Antônio Campos dispara novas críticas contra cúpula do PSB

Ele acusa setores do governo Paulo Câmara de conivência com perseguições
JC Online
Publicado em 14/02/2017 às 8:38
Ele acusa setores do governo Paulo Câmara de conivência com perseguições Foto: Fernando da Hora/JC Imagem


Depois de anunciar a saída do Partido Socialista Brasileiro, o advogado Antônio Campos, irmão do ex-governador Eduardo Campos  e candidato derrotado nas eleições para prefeito de Olinda, disparou nesta segunda (13/2) novos ataques contra a cúpula estadual do PSB. O alvo principal são Romero Pontual, ex-presidente do Centro de Abastecimento e Logística de Pernambuco (Ceasa), e “setores ligados” ao governo Paulo Câmara, acusados de conivência e  incentivo a atos ilegais, como “arapongagem” que teriam sido praticados contra ele.  

Campos, que pode sair candidato a deputado federal em 2018, quer a Polícia e o Ministério Público Federais no caso, já denunciado à Polícia Civil. De acordo com o advogado, “Romero Pontual liderou um esquema, em sintonia com outras forças”, para tentar denegrir a imagem dele. “Desde julho de 2016, há um inquérito aberto sobre ameaças que venho recebendo de diversas formas. Recentemente, uma das pessoas que ele quis utilizar nessa armação arrependeu-se e me entregou conversas gravadas entre ele e essa pessoa que comprova todo ardil. Grampo ilegal, cooptação de funcionários e ex-funcionários para obtenção de informações, ameaças por carta e por celular, entre outras”. 

Em nota de esclarecimento enviada ao Blog de Jamildo e depois remetida à Editoria de Política do JC, reforça que a desfiliação do PSB deve-se a “fatos ocorridos na eleição de Olinda e que ainda continuam a ocorrer, de discriminação e perseguição sistemática”. 

“Tenho o dever e a responsabilidade de informar a sociedade pernambucana e brasileira, bem como às autoridades constituídas, práticas ilegais e anti-democráticas que venho sofrendo, com a conivência ou mesmo o incentivo de setores ligados a atual gestão do Governo do Estado de Pernambuco, o que revelarei nos autos do inquérito investigativo, cuja abertura se deu em julho de 2016, sendo o áudio anexo, uma mínima amostra”, escreveu.

No áudio de dez segundos, uma voz masculina, que segundo o advogado seria de Romero Pontual, diz: “Santiago, fecharam todas as porteiras para o nosso gordinho”. Antônio Campos afirma que “a lei irá prevalecer contra a truculência e as intimidações, que um verdadeiro Campos/Arraes jamais se curvará”. E acrescenta: “tais práticas constituem uma grave violação aos meus direitos individuais e do meu núcleo familiar ameaçado e agredido”.

O neto de Miguel Arraes diz ter diversas provas. “Juntei uma parte no inquérito. A outra, estou periciando”. Para Campos, Pontual adotou a prática “para servir às forças que o beneficiam”. E diz : “O mundo político e empresarial o conhece.” À polícia, contou  que o ex-presidente da Ceasa pode  ser localizado na “Casa de Farinha, que diz ser do seu filho” e “é citado   em alguns procedimentos e investigações no Estado, que  merecem ser melhor aclaradas”. Romero Pontual é agropecuarista, foi presidente da Ceasa nos dois governos de Eduardo Campos. Chegou a receber a Medalha do Mérito José Mariano, da Câmara de Vereadores do Recife, por ter contribuído com o desenvolvimento.

PSB atribui crítícas a inconformismo com derrota de outubro

O diretório estadual do Partido Socialista Brasileiro (PSB) atribuiu as denúncias e críticas de Antônio Campos ao “inconformismo com a derrota na eleição de Olinda em 2016”. 

Por nota, disse que estava vindo a público “ para declarar que, embora não tenha recebido nenhuma notificação, considera um fato natural o pedido de desfiliação do advogado Antônio Campos, direito líquido e certo de qualquer militante, de integrar este ou outro partido de sua preferência.”

As críticas e denúncias foram consideradas “ataques e insinuações”.

O ex-presidente da Central de Abastecimento e Logística do Estado (Ceasa), Romero Pontual, não foi encontrado pela reportagem do JC para comentar as denúncias feitas por Antônio Campos. 

O governo do Estado também não se pronunciou sobre a fala do neto de Miguel Arraes e único irmão de Eduardo Campos. Deixou que a resposta oficial ao caso fosse dada pelo PSB.

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