Militantes assumem ter vazado vídeo para entregar William Waack

Um deles, Diego Rocha foi funcionário da Globo e teria flagrado o comportamento do âncora afastado do Jornal da Globo
JC Online
Publicado em 09/11/2017 às 17:40
Um deles, Diego Rocha foi funcionário da Globo e teria flagrado o comportamento do âncora afastado do Jornal da Globo Foto: Reprodução / Instagram


Um dos nomes de maior peso do videojornalismo no País, o jornalista William Waack foi afastado de suas funções por ter incorrido em suposta conduta racista. Ontem, em entrevista à Rádio Jovem Pan de São Paulo, os responsáveis pelo vazamento do vídeo que compromete a carreira e a imagem do jornalista, explicaram as razões porque resolveram divulgar o material.
Os autores do vídeo e de sua divulgação são o operador de VT Diego Rocha Pereira, 28; e o designer gráfico Robson Cordeiro Ramos, 29. Ambos são ligados a movimentos de cultura negra.

Nas imagens que vazaram na internet, Wiliiam Waack está se preparando para uma entrevista como parte da cobertura das eleições norte-americanas para presidente no ano passado. No momento, um carro dispara uma buzina atrás deles. Depois de xingar a pessoa com palavras de baixo calão, ele solta um comentário supostamente racista. Aparentemente, ele diz: "É coisa de preto”.

Durante a entrevista, eles contam como conseguiram o vídeo.

A imagem original foi conseguida por Diego, um ex-funcionário da Rede Globo. Ele conta que a equipe de link externo se preparava para a entrada de Waack ao vivo com um consultor. “Tudo aconteceu enquanto a produção estava colocando o microfone nele”, contou Diego. “Eu ainda voltei as imagens para ter certeza, não estava acreditando que ele teria falado aquilo. Fiquei tão revoltado que filmei com meu celular”.

Robson publicou o vídeo. “Soltei o vídeo em um grupo de líderes do movimento negro. Mas não foi premeditado essa repercussão, a ideia era mostrar para os amigos que um jornalista influente como ele também poderia ser racista”, disse ele, dizendo que o objetivo é combater o racismo. “Se nosso objetivo fosse fama ou dinheiro, teríamos feito antes”, diz Ramos.

Os dois dizem que, enquanto negros, se sentiram ofendidos com o comentário de Waack. "Ele faz o comentário de graça, tá tudo normal no estúdio, e ele fala de graça. Eu me revolto porque ele [Waack] trabalha com milhões de negros dentro da Globo. Ele é o âncora, ele traz a informação, mas em volta dele tem um monte de negros trabalhando. Fico imaginando como ele é fora da câmera”, diz Ramos.

Eles acreditam que a retaliação a Waack vai inibir outros comportamentos racistas no País.

Após as acusações de racismo, a Rede Globo decidiu, na noite da última quarta-feira (8), afastar o jornalista do comando do “Jornal da Globo”. A emissora ainda endossou que é contra qualquer tipo de manifestação racista.

Diz a nota:

“A Globo é visceralmente contra o racismo em todas as suas formas e manifestações. Nenhuma circunstância pode servir de atenuante. Diante disso, a Globo está afastando o apresentador William Waack de suas funções em decorrência do vídeo que passou hoje a circular na internet, até que a situação esteja esclarecida".

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