BASE FORTE

Pratas da casa viram solução para Santa Cruz superar crise financeira

Diretoria tricolor tem olhado com mais carinho para as categorias de base do clube e negociado jovens promessas

Filipe Farias
Filipe Farias
Publicado em 15/05/2020 às 18:00
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Rafael Melo/ Santa Cruz
Garotos que se destacaram na Copa São Paulo de Futebol Júnior subiram para o time profissional do Santa Cruz - FOTO: Rafael Melo/ Santa Cruz
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Apesar de ainda caminhar a passos lentos para proporcionar uma melhor estrutura para os atletas das categorias de base (o Centro de Treinamento Ninho das Cobras, em Aldeia, está longe de ter suas obras finalizadas), o Santa Cruz tem conseguido revelar bons valores dentro de casa de uns tempos para cá. Na temporada passada, o zagueiro João Victor disputou 32 partidas pelo time profissional e logo despertou o interesse do Vitória, da Bahia, que acabou acertando a sua contratação pela quantia de R$ 800 mil - ainda restam algumas parcelas a serem pagas.

Outro nome que foi negociado pelo Tricolor do Arruda no ano passado foi o atacante Elias Carioca, que rumou para o Athletico-PR. O valor da negociação, na época, foi de pouco mais de R$ 1,6 milhão. Entretanto, como o clube pernambucano devia ao Furacão - referente ao atacante André Luís -, a quantia que entrou nos cofres da Cobra Coral foi de R$ 900 mil, ainda ficando com 20% dos direitos do atleta. Já nesse ano, no final da pré-temporada, quem deixou o Santa Cruz para um clube da Série A foi o lateral-direito Warley, que acertou com o Botafogo - os pernambucanos ficaram com 50% dos direitos econômicos do jogador e ainda está com um crédito para receber alguns atletas por empréstimo, com os cariocas arcando com os salários.

No atual elenco, vários pratas da casa se enquadram nesse perfil. Atletas jovens, recém-promovidos ao grupo principal, e que com pouco tempo como profissionais já demonstraram potencial técnico, despertando o interesse de outros clubes. E, nesse momento de crise financeira, agravada pela pandemia do novo coronavírus, a negociação de um de seus talentos caseiros poderia surgir como uma solução para os problemas econômicos do clube, além de dar fôlego para a continuação da temporada em busca do principal objetivo em 2020: o acesso à Série B.

Além da diretoria, a comissão técnica tricolor também está alinhada a esse pensamento e vinha buscando valorizar a presença dos pratas da casa não só no grupo profissional, mas também utilizando-os nas partidas. O goleiro Maycon Cleiton, por exemplo, foi titular em todas as partidas do Santa Cruz na temporada (17 jogos) e chamou a atenção de Bahia e Corinthians - fizeram sondagens. Outros garotos da base também receberam suas oportunidades e agradaram o técnico Itamar Schulle quando entraram: o volante André (8 jogos, sendo 5 como titular), o meia João Cardoso (4 jogos, sendo 3 como titular) e o atacante Felipe Simplício (3 jogos, sempre entrando no decorrer das partidas).

"Essa é uma das situações que mais defendo. Como eu sou oriundo da base, acredito muito nas categorias de base. Mas, pra que isso aconteça, tem de ter um trabalho forte em cima disso. O clube tem de acreditar e não somente a comissão técnica. Tem de investir nas categorias de base, pois não adianta fazer a cobrança para aparecerem jogadores se não investirmos na base. Isso é um fator importante no planejamento e o clube tem se mostrado muito interessado, vai atrás e vemos isso na direção. Como agora, com o surgimento desses novos jogadores... Isso vai acrescentar ainda mais no processo para aparecer recursos financeiros para investir novamente na base", destacou Lucas Isotton, auxiliar técnico de Itamar Schulle.

Para o membro da comissão técnica coral, o convívio dos garotos no elenco profissional, mesmo que em poucas semanas, já surtiu efeito. "Os jogadores (da base) com quem trabalhando têm potencial e sempre tentamos lapidá-los. Tem algumas situações aí que podem vir a vingar para o clube, mas é muito cedo para falar algo desses garotos, pois tivemos convívio com eles uns dois meses. É preciso ter um tempo maior (de trabalho). Mesmo assim, a expectativa é grande para que eles possam render em campo e, por consequência, dar frutos para o Santa Cruz", frisou.

MESCLA

O auxiliar técnico do Santa Cruz fez questão de ressaltar a importância de no elenco peças como Danny Morais, William Alves, Fabiano, Bileu, Paulinho, Didira, Chiquinho, Pipico, atletas rodados, com mais de 30 anos, para dar um suporte para os garotos que subiram para o profissional. "Esse é o nosso perfil (de trabalho). Acredito que quando a diretoria do Santa Cruz nos fez o convite (para comandar o time) sabia das nossas características. Nos clubes que passamos sempre trabalhamos nessa sintonia. Gostamos de trabalhar com jogadores oriundos das categorias de base, revelar jogadores, mas pra que isso aconteça é preciso ter atletas experientes para dar o suporte necessário aos meninos. Então, essa mescla, é o segredo do trabalho e acreditamos nisso. Estamos buscando fazer isso no Santa e espero que consigamos dar esse retorno para o clube, pois fizemos isso nos clubes anteriores", contou Lucas Isotton.

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