Polícia Federal erradica mais de meio milhão de pés de maconha no Sertão de Pernambuco

Operação Muçambê III impediu que cerca de 180 toneladas da droga fossem produzidas
JC
Publicado em 13/07/2020 às 13:10
Operação Muçambê III Foto: Divulgação/PF


Mirando o enfraquecimento do tráfico de drogas, a Polícia Federal em Pernambuco (PF) em parceria com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), erradicou mais de 538 mil pés e 49.791 mudas de maconha do Estado na Operação Muçambê III. A ação, que aconteceu entre os dias 22 de junho e 12 de julho de 2020, contou com a colaboração da Secretária de Defesa Social do Estado de Pernambuco (SDS-PE), bombeiros militares e policiais militares e civis do estado. De acordo com PF, Pernambuco é o maior produtor de maconha do Brasil. 

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A Operação Muçambê III funcionou em duas etapas. Do dia 22 de junho a 01 de julho, aconteceram os trabalhos de inteligência e levantamento das localizações onde se encontrava as roças de cultivo ilícito. Nesta etapa, equipes policiais se deslocaram pela região com auxílio de uma série de recursos, como imagens de satélite, veículos 4x4, GPS e drones de alta tecnologia, para chegar até as plantações. Já na segunda etapa, do dia 2 ao dia 12 de julho, foram iniciados os trabalhos de logística, quando erradicação de fato acontece.

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De acordo com informações concedidas pela Polícia Federal, três helicópteros, três vans, três botes infláveis para águas de baixa profundidade, um caminhão de apoio e um caminhão tanque de combustível com capacidade para 15 mil litros e três drones foram empregados na operação. Além disso, um helicóptero, nove viaturas operacionais e uma unidade móvel de pronto atendimento (ambulância) da PRF também foram utilizados.

Cerca de 180 profissionais trabalharam na operação. Dentre eles, policiais federais e rodoviários; agentes administrativos; bombeiros militares; paramédicos; policiais civis e militares de Pernambuco e trabalhadores contratados para destruição das plantações. "Desde o fim da década de 70 já se faz operação de erradicação no Sertão de Pernambuco. Porém, de alguns anos para cá, os órgãos de segurança estavam fazendo operações de forma dispersa. Nesta operação, conseguimos integrar todos os órgãos de segurança do estado de Pernambuco com o propósito de fazer essa erradicação fluir melhor e de forma mais eficiente", disse o chefe da Delegacia de Repressão à Drogas da Polícia Federal em Pernambuco, Eduardo Henrique Sousa Passos.

O secretário de Defesa Social de Pernambuco, Antônio de Pádua, ressaltou a integração das corporações na operação, e a importância da erradicação para Pernambuco. "É uma operação bastante significativa para o Estado, no ponto de vista de segurança pública, porque ela tira essa droga de comercialização das ruas do Estado", disse.

Para o coordenador Geral da Diretoria de Operações da Polícia Rodoviária Federal, Jason Terêncio, a união de forças de segurança é fundamental para agilizar a apreensão. "O trabalho de integração é fantástico, já que sabemos que a atuação das organizações criminosas são muito modais, então não faz diferença o tipo de facção, o modos operandi, a gente precisa integrar para otimizar os resultados".

Terêncio afirma, ainda, que provavelmente a droga "escoaria para o modal rodoviário". Caso a planta não tivesse sido destruída nesta operação, cerca de 180 toneladas de maconha seriam produzidas após o processamento, segundo a PF. A operação se concentrou nas zonas rurais dos municípios de Salgueiro, Parnamirim, Dormentes, Cabrobó, Belém do São Francisco, Orocó, Carnaubeira da Penha, Floresta e Betânia.

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Segundo a PF, o ciclo produtivo da cannabis em todo o Estado é acompanhado pelo serviço de Inteligência da Polícia. Assim, várias operações são realizadas ao ano de forma que a erva não consiga chegar em período de colheita.

Durante a operação, um produtor da droga foi preso em flagrante. No entanto, o Chefe da Delegacia explicou que "devido ao aparato policial na região, a movimentação de aeronaves e embarcações" os plantadores saem do local durante as abordagens. Ele afirma, ainda, que o plantador da droga não é o foco da operação, e sim a prevenção do tráfico e erradicação da droga. "Essa prisão é sem importância no contexto geral da operação. Ele se envereda para o crime pelo retorno financeiro. [...] As prisões não são o escopo da operação".

'Polígono da Maconha'

Em Pernambuco, o local onde a maior parte dos pés de maconha são plantados chama-se 'Polígono da Maconha'. Esta área compreende os municípios de Salgueiro, Cabrobó, Sertânia, Floresta, Belém de São Francisco e Afogados da Ingazeira. A droga que sai desta região é tamanha, que geralmente, serve para abastecer todo o Nordeste.

“Com certeza há Estados que recebem mais do que outros. Por exemplo, no Maranhão também há plantações de maconha, onde também temos um trabalho de erradicação constante. Assim como na Bahia. Porém, Pernambuco e Bahia são os maiores produtores”, explicou Eduardo. 

Para Polícia Federal, mirar na raiz do problema, que são as grandes plantações da erva, é a solução mais prática e eficaz no combate ao tráfico de drogas e a toda violência que sustenta esse tipo de prática ilegal.

Segundo o delegado Eduardo Passos, o custo para a erradicação da maconha ainda em sua fase de plantação é irrisório se comparado ao que se gasta para realizar prisões e apreensões em bocas de fumo, por exemplo. “Para fazer o combate à droga quando ela já está na mão do traficante gasta-se, sem exagero, em torno de mil vezes mais”, explicou.

Além disso, a quantidade de maconha produzida com os pés erradicados equivalem a um montante que dificilmente seria pego em uma operação comum de apreensão, ainda mais num período tão curto de tempo. 

“Para tirar essa quantidade da droga nos pontos de venda é uma ação quase impossível. Eu jamais conseguiria, nos seis primeiros meses do ano, dizer que o Estado e a União conseguiram tirar de circulação essa quantidade de droga nos pontos de venda do produto final”, revelou Passos.

Nesta lógica apresentada pelo delegado, é possível compreender que, quando a droga é revendida pelo traficante ela gera um rendimento que estimula uma série de delitos ligados ao tráfico, como roubos, furtos, lavagem de dinheiro e homicídio. Além disso, de acordo com a PF, o tráfico de drogas está diretamente ligado com diversos episódios de violência e brutalidade recorrentes na sociedade. 

“Não é simplesmente o pensamento idealista sobre liberar ou não liberar a maconha, não tem a ver com isso, a gente não entra nessa seara. A PF entende que a maconha é uma droga que causa problema e alimenta a violência”, justificou Passos.

Operações Muçambê I e II

A operação denominada 'Muçambê', referente a uma planta geralmente encontrada no Sertão, já está em sua terceira fase. Nas etapas I e II, os trabalhos foram realizados em 28 datas diferentes por conta da pandemia de covid-19. Segundo a polícia, as equipes de erradicação precisaram de mais tempo para cobrir toda região de plantio já que estavam em menor número. “Trabalhamos em uma quantidade maior de datas devido à pandemia. Quando é uma operação em condições normais, sem isolamento e pandemia, a gente faz essa quantidade (de erradicação) em dez dias”, exemplificou Eduardo Passos.

A primeira etapa da operação, que aconteceu entre os dias 4 e 17 de fevereiro, erradicou, no total, 102.718 pés de maconha, além de 30.015 mudas e 1.123 kg de maconha pronta. Na segunda etapa, realizada entre os dias 31 de março e 5 de junho, outros 295.647 pés e 44.270 mudas foram eliminados. Cerca de 803,6 kg da droga pronta também foi destruída. 

Trabalhos de erradicação

Operações de erradicação de maconha fazem parte da rotina da Polícia Federal, principalmente nas áreas do interior do Estado, já que as plantações da erva costumam ser feitas em locais de difícil acesso. Este tipo de plantação pode ser encontrado em ilhas do leito do Rio São Francisco, áreas de terra da União, áreas no meio da Caatinga e até mesmo em plantações de fazendas muito grandes, de forma que nem mesmo o proprietário saiba da existência da plantação.

“Nesses casos (de plantação clandestina em terras privadas), a gente faz o processo policial e envia para o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) fazer a desapropriação. O judiciário costuma dar a desapropriação da área com a fundamentação de que o proprietário não zelou devidamente da terra e ela foi usada para fins ilícitos”, explicou o delegado.

Por se tratar de uma rotina, a PF registra as coordenadas geográficas de todas as plantações identificadas. “Temos registros de todos os últimos dez anos”, contou Passos. O delegado informou ainda que é difícil identificar o agricultor responsável pela plantação, mas que é costumeiro retornar a locais onde outras plantações já foram erradicadas e encontrar a maconha plantada novamente.

 

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