Infraestrutura

Suape vai pedir empréstimo de R$ 400 milhões para concluir dragagem polêmica, que começou em 2007

Dentro de dois meses, empresa contratada deverá apresentar o valor real da obra e poderá dar o start ao processo de licitação

Adriana Guarda
Adriana Guarda
Publicado em 19/01/2022 às 20:28
CORTESIA
OBRA Dragagem do canal de acesso é uma obra definitiva para tornar Suape mais competitivo - FOTO: CORTESIA
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A polêmica dragagem de acesso do Porto de Suape, que começou a ser discutida desde 2007, poderá ser concluída com recurso de empréstimo. A diretoria do complexo está pedindo autorização ao governo de Pernambuco para buscar o dinheiro no mercado financeiro. O propósito é aumentar o calado para 20 metros de profundidade. A mudança permitirá receber navios de maior porte, inclusive os que passam pelo Canal do Panamá. A expectativa é que o valor fique na casa dos R$ 400 milhões. Foi o preço, aliás, o motivo da polêmica no início do processo de licitação. 

Em entrevista recente ao JC, o presidente de Suape, Roberto Gusmão, disse que o porto vem conseguindo fazer investimentos com recursos próprios, desde que o governo Federal fechou o cofre e reduziu os investimentos em inraestrutura nos Estados. Apesar de ter essa reserva, o valor da licitação é muito alto para se pagar com ela. Por isso, a opção seria o empréstimo. Gusmão afirma que no ano passado o porto teve R$ 70 milhões para realizar investimentos e para 2022 tem R$ 80 millões previstos.   

A confiança em contratar o empréstimo está no bom desempenho das demosntrações financeiras de Suape em 2021. No ano passado, em plena pandemia, a empresa teve um crescimento de 11,56% na receita líquida e um lucro líquido de 19,82%. A expectativa é que o valor da obra da dragagem seja conhecido dentro de dois meses, quando a empresa contratada para orçar teve apresentar o cálculo. O último número era R$ 400 milhões, quando a União deveria liderar o contrato, mas o governo federal está mudando a legislação e saindo dos projetos de investimentos em terminais portuários com o programa de concessões que, indiretamente, vai ajudar Suape a reprogramar seus investimentos. Desde 2013, com a mudança na Lei dos Portos, Suape ficou engessado para realizar suas próprias licitações. 

Esta semana, Suape contratou um consórcio para atualizar o Plano Diretor, mas segundo o presidente da companhia, Roberto Gusmão, a definição da duplicação da Refinaria Abreu e Lima e do projeto da Transnordestina, que exigirá um terminal na ilha de Cocaia, obrigam o porto a se preparar para abrigar super navios que exigem calado de 20 metros com maior segurança. Como estatal, Suape pode sozinha alavancar investimos por não ter endividamento e um caixa com mais de R$ 180 milhões.

No ano passado, mesmo com a parada técnica da Refinaria Abreu e Lima, que reduziu em 3 milhões de toneladas a movimentação de granéis líquidos, Suape fez investimentos no complexo portuário como reflorestamento, recuperação de molhe e nos piers de atracação, melhoria rodoviária, iluminação no porto organizado, uma nova torre de controle e requalificação do prédio da autoridade portuária.

HISTÓRICO 

As discussões sobre a dragagem do principal canal de acesso de Suape começaram em 2007, quando Fernando Bezerra Coelho era secretário de Desenvolvimento Econômico e presidente de Suape. A polêmica se deu em torno do valor daobra, que tinha um custo inicial de R$ 240 milhões. A Secretaria Especial de Portos (SEP) criticou o valor e refez os cálculos para R$ 108 milhões. Depois descobriu-se que a dificuldade estava na quantidade de rocha que existia no fundo do mar, que exigiria um processo caro e complexo de implosão para fazer a retirada. Em dezembro de 2010 foi publicado um novo edital, desta vez com valor de R$ 280 milhões. A demora em realizar a licitação acabou esbarrando na Lei dos Portos e o projeto ficou pelo caminho. 

 

Comunidade de Massangana conta com espaço multifuncional Estação Compartilhar, inaugurado por Suape

Estação Compartilhar é um projeto desenvolvido pela Diretoria de Articulação Social e Gestão Fundiária de Suape destinado à educação e formação profissional dos moradores

Comunidade de Massangana conta com espaço multifuncional Estação Compartilhar, inaugurado por Suape

As 600 famílias da Comunidade do Engenho Massangana, localizada no Cabo de Santo Agostinho, Grande Recife, passam a contar, a partir desta quarta-feira (19), com espaço multifuncional para incentivo à leitura e realização de cursos para capacitação dos moradores da região. A Estação Compartilhar Massangana, tal como o equipamento foi batizado, inclui, entre outros espaços, biblioteca, sala de informática com internet gratuita e cozinha-escola.

O projeto, sonho antigo da comunidade, foi concebido pela Diretoria de Articulação Social e Gestão Fundiária de Suape, que reformou um imóvel de 90 metros quadrados, de propriedade da estatal, para ampliar o atendimento à população residente no território estratégico do complexo industrial portuário.

A solenidade de inauguração contou com a presença da vice-governadora de Pernambuco, Luciana Santos; do diretor-presidente de Suape, Roberto Gusmão; do prefeito do Cabo de Santo Agostinho, Keko do Armazém; além de diretores da empresa, de secretários municipais e de representantes da comunidade.

Divulgação
Espaço multifuncional,no Engenho Massangana - Divulgação

“É uma alegria participar da inauguração de um projeto como este. Para além da assistência multidisciplinar, este é um espaço para alimentar sonhos e garantir oportunidades para as mais de 600 famílias que serão beneficiadas aqui. Uma iniciativa que merece ser celebrada, fomentada e acompanhada de perto para que possa germinar e render bons frutos”, comentou a vice-governadora de Pernambuco, Luciana Santos.

Para o diretor-presidente de Suape, Roberto Gusmão, o projeto simboliza a atenção que a gestão do complexo tem dado às comunidades inseridas em seu território, em sintonia com as boas práticas ESG (sigla em inglês para governança ambiental, social e corporativa). “Suape não é apenas o porto e as empresas aqui instaladas. Representa algo muito maior. É um projeto de desenvolvimento que envolve, sobretudo, as pessoas que vivem no território. Temos como meta fomentar iniciativas sustentáveis e a Estação Compartilhar é um grande exemplo de ação social para melhoria da qualidade de vida das comunidades, oferecendo formação educacional, cultural, capacitação e oportunidades”, pontua.

Divulgação
FORMAÇÃO Cozinha-escola no espaço multifuncional, no Engenho Massangana - Divulgação

INFRAESTRUTURA

De Acordo com o diretor de Articulação Social e Gestão Fundiária de Suape, João Alberto Faria, o imóvel passou por ampla reforma e foi equipado com mobiliário moderno e projeto paisagístico. “A Estação Compartilhar também contará com sala infantil equipada com TV e livros; sala multimídia com espaço para palestras e cursos e área externa coberta para atividades como jogos e rodas de diálogo”, complementa a coordenadora de assistência social da estatal, Líbia Paixão.

Para dar início à formação do acervo da biblioteca, aberta já com 700 livros, o Conselho de Ética de Suape realizou uma campanha de arrecadação entre os colaboradores da empresa, que fizeram doações de títulos dos mais diversos assuntos, após levantamento das temáticas de interesse da população local. Suape contou, também, com a doação de agentes externos, a exemplo de Catharina Neves, viúva de Geraldo Neves, professor de direito da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). 

PERSPECTIVAS

Renata Maria da Silva, coordenadora social da Associação de Moradores do Engenho Massangana, acredita que o projeto vai impulsionar a educação e as oportunidades para jovens e adultos. “Nossa comunidade nunca foi contemplada com um projeto desse porte, recheado de sonhos e perspectivas. Como moradora e uma das representantes dos moradores, não podia estar mais feliz. Haverá espaço para todos, e o que mais me encanta, já que sou professora de massa de pão, é a cozinha-escola, que abrirá portas para muita gente. Participamos de todas as etapas desse processo e agradecemos à empresa Suape por essa parceria tão importante para a comunidade”, comentou.

A Estação Compartilhar funcionará de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 16h30, e não há necessidade de cadastro para usufruir do espaço. Para garantir a segurança de todos os frequentadores, será obrigatório o uso de máscara e o comprovante das doses de vacinação contra a covid-19.

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