Comissão recomenda que líderes da Igreja respondam por atos de pedofilia cometidos por subordinados

Vários casos em que líderes religiosos, particularmente nos Estados Unidos, optaram por não sancionar ou mesmo cobrir padres pedófilos provocaram fortes reações de organizações de ex-vítimas
Da AFP
Publicado em 09/02/2015 às 12:47


A comissão do Vaticano para a Proteção das Crianças, recomendou na segunda-feira que "as pessoas em posição de liderança" na Igreja católica respondam pelos atos de pedofilia cometidos por seus subordinados.

Em um comunicado publicado após sua primeira plenária em Roma, a comissão disse ser "profundamente consciente que a questão da responsabilidade é de grande importância", evocando particularmente os bispos e autoridades das ordens religiosas.

Vários casos em que líderes religiosos, particularmente nos Estados Unidos, optaram por não sancionar ou mesmo cobrir padres pedófilos provocaram fortes reações de organizações de ex-vítimas.

Os 17 membros da comissão, reunidos de sexta-feira a domingo, decidiram apresentar uma proposta ao Papa Francisco sobre a questão da responsabilidade e de "desenvolver procedimentos para garantir que todos aqueles que trabalham com menores - clérigos, religiosos e laicos - sejam responsabilizados" em caso de atos pedófilos.

Na semana passada, o Papa Francisco enviou uma carta aos bispos e líderes religiosos católicos em todo o mundo, instruindo-os a nunca abafar os escândalos de pedofilia na Igreja.

A imagem da Igreja tem sofrido muito ao longo dos últimos vinte anos com a revelação de milhares de casos de crianças e adolescentes vítimas de abuso sexual por padres, especialmente na Irlanda e nos Estados Unidos entre 1960 e 1990.

Apesar da tomada de consciência, uma comissão da ONU considerou no ano passado em um relatório duro que ainda há muito a se fazer para ser transparente sobre esses crimes. E o assunto continua a ser tabu em muitos países da África, Ásia e América Latina.

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