Toda a dor de Camille Claudel

Filme traz Juliette Binoche no papel da escultora francesa
Ernesto Barros
Publicado em 03/01/2014 às 6:03
Filme traz Juliette Binoche no papel da escultora francesa Foto: Califórnia Filmes/Divulgação


Exibido rapidamente durante o Festival Varilux, em maio do ano passado, o longa-metragem francês Camille Claudel 1915 (2013), de Bruno Dumont, ganha mais uma chance de ser apreciado ao entrar na programação alternativa do Grupo Severiano Ribeiro/UCI, com sessões amanhã (04/01) e domingo (05/01), às 12h10, no Kinoplex Casa Forte.



A personagem principal, a escultora Camille Claudel, é uma velha conhecida das telas do cinema. Em 1998, o filme homônimo, de Bruno Nuytten e com Isabelle Adjani no papel título, fez com que a história de infortúnio da artista francesa corresse o mundo. De musa da escultura, seu nome se consagrou como vítima do abuso masculino.

Em Camille Claudel 1915, a história da vida da escultora se passa 20 anos depois do caso com o escultor Auguste Rodin. Mentalmente arrasada e sem trabalhar, ela vive em um asilo perto de Avignon, no interior da França, em meio a uma pequena multidão de lunáticos. Neste filme, Camille é interpretada com grande densidade por Juliette Binoche. Em vários momentos, a atriz extravasa toda a dor de Camille, que não pode mais se expressar artisticamente. Apesar da distante relação com Rodin, ela ainda culpa o escultor por roubar e aniquilar o seu talento.

Um dos mais importantes diretores francês dos últimos 15 anos, herdeiro espiritual de Robert Bresson, Bruno Dumont faz de Camille Claudel 1915 um filme que marca uma ruptura em seu método de trabalho. Uma das novidades é o uso de marcações temporais e atores profissionais. Em boa parte dos seu longas, a presença de atores não-profissionais e paisagens do interior da França – com exceção de 29 palms, de 2003, realizado nos Estados Unidos –, eram uma marca registrada.

Pouco chegado ao drama, Dumont sai um pouco de seu registro minimalista ao explorar a insatisfação da escultora em relação ao isolamento imposto pela família e ao convívio com os pacientes do hospício. Juliette divide as cenas com pelo menos cinco doentes de verdade. Eles babam, gritam e fazem caretas para a personagem/atriz. Um recurso da linguagem do cinema, a correspondência do olhar, é quase sempre quebrado quando os pacientes olham direto para a câmera/espectador.

Vistos aos olhos de hoje, fica claro que Dumont expõe os absurdos das instituições psiquiatras do passado e também do catolicismo do poeta Paul Claudel. Pelas cartas e documentos do famoso irmão da escultora, percebe-se que ele acusava a irmã pelos problemas que a levaram ao hospício.

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