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Ação por ciclofaixas permanentes no Recife

10 / abr
Publicado por Roberta Soares às 19:31

Ação foi feita no início da manhã. Foto: Cicloação Recife

 

Na tentativa de forçar a Prefeitura do Recife a ampliar a infraestrutura para a bicicleta na cidade, ciclistas ligados ao movimento Cicloação Recife simularam uma ciclofaixa permanente na Ponte Buarque de Macedo, uma das principais ligações entre o bairro de Santo Antônio e o Bairro do Recife, no Centro da capital. A ação aconteceu no início da manhã desta terça-feira e durou apenas duas horas. Quem passou pela ponte entre as 6h e as 8h encontrou uma faixa exclusiva para a circulação das bicicletas, das quatro existentes atualmente para o tráfego de veículos.

A simulação da ciclofaixa permanente foi feita com botijões de água mineral, retirados posteriormente do local por agentes da Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU). A Ponte Buarque de Macedo foi escolhida para o ato porque foi um dos primeiros locais a receber as Ciclofaixas Móveis de Turismo e Lazer, projeto criado há cinco anos e que prevê uma estrutura móvel para estimular as pessoas a pedalar por lazer, sempre aos domingos e feriados, ao custo de R$ 1 milhão por ano. Os cicloativistas brigam há algum tempo para que a gestão municipal transforme as ciclofaixas móveis em permanentes.

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“Embora a Buarque de Macedo tenha sido uma das primeiras a receber o projeto, ela não foi contemplada com ciclofaixa permanente quando a houve a implantação da primeira etapa do Eixo Cicloviário Camilo Simões, realizado pelo governo do Estado ainda no ano passado. Por isso estamos cobrando da gestão Geraldo Júlio que implante uma infraestrutura cicloviária que funcione diariamente para proteger as milhares de pessoas que já utilizam a bicicleta como meio de transporte”, diz Bárbara Barbosa, que integra o Cicloação Recife e participou da ação.

CTTU, entretanto, rapidamente retirou os botijões de água utilizados pelos cicloativistas. Foto: Filipe Jordão/JC Imagem

Os ciclistas cobram a execução do Plano Diretor Cicloviário (PDC), concluído em 2014 e que prevê a construção de 249 quilômetros de malha cicloviária somente no Recife. Em toda Região Metropolitana seriam 500 quilômetros. Na época da implantação do Eixo Cicloviário Camilo Simões, a CTTU negou o prolongamento da ciclovia existente na Praça da República pela Buarque de Macedo sob o argumento de que atrapalharia o giro de curva dos BRTs e ônibus convencionais que circulam na Ponte, além de comprometer a segurança dos ciclistas. “Mas nas duas horas da ação o que vimos foram BRTs e ônibus girando sem qualquer dificuldade. Também não verificamos qualquer congestionamento porque uma das faixas tinha sido retirada para a bicicleta. Ou seja, há espaço. Só falta vontade de fazer”, reforçou Bárbara Barbosa.

Por nota, a CTTU afirmou, mais uma vez, que a implantação de uma ciclofaixa na rua impactaria diretamente na circulação dos BRTs e ônibus convencionais, além de comprometer a segurança viária. Confira a nota oficial divulgada:

“A Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU) informa que a Ponte Buarque de Macedo possui quatro faixas de rolamento com demanda de ônibus convencional e de BRT, além de um grande fluxo de veículos nos horários/pico. Com a implantação de uma ciclofaixa na via, haveria a redução da calha viária da Ponte Buarque de Macedo, impactando diretamente na circulação de transporte público de passageiros e na segurança viária. O impacto se daria principalmente na conversão à esquerda dos ônibus oriundos da Avenida Martins de Barros com acesso ao Bairro do Recife, uma vez que o raio de giro dos veículos de grande porte em sua frenagem poderia comprometer a segurança dos ciclistas. A CTTU informa ainda que o projeto, que foi executado pelo Governo do Estado, foi apresentado aos grupos de representantes dos ciclistas antes de sua implantação. Na ocasião, foi estabelecido que a circulação na Ponte Buarque de Macedo deveria ser realizada pela calçada, através do desmonte da bicicleta”.


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