais uma seca”, conta o gerente de Meteorologia e Mudanças Climáticas da Agência Pernambucana de Águas e Climas (Apac), Patrice Oliveira. 

O El Niño é provocado pelo aquecimento das águas do Pacífico e pela redução dos ventos alísios na região equatorial. Ele afeta o clima com as mudança nas correntes atmosféricas. No Brasil, geralmente causa estiagens no Nordeste e chuvas intensas na Região Sudeste. 

A probabilidade do El Niño permanecer até o período chuvoso do Sertão pernambucano (janeiro a abril) é maior que 80%, segundo um boletim emitido pelo Apac em agosto último. A agência vem monitorando o comportamento do El Niño desde maio deste ano. O site da agência (www.apac.pe.gov.br) traz boletins sobre o fenômeno e a estiagem em Pernambuco. As informações são enviadas as secretarias estaduais mensalmente. A única dúvida, de acordo com Patrice, é sobre a intensidade do El Niño em 2015/2016. Ele argumenta que essa intensidade pode mudar, dependendo de algumas variáveis, como por exemplo a temperatura no Oceano Atlântico Sul.

O El Niño de 1998 foi tão severo que a estiagem chegou a atingir a Zona da Mata, fazendo muitos produtores da Mata Norte perderem parte dos seus canaviais. 

“O grande problema é o passivo das secas. Desde 2011, as chuvas estão abaixo da média histórica em todo o Estado. Viemos de uma seca severa em 2012 que provocou o colapso das barragens no semiárido”, conta. E complementa: “Vivemos numa região semiárida. As chuvas variam muito . São cinco anos de seca e a única iniciativa que pode minimizar esse sofrimento é a transposição das águas do Rio São Francisco”. 

A transposição consiste na construção de dois grandes canais: os eixos Leste e Norte. O primeiro começa em Floresta e vai até Monteiro, na Paraíba. O segundo capta a água em Cabrobó e vai até o Ceará. Eles vão levar a água para municípios de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. O projeto está atrasado e a última previsão de sua conclusão ficou para 2017.

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