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Pernambuco tem três rodovias entre as dez piores do País

Para recuperar a malha rodoviária avaliada pela CNT em Pernambuco seriam necessários investimentos na ordem de R$ 1,52 bilhão

Roberta Soares
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Roberta Soares
Publicado em 02/12/2021 às 16:35 | Atualizado em 03/12/2021 às 16:19
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As rodovias pernambucanas mais mal avaliadas na pesquisa ficam no Agreste, Sertão e Zona da Mata Sul do Estado - FOTO: FILIPE JORDÃO/JC IMAGEM
Leitura:

Mais uma vez, Pernambuco teve destaque negativo na Pesquisa Rodoviária da Confederação Nacional de Transportes (CNT) 2021, tradicional levantamento do segmento rodoviário realizado desde 1995. O Estado teve três rodovias estaduais classificadas no ranking das piores do País, avaliadas como péssimas. Foi o segundo Estado nordestino a figurar na lista das piores. Além de Pernambuco, a Bahia aparece com uma rodovia. Nenhum outro Estado nordestino teve avaliações tão ruins. Os resultados são divulgados quando o governo de Pernambuco finaliza o pacote de concessões rodoviárias no valor de R$ 2,2 bilhões - com previsão de ter a licitação pública lançada no primeiro trimestre de 2022 - e em meio a investimentos na infraestrutura rodoviária no valor de R$ 2 bilhões dentro do Programa Caminhos de Pernambuco e o Plano Retomada.

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As rodovias pernambucanas mais mal avaliadas na pesquisa foram, por ordem, a PE-177, que liga Quipapá a Garanhuns, no Agreste do Estado; a PE-545, entre Exu e Ouricuri, no Sertão do Araripe; e a PE-096, que liga Palmares a Barreiros, na Zona da Mata Sul do Estado. Todas receberam uma avaliação geral péssima. Foram avaliados o pavimento, a sinalização e a geometria da via. São levadas em conta, respectivamente, variáveis como condições do pavimento, placas e alguns elementos da via, como as curvas.

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As rodovias foram: PE-177, que liga Quipapá a Garanhuns, no Agreste do Estado; a PE-545, entre Exu e Ouricuri, no Sertão do Araripe; e a PE-096, que liga Palmares a Barreiros, na Zona da Mata Sul do Estado - FILIPE JORDÃO/JC IMAGEM

É preciso ponderar que a Pesquisa CNT percorre trechos dessas rodovias. No caso das três PEs, foram avaliados 55 quilômetros da PE-177, 76 quilômetros da PE-545 e outros 50 quilômetros da PE-096. Outro aspecto a ser considerado é que a malha rodoviária pernambucana é infinitamente menor do que a baiana. Enquanto a Bahia tem 124.545 km entre rodovias federais, estaduais e municipais, Pernambuco possui menos de 15 mil quilômetros.

DETALHAMENTO

Para recuperar a malha rodoviária avaliada pela CNT em Pernambuco seriam necessários investimentos na ordem de R$ 1,52 bilhão. De forma geral, o Estado tem 72,2% da malha rodoviária pavimentada com problemas e avaliados como regular, ruim e péssimo. Menos de 30% da malha foram considerados bons ou ótimos. Quase 50% das rodovias pesquisadas têm problemas no pavimento e a sinalização viária segue sendo uma das principais ausências das rodovias em Pernambuco: 85,6% da extensão da malha rodoviária da região são consideradas regulares, ruins ou péssimas.

Confira a pesquisa na íntegra AQUI e detalhes AQUI

A geometria (traçado) é outro problema: 67,4% da extensão da malha rodoviária do Estado apresentam algum tipo de problema e 32,6% estão ótimas ou boas. As pistas simples predominam em 84,0%. Falta acostamento em 33,6% dos trechos avaliados e 86,1% dos trechos com curvas perigosas não têm sinalização.

O RANKING DAS DEZ PIORES RODOVIAS DO PAÍS:

REPRODUÇÃO
Pesquisa CNT 2021 - REPRODUÇÃO

Dados gerais da malha rodoviária de Pernambuco, segundo a Pesquisa CNT:

1. Estado Geral: 72,2% da malha rodoviária pavimentada avaliada do estado apresentam algum tipo de problema, sendo consideradas regulares, ruins ou péssimas; e 27,8% da malha são consideradas ótimas ou boas.

2. Pavimento: 43,3% da extensão da malha rodoviária do estado avaliada apresentam problemas; 56,7% estão em condição satisfatória; e 1,0% está com o pavimento totalmente destruído.

3. Sinalização: 85,6% da extensão da malha rodoviária da região são consideradas regulares, ruins ou péssimas; 14,4%, ótimas ou boas; 14,6% da extensão está sem faixa central e 31,2% não têm faixas laterais.

4. Geometria da via (traçado): 67,4% da extensão da malha rodoviária do estado apresentam algum tipo de problema e 32,6% estão ótimas ou boas. As pistas simples predominam em 84,0%. Falta acostamento em 33,6% dos trechos avaliados e 86,1% dos trechos com curvas perigosas não têm sinalização.

5. Pontos críticos: a pesquisa identifica 50 no Estado (42 trechos com buracos maior que um pneu).

6. Custo operacional: as condições do pavimento no estado geram um aumento de custo operacional do transporte de 26,1%. Isso reflete na competitividade do Brasil e no preço dos produtos.

7. Investimentos necessários: para recuperar as rodovias em Pernambuco, com ações emergenciais, de manutenção e de reconstrução, são necessários R$ 1,52 bilhão.

8. Meio ambiente: em 2021, estima-se que haverá um consumo desnecessário de 23,3 milhões de litros de diesel devido à má qualidade do pavimento da malha rodoviária no estado. Esse desperdício custará R$ 102,50 milhões aos transportadores.

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Todas receberam uma avaliação geral péssima. Foram avaliados o pavimento, a sinalização e a geometria da via - FILIPE JORDÃO/JC IMAGEM

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Na edição 2021 da Pesquisa, todas as cinco regiões do Brasil foram percorridas, durante 30 dias (28 de junho a 27 de julho), por 21 equipes de pesquisadores.

AÇÕES PROMOVIDAS PELO GOVERNO DE PERNAMBUCO

O governo de Pernambuco destaca que vem investindo na infraestrutura rodoviária do Estado com o Programa Caminhos de Pernambuco e o Plano Retomada. “Lançado em maio de 2019 pelo governador Paulo Câmara, o Programa Caminhos de Pernambuco trata de uma ação voltada para a reestruturação da malha viária. Inicialmente, o planejamento integrado que embasou o plano contou com R$ 505 milhões de recursos para a iniciativa. No entanto, o governo atuou no sentido de ampliar esse valor e irá investir, dentro do Plano Retomada, R$ 2 bilhões apenas para a melhoria da infraestrutura viária. O foco é fortalecer a logística e impulsionar a economia, a partir da geração do emprego e renda.

Até o momento, o governador Paulo Câmara já autorizou mais de R$ 1,7 bilhão de investimentos na área de infraestrutura viária, contemplando projetos e obras voltados para a requalificação de rodovias dentro do Programa. Os aportes anunciados vão beneficiar 2.270 quilômetros de rodovias em todas as regiões do Estado, o que representa a reconstrução total de metade da malha viária estadual pavimentada.

Atualmente, o Programa investe cerca de R$ 770 milhões para a requalificação de quase 800 quilômetros de rodovias. Desse total, R$ 170 milhões correspondem às obras concluídas, com a reestruturação de 203 quilômetros; e R$ 600 milhões às obras em andamento, o que representam 596 quilômetros de rodovias. Entre as intervenções em andamento, pode-se mencionar a PE-17, em Jaboatão dos Guararapes; PE-18, PE-88, Salgadinho/João Alfredo; Abreu e Lima; PE-99, Água Preta; PE-170, Lajedo/Canhotinho; PE-265, em Sertânia; PE-270, Buíque; PE-365, Serra Talhada/Triunfo; PE-499, Terra Nova/Cabrobó; PE-576, Ipubi/Trindade; PE-550, Santa Maria da Boa Vista, entre outras”.

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