Diante da possibilidade real do imóvel do Colégio Americano Batista ser leiloado para pagamento de dívidas trabalhista, conforme a reportagem do JC antecipou, o Governo do Estado de Pernambuco agiu, nesta sexta-feira (3), para garantir a finalidade do terreno e seguir servindo como complexo escolar, e publicou no Diário Oficial do Estado o Decreto nº 54.429, assinado pela governadora Raquel Lyra, que “declara de utilidade pública” a área, incluindo as benfeitorias.
Em vez da mudança de finalidade do prédio para objetivos comerciais, a decisão do governo mantém a funcionalidade do imóvel, entretanto, agora, no âmbito da educação pública estadual. "Vamos manter o prédio como complexo escolar. É um patrimônio de Pernambuco que agora estará a serviço da educação pública”, registrou a governadora Raquel Lyra.
O imóvel e suas benfeitorias fica localizado numa área estratégica da capital pernambucana e, diante do impasse em torno do imóvel - que estava próximo de ser leiloado - apareceu como oportunidade para o governo estadual defender algo que é de interesse público.
De acordo com a Procuradoria-Geral do Estado, Bianca Teixeira, o processo será realizado com transparência e diálogo e a publicação do decreto representa a formalização a primeira fase do processo, que agora será seguido pela realização do laudo de avaliação por parte da administração estadual para que se faça o pagamento, que será custeado pelo tesouro estadual.
“Como a governadora elenca a educação como prioridade de governo, ela viu essa oportunidade diante do leilão que estava marcado e tomou a decisão. O complexo continuará tendo como função social a educação”, afirmou a Bianca Teixeira.
O terreno do Colégio Americano Batista fica localizado no número 1308, na Rua Dom Bosco, no bairro da Boa Vista, possui cinco blocos escolares, uma capela e uma residência. Cada bloco escolar tem dois pavimentos:
O Colégio Americano Batista foi fundado em 1906 pelo missionário norte americano W.H. Canadá, que sentiu o desejo de contribuir para o desenvolvimento da Educação no Brasil e resolveu criar uma escola para alfabetizar e educar crianças que não tinham condições financeiras de investir em estudos particulares.
A escola começou a funcionar num casebre vizinho à primeira Igreja Batista do Recife, inicialmente com treze alunos. Assim começou o Colégio Americano Batista do Recife. Após 13 anos, o então diretor da instituição, o missionário H.H. Muirhead, comprou uma chácara localizada no lugar que atualmente fica o Parque Amorim, onde foi instalado o colégio.
Após a aquisição do terreno, o primeiro edifício construído levou o nome do professor Alfredo Freyre, antigo diretor do colégio e advogado que intermediou a compra da propriedade. A ideia original era que o prédio reproduzisse a fachada da Casa Branca, sede da presidência dos Estados Unidos.