Tecnologia e Inovação, com Guilherme Ravache

Tecnologia e Inovação

Por Guilherme Ravache
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CONTRA O PRECONCEITO

Google vai melhorar fotos de tons de pele escuros para ser mais inclusivo

Algoritmo irá aprimorar registro de tons de pele escuros e estilos de cabelo naturais; esse é mais um exemplo dos preconceitos históricos no mundo da tecnologia

Guilherme Ravache
Guilherme Ravache
Publicado em 19/05/2021 às 12:00
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No passado, o Google já teve sérios problemas com preconceito racial em seus algoritmos. - FOTO: pixabay
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Você pode até não se dar conta, mas muitas tecnologias atuam de maneira silenciosa perpetuando preconceitos. Da câmera do seu telefone, que privilegia tons de pele mais claros, ao algoritmo de sugestão de músicas no Spotify, que beneficia homens em detrimento das mulheres. A lista de tecnologias excludentes é longa.

Isso não significa que as grandes empresas de tecnologia são preconceituosas. Está provado que quanto mais inclusiva uma empresa, melhores seus resultados. O problema é que as coisas são feitas da mesma maneira há tanto tempo que nem nos damos conta de estarmos excluindo outros grupos e esquecendo de ser inclusivos.

Veja o caso das empresas de tecnologia. Os programadores, particularmente no Vale do Silício onde estão boa parte das líderes do setor do mundo, são em grande maioria, homens brancos, héteros e de alta renda.

Quando esses programadores escrevem seus códigos, basicamente usam as referências do mundo que os cerca para criar as regras do software. Mesmo que involuntariamente, essa bolha em que vivem cria tecnologias cada vez menos inclusivas quando não existe um trabalho ativo para corrigir esses problemas.

Nos casos extremos, essa cultura de jovens programadores elitistas e preconceituosos tem até um apelido: “Tech Bro Culture”. Ironicamente, um teste criado nos anos 1960, e usado por muitas empresas de tecnologia no Vale do Silício, é apontado como uma das causas do problema.

No passado, o Google já teve sérios problemas com preconceito racial em seus algoritmos. A empresa levou três anos, por exemplo, para corrigir uma falha no Google Fotos que confundia negros como macacos.

O Google bem na foto

Nesta terça-feira, em seu evento GoogleIO, a empresa anunciou entre outras novidades que desenvolveria um algoritmo mais inclusivo para suas câmeras. O Google ajudará a corrigir um problema histórico. Acredite ou não, desde o surgimento do filme fotográfico esse problema existe. O balanceamento das cores sempre foi pensado para beneficiar peles mais claras.

Quando as empresas de tecnologia começaram a desenvolver as câmeras digitais, incluindo a do seu telefone, a lógica do filme fotográfico foi reproduzida e hoje temos câmeras que seguem privilegiando as peles mais claras e cabelos de padrão europeu.

Agora, segundo o Google, suas câmeras e produtos de imagem vão ter o foco em tornar as imagens das pessoas negras "mais bonitas e precisas". Essas mudanças ocorrerão nas câmeras Pixel do Google no segundo semestre, e a empresa diz que compartilhará a tecnologia com todas as empresas que usam o Android.

A ideia do Google é usar seus algoritmos para fazer alterações no balanço do branco automático e algoritmos de exposição para melhorar a precisão dos tons de pele escuros com base em um conjunto de dados mais amplo de imagens com rostos negros e pardos. Com esses ajustes, o Google quer evitar o excesso de brilho e dessaturação de pessoas de cor nas fotos para uma representação mais fiel da imagem real.

O Google também fez melhorias para selfies no modo retrato, criando um mapa de profundidade mais preciso para tipos de cabelo cacheado e ondulado, ao invés de simplesmente cortar o cabelo da pessoa.

Fotos mais bonitas e tecnologias mais inclusivas, uma ideia digna de registro.

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