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O que começou errado, não poderia terminar certo: relembre o fracasso do Sport na temporada 2021

O clube rubro-negro não conseguiu engrenar em nenhuma das quatro competições que disputou neste ano

Davi Saboya
Davi Saboya
Publicado em 30/11/2021 às 21:11
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DIVULGAÇÃO/SPORT
Milton Bivar (D) e Carlos Frederico (E) renunciaram aos cargos de presidente e e vice do Sport no começo desta temporada - FOTO: DIVULGAÇÃO/SPORT
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Não existem determinados culpados ou alguns motivos que levaram o Sport ao rebaixamento na Série A do Campeonato Brasileiro de 2021. Tudo deu errado! Afinal, o Leão enfrentou uma "turbulência" em quase toda a temporada sob o comando de cinco presidentes (Carlos Frederico, Milton Bivar, Pedro Lacerda, Leonardo Lopes e Yuri Romão). O milagre de ter escapado da queda em 2020 ao invés de trazer alívio ao clube rubro-negro trouxe ainda mais dor de cabeça, pois a instabilidade financeira não foi estancada. Ainda teve adiamento de eleição, pleito suplementar após menos de três meses, e escândalo administrativo no futebol com quatro contratações que não foram regularizadas, além de uma brecha regulamentar que salvou o Leão de uma grande punição com a escalação do zagueiro Pedro Henrique.

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No fim do mês de novembro de 2020, o Conselho Deliberativo do Sport adiou a eleição para o biênio 2021-2022 com o argumento de que o Sport precisava se concentrar em permanecer na Primeira Divisão. Vale lembrar que, por causa da pandemia da covid-19 e paralisação que ocorreu no futebol, a temporada passada só acabou neste ano. Na ocasião, a decisão gerou divergências entre os candidatos. O processo eleitoral só aconteceu após o segundo adiamento, em abril, pois a direção executiva da época, comandada por Milton Bivar e Carlos Frederico, disse que não existia segurança sanitária para a realização.

Em abril, já sem tempo para realizar qualquer planejamento, aconteceu um dos pleitos mais turbulentos da história do Sport. Primeiro, com a indefinição do candidato a presidente da situação. Milton Bivar anunciou que tentaria a reeleição, retirou a candidatura e pediu licença do cargo, mas voltou atrás após a grande rejeição que teve o nome de Fred Domingos. Em paralelo, a oposição também "brigava" entre si. Delmiro Gouveia, candidato do ex-presidente e irmão de Milton, Luciano Bivar, acusou Nelo Campos de não poder assumir o clube, pois apresentava débitos na vida particular. Nelo que era o principal opositor de Milton Bivar.

Antes mesmo do resultado da disputa política, Milton Bivar, afastado da presidência e comandando o futebol, acertou a renovação do técnico Jair Ventura e do meia Thiago Neves, principais nomes da permanência na Série A em 2020, entre outras ações do futebol. Afinal, a temporada 2021 já tinha começado e ainda não existia uma definição sobre o pleito. Após muito adiamento, entre todos os clubes da Série A que tinham no caminho uma eleição, o Sport foi o único que não realizou em dezembro de forma virtual, Milton Bivar foi reeleito presidente com uma diferença de 36 votos para Nelo Campos.

ANDERSON STEVENS/SPORT
Presidente do Conselho Deliberativo, Pedro Lacerda assumiu de forma interina o Executivo - ANDERSON STEVENS/SPORT

Logo no início da temporada 2021, o primeiro tropeço não demorou para acontecer. Pelo terceiro ano consecutivo, o Leão foi eliminado na primeira fase da Copa do Brasil. Desta vez, a Juzeirense foi a "pedra" no caminho do Sport. A segunda Era Jair Ventura foi curta. Após o grande tropeço na competição nacional, o Leão começou a oscilar no Pernambucano e foi eliminado na primeira fase da Copa do Nordeste. O suficiente para ser demitido e levar uma multa rescisória que girou em torno de R$ 500 mil, valor que gerou bastante polêmica nos bastidores da Ilha do Retiro.

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Umberto Louzer chegou, conseguiu levar o Sport para a final do Pernambucano, mas perdeu a decisão para o Náutico. Logo em seguida, no início do Brasileirão, precisou administrar uma grande bomba que estourou no Leão. Com pouco mais de dois meses após a eleição, Milton Bivar e Carlos Frederico renunciaram aos respectivos cargos de presidente e vice-presidente. Um novo imbróglio foi instalado na Ilha. O Conselho Deliberativo chegou a sinalizar que uma eleição indireta seria feita para a escolha dos sucessores. No entanto, depois de grande pressão da torcida e oposição, a eleição direta foi marcada. Mesmo assim, muito tempo foi perdido. Presidente interino, Pedro Lacerda deixou o Deliberativo e assumiu um mandato tampão no Executivo. O pleito suplementar aconteceu apenas em julho.

Novamente, o nome de Nelo Campos foi contestado. Desta vez, a candidatura foi até impugnada pela Comissão Eleitoral com a justificativa de que ele ainda apresentava débitos com o Serasa. Após muita indefinição, o grupo político dele escolheu Leonardo Lopes para ser o candidato a presidente, tendo Yuri Romão como vice. Com uma votação expressiva, ambos venceram José Valadares e Fernando Pessoa. Nelo Campos, então, assumiu o cargo de vice-presidente de futebol. A primeira decisão no comando do principal departamento? Manter Umberto Louzer no comando do Sport, apesar da equipe não ter conseguido render com o treinador no fim do Estadual e início da Série A.

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O presidente eleito Leonardo Lopes e o vice-presidente Yuri Romão - ANDERSON STEVENS/SPORT

A insistência foi tão grande que o substituto Gustavo Florentín só assumiu na última rodada do primeiro turno da Série A. Até nisso, o Sport demorou para tomar uma decisão. Louzer acertou a rescisão no final de agosto e, em setembro, o novo comandante leonino estreou no cargo. Como era esperado, o início de trabalho do técnico paraguaio foi bastante difícil. E, de quebra, teve que administrar uma nova bomba no Leão. Todo o departamento de futebol do Sport foi desligado após a não regularização de quatro contratações - goleiro Saulo, lateral-direito Jeferson, volante Aguirre e o atacante Vander - e de uma confusão de informações em torno da escalação irregular ou não do zagueiro Pedro Henrique, recém-contratado junto ao Internacional.

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Para completar, o presidente Leonardo Lopes pediu afastamento do cargo alegando problemas pessoais. Sobrou para o vice-presidente Yuri Romão a missão de reestruturar todo o departamento de futebol e passar a tranquilidade necessária para o técnico paraguaio Gustavo Florentín "tirar leite de pedra" com o limitado elenco do Sport, que ainda perdeu Thiago Neves e André, ambos pediram para deixar o clube.

Para assumir a vice-presidência de futebol, Romão convidou o ex-diretor Augusto Carreras. Juntos, conseguiram passar a mínima condição de trabalho para o treinador e o elenco. A reação na Série A aconteceu, Florentín caiu nas graças da torcida, a possibilidade de escapar do rebaixamento passou perto, mas já era tarde demais. O Sport foi rebaixado com três rodadas de antecedência, 33 pontos, na vice-lanterna.

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