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Sobe para três o número de mortes pelo novo coronavírus em Pernambuco

Uma das vítimas é um canadense de 79 anos, que chegou ao Recife através do navio bahamenho atracada no porto da cidade

Cinthya Leite
Cinthya Leite
Publicado em 26/03/2020 às 11:38
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TIÃO SIQUEIRA/JC IMAGEM
Canadense de 79 anos, que foi a óbito em decorrência do novo coronavírus, chegou ao Recife no dia 12, no navio de cruzeiro Silver Shadow - FOTO: TIÃO SIQUEIRA/JC IMAGEM
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Subiu para três o número de mortes em decorrência do novo coronavírus em Pernambuco. A informação foi confirmada, nesta quinta-feira (26), pela Secretaria Estadual de Saúde (SES). Uma das vítimas é um canadense de 79 anos, que chegou ao Recife através do navio bahamenho atracado no porto da cidade. Ele estava internado no Real Hospital Português (RHP), no bairro de Paissandu, área central do Recife. O outro paciente que foi a óbito é um morador do Recife, de 69 anos, que também estava no RHP. Ambos foram notificados no dia 12 de março. Até a quarta-feira (25), Pernambuco confirmou 46 casos de covid-19. Um novo boletim será divulgado na tarde desta quinta-feira (26).

Durante o desembarque no dia 12, o canadense passou mal, e o Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) Metropolitano do Recife foi acionado. Ao chegar ao local, a equipe médica do Samu verificou que o mesmo apresentava febre e sintomas respiratórios (tosse e dificuldade de respirar), encaixando-se como um caso suspeito para covid-19. O paciente era ex-fumante e tinha problema cardíaco. Ao chegar ao RHP, ele foi entubado e levado à unidade de terapia intensiva (UTI).

O canadense foi mantido em ventilação mecânica e hemodiálise, fazendo também uso de medicamentos, como o antiviral oseltamivir (tamiflu), indicado para tratar influenza em pessoas com quadro de síndrome respiratória aguda grave (srag). Também foi utilizada a combinação entre azitromicina e hidroxicloroquina. O paciente faleceu na madrugada desta quinta-feira (26). 

O outro paciente que foi a óbito também é um idoso, 69 anos, morador do Recife, hipertenso e com histórico de viagem para Portugal e Itália. Ele havia retornado ao Estado em 10 de março. Dois dias depois, ele foi atendido em uma unidade de saúde privada, apresentando febre e alteração na ausculta pulmonar. Após receber a assistência e fazer a coleta de material para análise laboratorial, foi liberado para isolamento domiciliar.

No dia 19 de março, o paciente de 69 anos buscou outra emergência de um serviço privado (Real Hospital Português) com dispneia e insuficiência respiratória. Na ocasião, foi entubado e levado à UTI. No último dia 21, iniciou diálise. Na segunda (23), apesar da gravidade, estava sem febre e sem a necessidade do uso de drogas vasoativas. Na última quarta (25), ele teve uma piora da função renal. Durante a internação, utilizou antibiótico e também a combinação entre azitromicina e hidroxicloroquina. Não tinha indicação para uso do oseltamivir. Também foi a óbito na madrugada desta quinta-feira (26).

Primeiro caso 

Trata-se de um homem de 85 anos, morador do Recife, que faleceu na manhã da última quarta-feira (25). No dia 19 deste mÊs, o paciente foi atendido em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), com um quadro de febre, tosse seca, dispneia (dificuldade de respirar) e dor toráxica. O paciente recebeu a devida assistência na UPA, onde foi entubado e, em seguida, transferido para a UTI do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), no bairro de Santo Amaro, área central do Recife. No hospital, foi iniciado tratamento medicamentoso, com antibiótico e com o antiviral oseltamivir (tamiflu), indicado para tratar influenza em pessoas com quadro de srag.

Apesar de o idoso apresentar melhora no quadro respiratório e infeccioso, pelo histórico de comorbidade (doença preexistente), ele uma piora na função renal, sendo necessário iniciar, na última terça-feira (24), diálise, considerada um procedimento de risco para pessoas acima dos 80 anos. Na manhã da última quarta (25), durante a sessão de diálise, o homem teve uma parada cardiorrespiratória. Apesar das tentativas de reanimação pela equipe médica, o ele faleceu durante a manhã.

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O que é coronavírus?

Coronavírus é uma família de vírus que causam infecções respiratórias. O novo agente do coronavírus foi descoberto em 31/12/19 após casos registrados na China.Os primeiros coronavírus humanos foram isolados pela primeira vez em 1937. No entanto, foi em 1965 que o vírus foi descrito como coronavírus, em decorrência do perfil na microscopia, parecendo uma coroa.

A maioria das pessoas se infecta com os coronavírus comuns ao longo da vida, sendo as crianças pequenas mais propensas a se infectarem com o tipo mais comum do vírus. Os coronavírus mais comuns que infectam humanos são o alpha coronavírus 229E e NL63 e beta coronavírus OC43, HKU1.

Como prevenir o coronavírus?

O Ministério da Saúde orienta cuidados básicos para reduzir o risco geral de contrair ou transmitir infecções respiratórias agudas, incluindo o coronavírus. Entre as medidas estão:

  • Lavar as mãos frequentemente com água e sabonete por pelo menos 20 segundos, respeitando os 5 momentos de higienização. Se não houver água e sabonete, usar um desinfetante para as mãos à base de álcool.
  • Evitar tocar nos olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas.
  • Evitar contato próximo com pessoas doentes.
  • Ficar em casa quando estiver doente.
  • Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar com um lenço de papel e jogar no lixo.
  • Limpar e desinfetar objetos e superfícies tocados com freqüência.
  • Profissionais de saúde devem utilizar medidas de precaução padrão, de contato e de gotículas (mascára cirúrgica, luvas, avental não estéril e óculos de proteção).

Para a realização de procedimentos que gerem aerossolização de secreções respiratórias como intubação, aspiração de vias aéreas ou indução de escarro, deverá ser utilizado precaução por aerossóis, com uso de máscara N95.

Confira o passo a passo de como lavar as mãos de forma adequada

 

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