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Construção Civil volta em Pernambuco com 20 mil trabalhadores e espera antecipar liberação total

Previsão inicial é que o setor possa operar com 100% da capacidade a partir do dia 22 de junho

Lucas Moraes
Lucas Moraes
Publicado em 08/06/2020 às 15:05
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ALEXANDRE GONDIM/JC IMAGEM
Canteiro de obra da construção civil - FOTO: ALEXANDRE GONDIM/JC IMAGEM
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Até esta sexta-feira (12), o setor da construção civil espera ter retomado as atividades com pouco mais de 20 mil funcionários de volta ao batente. Nesta segunda (8), foi o primeiro dia de implementação do plano de convivência do governo de Pernambuco, que prevê o retorno das obras com até 50% da capacidade total de trabalhadores. Com maior controle do deslocamento e higienização da mão de obra, o setor acredita até mesmo numa antecipação da volta com 100% da capacidade, prevista inicialmente para o dia 22 de junho.
Nos canteiros da Região Metropolitana do Recife, álcool em gel, máscaras e cumprimentos a distância já são a nova realidade. Muitas empresas já incluíram novos quadros de comunicação, demarcações de distanciamento e até mesmo turnos alternados para evitar as possibilidades de contágio no caso de alguma infecção pelo novo coronavírus.


“A gente já tinha conseguido junto à prefeitura voltar parte da obra. Foi liberado em caráter emergencial porque precisávamos fazer a fundação, o material já estava oxidando. Na prática retornamos há 30 dias, mas com pouquíssimos funcionários. Esse foi o tempo de concluir toda a nova sinalização e equipamentos, com os funcionários voltando hoje já na etapa de estrutura”, diz a engenheira civil responsável pela obra do edifício Jardins da Ilha, da Moura Dubeux, Elisangela de Souza.

Com a determinação da volta com 50% da mão de obra, a empresa retomou as atividades em 11 canteiros. No canteiro do Jardins da Ilha, nenhum dos funcionários chegou a ser demitido. A obra está sendo tocada com 51 trabalhadores. “Fizemos várias adaptações. A primeira foi na portaria, onde recebemos só cinco funcionários por vez. Cada um faz a lavagem das mãos, mede a temperatura corporal e só depois tem o acesso liberado. No vestiário e banheiro instalamos lavatórios e dispensas, aos quais eles não têm contato com as mãos, sendo acionados através do cotovelo. Simples, mas muito funcional”, explica a engenheira.

 

ALEXANDRE GONDIM/JC IMAGEM
Canteiro de obra da construção civil - ALEXANDRE GONDIM/JC IMAGEM

No refeitório, a capacidade foi ampliada para até 31 pessoas. O bandejão self service já não existe mais. Agora, só quentinhas higienizadas e já postas nas mesas individuais para o consumo, sendo dois turnos para café da manhã e almoço. “Fizemos um treinamento com todas as novas adaptações. Todo mundo se demonstrou bastante atento. Nossa tolerância é zero quanto ao não uso das máscaras. Estamos nos adaptando. Todos estão bastante conscientes, cada um deles tem conhecido ou parente que teve a doença. É uma nova realidade, mas não podemos esquecer que essas pessoas ficaram em casa três meses. Muita gente ainda está preocupado com essa nova realidade (da vida e do trabalho). Para o retorno 100%, precisamos de todos bem”, reforça.

Volta com 100% da capacidade

Há praticamente três meses parada, a construção civil do Estado estava com 70% dos trabalhadores em casa. O governo de Pernambuco, através de decreto, só permitia, até o último domingo, obras emergenciais ou públicas. O retorno das atividades não foi especificamente como o setor desejava, mas é considerado um primeiro passo para ganhar confiança e consequente ampliação das liberações. A expectativa é chegar ao número de pelo menos 20 mil funcionários retornando aos postos até o fim deste semana. Empresas menores, sobretudo da área de pequenos reparos, ainda estão fazendo ajustes para cumprir as novas regras, segundo o Sinduscon-PE.

“Acho que só estamos começando com 50% por receio de que essa massa interferisse no transporte público. Nos presentearam com a liberação hoje (ontem), mas como o governo prometeu estar monitorando, podemos até ser surpreendidos com a liberação (da mão de obra) restante antecipada em uma semana”, explica o presidente do Sinduscon-PE, Érico Furtado.

Com a volta, o impacto é considerado relativamente pequeno no transporte público. Segundo o próprio governo, dos 50% de trabalhadores da construção que retornaram, 30% fazem uso de ônibus ou metrô.
No terreno onde está sendo construído o edifício Avenida, da Vale do Ave, 14 funcionários voltaram após 71 dias parados. “É muito bom voltar a trabalhar, mas com segurança. Eu não venho de transporte público, venho de carro. Mesmo assim, a gente chega, passa álcool, usa máscara. É importante”, conta o encarregado de serviços Francisco das Chagas, 48 anos.

Especificamente nessa obra, a Vale do Ave conseguiu retornar às atividades com 100% dos funcionários. Por ser um número relativamente pequeno (14 pessoas), a empresa entrou com um recurso administrativo junto à prefeitura do Recife, garantindo o caráter emergencial da obra e a capacidade de retornar mantendo o distanciamento e higiene dos funcionários.

“No dia 21 de março já deveríamos estar concluindo a primeira laje, mas ainda estamos na fase de fundação. Estamos voltando com 100% da capacidade, mas com todos os cuidados. Entregamos kits para os funcionários, com álcool em gel e quatro máscaras, que serão sempre trocadas. Daremos início também à pulverização, que limpa roupas e solas dos pés na chegada, além de medir a temperatura corporal e manter o distanciamento dentro da obra”, assegura Ana Karina Lopes, engenheira responsável pela obra do edifício Avenida.

ALEXANDRE GONDIM/JC IMAGEM
Canteiro de obra da construção civil - ALEXANDRE GONDIM/JC IMAGEM

Os turnos de entrada e saída dos funcionários está dividido em dois, com diferença de meia-hora, assim como os horários de almoço, onde só são servidas quentinhas individuais. “Conseguimos manter toda a equipe, e todo mundo tem entendido e aceitado muito bem o que precisa ser feito. Eles se sentem até mais seguros com os novos procedimentos”, completa Ana Karina. No Grande Recife, a Vale do Ave mantém três obras em andamento, com 250 funcionários.

Tanto na Região Metropolitana quanto no interior do Estado, a construção civil está autorizada a funcionar com metade da capacidade e sem restrições de horário. Em todo o País, a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) estima que só 1,15% do total de 55 mil trabalhadores presentes nos canteiros durante o isolamento tiveram covid-19. Pernambuco e Piauí não entram nessa conta, porque estavam com os serviços paralisados.

 

 

 

ALEXANDRE GONDIM/JC IMAGEM
Canteiro de obra da construção civil - FOTO:ALEXANDRE GONDIM/JC IMAGEM
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Canteiro de obra da construção civil - FOTO:ALEXANDRE GONDIM/JC IMAGEM
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Canteiro de obra da construção civil - FOTO:ALEXANDRE GONDIM/JC IMAGEM
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Canteiro de obra da construção civil - FOTO:ALEXANDRE GONDIM/JC IMAGEM

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