Palácio do Planalto

Após ameaçar, Bolsonaro não demite Mandetta do Ministério da Saúde

Após mais de duas horas de reunião, exoneração de Mandetta da pasta de Saúde não foi concretizada

Carolina Fonsêca
Carolina Fonsêca
Publicado em 06/04/2020 às 19:51
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REPRODUÇÃO/TV BRASIL
Questionado sobre o descumprimento do isolamento social de algumas pessoas, o Ministro da Saúde afirmou que a única coisa que pode fazer é recomendar a não aglomeração - FOTO: REPRODUÇÃO/TV BRASIL
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Luiz Henrique Mandetta, ministro da Saúde, tem visto seu cargo ameaçado pelo presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), há algumas semanas e, nesta segunda-feira (6) pareceu que finalmente seria demitido, mas não foi o que aconteceu. O dia inteiro foi tomado de expectativas. O presidente convocou até uma reunião com seus principais ministros, entre eles Mandetta. Após mais de duas horas de portas fechadas, o resultado da conversa menteve o ministro na pasta.

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O forte apoio de militares do governo, além da bancada da Saúde no Congresso e dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), fez diferença para a permanência de Mandetta no cargo, segundo informações de Gerson Camarotti, da GloboNews.

O governo ainda não se manifestou sobre o resultado da reunião que aconteceu a portas fechadas. Inclusive, o próprio presidente teria exigido que ninguém pudesse entrar na sala portando seu celular pessoal. 

Minutos depois do fim da reunião, Mandetta deu um longo pronunciamento à imprensa, onde explicou os motivos da sua permanência na pasta.

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Zum-zum-zum da saída de Mandetta

Durante toda a tarde, as notícias de que Bolsonaro havia convocado uma reunião com todos os ministros agitou o mundo político do Brasil. Até o deputado federal Osmar Terra (MDB-RS), cotado para assumir o cargo caso a demissão de Mandetta se confirmasse, teria participado do encontro no Palácio. Chegaram até a comentar que uma edição extra do Diário Oficial da União estaria sendo preparada com a exoneração de Mandetta. Nada disso foi confirmado.

Relação entre Mandetta e Bolsonaro

Divergindo em pontos cruciais do enfrentamento ao coronavírus, a relação entre Bolsonaro e Mandetta demonstra ter perdido a sintonia. Além disso, desde o início da crise causada pela pandemia, o ministro da Saúde ganhou, dia a dia, os holofotes, criticou a postura do presidente da República no enfrentamento à covid-19 e viu sua popularidade crescer, gerando ciúmes no Palácio do Planalto.

Com o avanço da doença, enquanto o número de infectados e mortos aumenta, a popularidade de Bolsonaro diminui. O presidente já chegou a classificar a covid-19 como uma "gripezinha", defendeu o isolamento vertical e a reabertura do comércio. Na contramão, o Mandetta prevê um colapso no sistema de saúde no final de abril e pede para que as pessoas não saiam de casa. 

No último domingo (5), Bolsonaro voltou a fazer insinuações de que poderia demitir um de seus ministros, sem citar nomes. Em encontro com apoiadores na frente do Palácio da Alvorada, o presidente afirmou que algumas pessoas do governo "estão se achando". Aparentemente, o crescimento da popularidade de Luiz Henrique Mandetta incomoda Jair Bolsonaro.

Médico ortopedista, Luiz Henrique Mandetta, tem 55 anos e é filiado ao Democratas (DEM). Ele e o presidente Jair Bolsonaro se aproximaram quando ambos ainda eram deputados e estiveram unidos na oposição ao governo Dilma Rousseff (PT). Mandetta foi contra o programa Mais Médicos e sempre defendeu a revalidação de diplomas para profissionais estrangeiros.

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