Coronavírus

Há tecnologia para que novas doses da vacina protejam contra variantes da covid-19, aponta ex-coordenadora do PNI

A epidemiologista Carla Domingues também criticou a demora da vacinação no País

Cadastrado por

Cássio Oliveira

Publicado em 08/02/2021 às 10:38 | Atualizado em 08/02/2021 às 12:51
Vacinação contra covid-19 segue a passos lento no Brasil - Tânia Rêgo/Agência Brasil

Ex-coordenadora do Plano Nacional de Imunização (2011-2019), a epidemiologista Carla Domingues acredita que ainda são necessários mais estudos para se ter a certeza de que as vacinas disponíveis contra a covid-19 conseguirão ou não proteger a população contra infecções causadas pelas variantes do vírus.

No último final de semana, a farmacêutica britânica AstraZeneca disse que sua vacina desenvolvida em conjunto com a Universidade de Oxford aparentemente oferece apenas uma proteção limitada contra a infecção causada pela variante sul-africana da covid-19, com base nos primeiros dados de um teste.

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"Os testes ainda são incipientes. A vacina foi feita para a variante do ano passado, então é preciso acompanhar se as novas variantes terão interferência na vacina e, se houver, os próximos lotes deverão ser refeitos à luz dessas novas ceifas, há tecnologia para isso e vamos melhorando a vacina. Mas, até o momento, os estudos apontam que não há a interferência", comentou a epidemiologista durante o Passando a Limpo, da Rádio Jornal.

Vacinação

Se o Brasil tivesse maior quantidade de doses e convocasse a população, a vacinação seria acelerada. Claro que tem uma parcela que não quer se vacinar, cerca de 30%, que acredita em fake news, acredita que ficará doente, que vão virar jacaré, como disse o próprio presidente, mas há grupo inseguro, há 70% que quer se vacinar e não há vacina para isso.
Carla Domingues, ex-coordenadora do PNI.

Na visão de Carla Domingues, os responsáveis pela vacinação precisam adotar novas estratégias para acelerar o processo de imunização. "A velocidade está baixa e precisamos vacinar o maior numero de pessoas possível. É preciso outras estratégias, convocar estudantes de enfermagem e acelerar a vacinação. Não entendo porque essa demora. Hoje é preciso um cadastro, um registro nominal para se tomar a segunda dose, isso é processo complexo que não deve ser utilizado nas próximas etapas, vamos evitar isso fazendo pré-cadastro. Se tivermos de fazer no momento da vacinação haverá morosidade", afirmou.

O Brasil ultrapassou nesse domingo (7) a marca de 3,5 milhões de pessoas vacinadas contra a covid-19, segundo dados reunidos pelo consórcio de veículos de comunicação. No total, a quantidade de imunizados chegou a 3.573.150. O número representa 1,69% da população brasileira.

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Ate este domingo, o Brasil já contabiliza mais de 9,5 milhões de casos de covid-19 e mais 230 mil mortes desde o início da epidemia, segundo o consórcio dos veículos de imprensa. Nos últimos sete dias, a média móvel de mortes foi de 1.004. Já são 18 dias com essa média acima da marca de mil.

Durante a entrevista, Carla foi questionada se o melhor seria vacinar os jovens. Ela aponta que não, pois as vacinas ainda não protegem da infecção, apenas imunizam. "As vacinas protegem contra a doença, mas, não contra a infecção. É preciso evitar casos graves e óbitos, então o correto é vacinar a população com risco de adoecer e ir a óbito: idosos e profissionais de saúde", concluiu.

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