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Pico das doenças respiratórias entre crianças faz emergências e leitos de UTI de hospitais privados chegarem ao limite em Pernambuco

Casos de síndrome respiratória aguda grave (srag) em crianças têm sido provocados especialmente pelo rinovírus e vírus sincicial respiratório (VSR)

Cinthya Leite
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Cinthya Leite
Publicado em 19/05/2022 às 18:41 | Atualizado em 20/05/2022 às 9:49
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Real Hospital Português diz, em nota, que "em relação à quantidade de leitos de enfermaria e UTI, estamos com as vagas ocupadas em quase sua totalidade" - FOTO: JAILTON JR./JC IMAGEM
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Em Pernambuco, os casos de síndrome respiratória aguda grave (srag) em crianças, provocados especialmente pelo rinovírus e vírus sincicial respiratório (VSR), atingem o pico, o que tem levado a uma superlotação nas emergências não apenas de unidades da rede pública, mas também de hospitais privados

Médicos, demais profissionais de saúde e entidades de classe têm ressaltado constantemente que está difícil conseguir um leito, seja em apartamento ou em terapia intensiva (UTI) de serviços privados, para acomodar crianças que precisam de suporte especializado. Nos consultórios de pediatria, a demanda também está intensa e aumenta dia após dia.

Famílias também têm entram em contato com a reportagem do JC para relatar o que têm vivido com as crianças doentes nos hospitais privados. "Está muito difícil... Infelizmente... Vivi situações bem difíceis semana passada, até sábado (14 de maio) com minha pequena. Foi muito angustiante a busca por atendimento. Todas as urgências lotadas", desabafou a mãe de uma menina em idade escolar. 

No Real Hospital Português (RHP), no bairro de Paissandu, área central do Recife, os setores dedicados ao atendimento das crianças sentem a pressão decorrente do cenário de gravidade por doenças respiratórias, na faixa etária infantil, que não ocorria desde 2009. Naquele ano, vivenciamos o surto provocado pelo H1N1 - uma nova cepa do vírus influenza A responsável por causar pandemia de gripe espanhola que assolou o mundo entre os anos de 1918 e 1920. Só agora, depois de 13 anos, as crianças são acometidas com a mesma intensidade. 

Em nota, mas sem falar em números absolutos, a assessoria de comunicação do RHP informa que a emergência pediátrica da unidade dobrou a capacidade de atendimentos, em comparação ao mesmo período de sazonalidade de infecções respiratórias em 2021. "Em relação à quantidade de leitos de enfermaria e UTI, estamos com as vagas ocupadas em quase a sua totalidade", diz. 

A mensagem transmitida pelo RHP ilustra o quanto a rede privada enfrenta a mesma superlotação de pacientes da rede pública que permanecem nas emergências aguardando transferências para vagas de terapia intensiva (UTI) e enfermaria. "Ninguém está sem assistência", garantiu o secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo. 

Sintomas e cuidados

Em crianças pequenas, de até 2 anos de idade, o vírus sincicial respiratório (VSR), um dos principais agentes de uma infecção aguda nas vias respiratórias, corresponde a mais de 40% dos quadros. E, nas crianças maiores, o rinovírus corresponde a 20% dos casos na faixa etária entre 3 e 5 anos e 66% nas crianças entre 6 e 9 anos.

"A maioria dos casos faz infecções leves, com tosse, coriza e febre baixa, com uma resolução de três a cinco dias. No entanto, mesmo não sendo uma característica em todos os casos, há quadros de maior gravidade. Indicamos que, se possível, evitem neste momento lugares fechados e com aglomeração", destaca o pediatra Eduardo Jorge da Fonseca Lima, vice-presidente da Sociedade de Pediatria de Pernambuco (Sopepe).

Também representante da Regional Pernambuco da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), o médico recomenda medidas essenciais para reduzir a transmissibilidade dos vírus, como a lavagem das mãos e das narinas com soro fisiológico.

"Só é necessário procurar as grandes emergências pediátricas em casos mais graves, quando houver algum sintoma mais persistente, como febre de três a cinco dias e desconforto respiratório. Inicialmente, as famílias devem procurar as unidades básicas de saúde", orienta Eduardo Jorge. A expectativa, segundo o pediatra, é que, em junho, o número de casos respiratórios comece a reduzir, o que ajuda a desafogar o sistema de saúde.

De acordo com André Longo, na sazonalidade das doenças respiratórias de 2021, o Estado registrava, em média, 53 solicitações por leitos de UTI infantis (públicos) por semana. Na semana passada, foram 150 – número três vezes maior. A alta na demanda por internações envolvendo crianças e o aumento no fluxo de atendimentos pediátricos têm relação direta com a maior exposição das crianças aos diversos vírus.

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