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Igor Maciel: Ao propor AI-5, Eduardo Bolsonaro despreza os próprios eleitores

Como o AI-5 ajudou a cassar mandatos parlamentares e fechou o Congresso, onde Eduardo dá expediente, entre as primeiras pessoas que perderiam o emprego, estaria ele mesmo

Igor Maciel, da coluna Pinga Fogo
Igor Maciel, da coluna Pinga Fogo
Publicado em 01/11/2019 às 7:21
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Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
Como o AI-5 ajudou a cassar mandatos parlamentares e fechou o Congresso, onde Eduardo dá expediente, entre as primeiras pessoas que perderiam o emprego, estaria ele mesmo - FOTO: Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
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*Igor Maciel, titular da coluna Pinga Fogo

Eduardo Bolsonaro (PSL) em 2018 tornou-se o deputado federal com mais votos na História do Brasil. Ao todo 1.843.735 pessoas foram às urnas declarar que, livremente, escolhiam o filho “03” de Bolsonaro como representante. Em 10 meses, tal qual um garoto mimado que chora por um brinquedo e depois cansa dele, Eduardo trabalhou para abrir mão desse mandato em busca de um cargo como embaixador nos EUA.

>> Saiba o que foi o AI-5, citado por Eduardo Bolsonaro

Ao assumir o posto, para o qual não conseguiu apoio suficiente do Senado e desistiu, teria que renunciar ao mandato dado a ele pelos eleitores, mas isso não era problema. Agora, o filho mais novo do presidente da República – também eleito democraticamente pela maioria da população – levanta a possibilidade de um "AI-5" para responder à possibilidade de manifestações da esquerda, caso esses protestos se radicalizem. Como o AI-5 ajudou a cassar mandatos parlamentares e fechou o Congresso, onde Eduardo dá expediente, trata-se de novo ato de desprezo pelos próprios eleitores. Entre as primeiras pessoas que perderiam o emprego, estaria ele mesmo.

No ambiente político contemporâneo é difícil definir o que é estupidez, estratégia, ingenuidade ou apenas burrice. É tudo muito entrelaçado.

*Igor Maciel é colunista do JC

Voltou atrás

Depois de ampla repercussão contrária às declarações, divulgadas nesta quinta-feira (31), em que defendeu "um novo AI-5" para conter manifestações de rua da esquerda, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) pediu desculpas por suas falas e negou a defesa de um novo ato, em nova entrevista à TV. 

"Peço desculpas a quem porventura tenha entendido que eu estou estudando o retorno do AI-5, ou o governo, de alguma maneira - mesmo eu não fazendo parte do governo - está estudando qualquer medida nesse sentido. Essa possibilidade não existe. Agora, muito disso é uma interpretação deturpada do que eu falei. Eu apenas citei o AI-5. Não falei que ele estaria retornando", disse o deputado em entrevista por telefone à TV Bandeirantes.

Mesmo com o pedido de desculpas, o líder do PT na Câmara, o deputado Paulo Pimenta (RS), afirmou que a bancada do partido deverá entrar com uma queixa-crime contra o Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) no Supremo Tribunal Federal (STF). Para juristas ouvidos pelo jornal O Estado de S. Paulo, a declaração do filho do presidente Jair Bolsonaro fere a Constituição e pode justificar uma abertura de processo de cassação do mandato na Conselho de Ética da Câmara dos Deputados. 

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