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Embutimento da fiação no Bairro do Recife já começará a ser entregue em 2022, disse Ana Paula Vilaça

Em entrevista ao Blog de Jamildo, na TV JC, chefe do Escritório de Gestão do Centro, Ana Paula Vilaça, detalhou ações emergenciais que serão tomadas à frente da pasta

Katarina Moraes
Katarina Moraes
Publicado em 24/11/2021 às 13:46
Entrevista
FILIPE JORDÃO/JC IMAGEM
Ana Paula Vilaça é a cabeça do programa de revitalização do Centro do Recife - FOTO: FILIPE JORDÃO/JC IMAGEM
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À frente do Escritório de Gestão do Centro a partir de 1º de dezembro, Ana Paula Vilaça adiantou as primeiras ações do Recentro, programa apresentado com pompa na última semana pela Prefeitura do Recife, em entrevista ao Blog de Jamildo, na TV JC, nesta quarta-feira (24). Entre as mais emergenciais, está o embutimento da fiação no Bairro do Recife, que, segundo ela, já terá algumas ruas concluídas ainda em 2022.

O emaranhado de fios na cidade é um grande calo visual e de segurança - uma vez que podem causar acidentes como incêndios e choques elétrico - que já foi denunciado diversas vezes pelo JC. Apesar da promessa abranger um bairro, a chefe do gabinete, que tem caráter de secretária, afirma que a gestão pretende expandir o embutimento para outras áreas.

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"Esse projeto é uma parceria da PCR com o governo do estado através de recursos do Grupo Neoenergia, que tem um aporte para investimentos e conseguimos captar esse valor para que fosse feito o embutimento da fiação e tenhamos um novo visual e possamos desfrutar dos prédios históricos. Começamos com um projeto piloto e a ideia é expandir porque, sem dúvidas, isso modifica a paisagem", defendeu.

Ela também afirmou que defenderá a permanência do mural da Batalha dos Guararapes, de Francisco Brennand, no bairro de Santo Antônio, um dos bairros alvos do Recentro junto ao do Recife e ao de São José. A transferência da obra para o bairro de Boa Viagem, na Zona Sul da capital, um pedido do Banco Santander, proprietário  do mural, virou debate nos últimos meses, e revelava a situação de abandono no qual o Centro da capital pernambucana se encontra. "A ideia seria criar um espaço em Boa Viagem para contemplação e de convivência para recuperar o painel, mas agora vou defender que não saia mais", disse.

Para a chefe da pasta, o principal ponto do Escritório será retomar a habitação na Ilha de Antônio Vaz, para que, então, a região seja transformada em um polo cultural, turístico, econômico e habitacional todos os dias da semana, afastando-a do caráter de abandono na qual ela se encontra hoje.

Mais uma vez, ela garantiu o compromisso da gestão em tornar o Centro a moradia de pessoas de diferentes classes sociais. "Nosso objetivo é que tenham diversas faixas de renda, desde moradia de interesse social, até de alta renda, para ter um mix de perfis de pessoas. O objetivo da gente é fazer com que as pessoas voltem a frequentá-lo. A moradia vai ser fundamental nesse processo, porque vai dar uso e ocupação todos os dias da semana, e também queremos intensificar e fomentar a vocação de ser centro cultural, de lazer e de entretenimento".

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Tanto esse incentivo à moradia, quanto à economia, será dado por meio de incentivos fiscais. Projetos de construção e recuperação total terão 100% de desconto no Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), e de 50% para reparos e manutenção por 5 anos para uso não residencial, e 8 anos para residencial. Já os programas de habitação popular terão isenção por 10 anos. Para recuperar imóveis nas Zonas Especiais de Preservação Histórica (ZEPHs) e instalar hotéis e atividades culturais, comunitárias e educacionais, e negócios voltados à beleza e à higiene pessoal, a alíquota do Imposto Sobre Serviços (ISS) será reduzida de 5% para 2%. Também haverá isenção total do Imposto de Transmissão de Bens Imóveis Intervivos (ITBI).

Segurança e 'pedestrianização'

Ainda, apontou o intuito de ampliar a pedestrianização no Centro - medida que torna as vias exclusivas para pedestres e que já implementada na Avenida Boulevart Rio Branco, na Rua da Moeda e na Rua do Bom Jesus, todas no bairro do Recife. "Depois da pandemia, essa vontade de ir para espaços abertos e ao ar livre foi intensificada, então a gente tem observado o [aumento do] uso da bicicleta, da ciclofaixa, de parques, praças e das praias. A gente tem um Centro belíssimo, com patrimônio histórico, que precisa ser lapidado. A gente já faz isso aos domingos, desde o Recife Antigo de Coração, que é deixar a rua para as pessoas, para atividades culturais, infantis e esportivas, e existe sim a ideia de ampliar para outras ruas porque ali é um espaço para se caminhar".

Vilaça respondeu aos entrevistadores que "várias ações serão implementadas para que tenhamos segurança" no Centro da cidade, hoje temido principalmente pela falta de movimento. "Temos o trabalho de uma guarda específica para o Centro e da Polícia Militar que fazem no dia a dia a vigilância na área. Mas ainda precisamos avançar bastante com várias medidas. Junto à Secretaria de Direitos Humanos vamos trabalhar a parte social. A pandemia agravou bastante a pobreza e a informalidade, sérios problemas no Centro histórico. Precisamos trabalhar outras ações integradas. A própria moradia vai trazer vida 24h por dia, vai ter movimento à noite, o que traz essa sensação de segurança".

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