Cenário econômico em Pernambuco, no Brasil e no Mundo, por Fernando Castilho

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Por Fernando Castilho
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Pernambuco perde o empresário Fernando Rodrigues que construiu o Hospital Alfa e o bairro de Jardim Brasil

Fernando Rodrigues deu início ao loteamento Jardim Brasil, vendido em menos de três meses com mais de 3 mil lotes, em Olinda

Fernando Castilho
Fernando Castilho
Publicado em 12/05/2021 às 17:30
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BOBBY FABISAK/JC IMAGEM
O Hospital Alfa foi construído em Boa Viagem como parte de uma nova rede de hospitais de alta tecnologia que chegou a três hospitais no Recife, Rio de Janeiro e Salvador. - FOTO: BOBBY FABISAK/JC IMAGEM
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Morreu nesta quarta-feira (12), no Rio de Janeiro, o empresário Fernando Antonio Torres Rodrigues, líder do Grupo Imobiliário Fator, que nasceu há 75 anos no Recife (PE) e que hoje tem sede no Rio de Janeiro. Ele sofria com um câncer e faleceu em decorrência da covid-19.

Rodrigues atuou fortemente na década de 60 e 70 construindo os prédios residenciais Evasco, El Dourado, na Boa Vista, e Veleiro e Marlim, em Boa Viagem. Em 2005, criou um braço hospitalar, a Rede Alfa, que teve três hospitais no Recife e Salvador, e o Hospital das Américas.

O prédio onde hoje funciona o hospital de referência da covid-19 do governo do Estado pertence ao grupo que o locou ao Governo do estado. Rodrigues era cunhado do ex-líder do Governo Fernando Collor Ricardo Fiuza, um dos fundadores do primeiro bloco chamado Centrão.

Fernando Rodrigues fundou e operou a Tabajara Crédito Imobiliário. Sua empresa imobiliária construiu em Olinda o Loteamento Jardim Brasil que se transformou no atual bairro do mesmo nome.

O loteamento Jardim Brasil foi vendido em menos de três meses com mais de 3 mil lotes que a seguir recebeu mais dois mil, implantando um novo bairro em Olinda. 

Junto com o irmão Vasco Rodrigues, o grupo pretendia construir de 15 a 20 hospitais de alta tecnologia no País, com a filosofia de cobrar dos planos de saúde preços justos para tê-los como parceiros e não concorrentes, mas o projeto não deu certo, e a iniciativa acabou num monte de processo na Justiça do Trabalho.

No Recife, foram investidos inicialmente R$ 200 milhões para construir um hospital de 214 leitos no (Boa Viagem), inaugurado no ano de 2005, e outro de 260 leitos em Salvador, inaugurado em março de 2006 tendo operado até 2010.

Fernando Rodrigues começou seus negócios no ramo imobiliário, na década de 60, atuando no setor da construção civil. O Grupo Fator só nasceu com conglomerado de empresas, em 1977, sua empresa família inaugurou no Recife o hospital João XXIII, com 70 leitos.

Em meados dos anos 1990, o hospital pernambucano foi vendido e o grupo decidiu que era o momento de partir para empreendimentos mais ambiciosos na mesma área.

O filho de Fernando contratou consultoria do grupo americano Quorum o maior do mundo em gestão hospitalar - e depois de muito amadurecimento o grupo fundou a Rede Alfa para construir uma rede de hospitais integrados. A ideia era juntar em uma mesma unidade o conjunto de modernas tecnologias existentes hoje em atendimento médico, laboratorial e hospitalar.

O primeiro empreendimento do Rio de Janeiro surgiu da constatação de que a área nobre da Barra da Tijuca (zona oeste) e seu entorno dispunha de uma rede de apenas 656 leitos de hospitais para o público atendido por planos de saúde quando a demanda, considerando uma população da área de aproximadamente um milhão de pessoas.

A proposta era de usar a tecnologia dispensando o uso da maca para a transferência do paciente do quarto para o centro cirúrgico. Com um capital de R$ 200 milhões, segundo Rodrigues, o grupo Fator já estudava localizações para outras unidades especialmente em Brasília. Os investimentos feitos na área hospitalar em 2006 somaram R$ 380 milhões.

Fernando Rodrigues foi essencialmente um construtor de prédios residenciais e além dos edifícios Evasco, El Dourado, Veleiro Marlim ele atuou na estruturação de loteamentos, granjas e edifícios comerciais.

Sua imobiliária não tinha a qualidade como referência, por se concentrar no preço, o que levava a prédios com altos custos de produção e problemas no pós-venda. Num mundo sem o Código de Defesa do Consumidor acumulou problemas com os clientes.

Mas ele também foi autor de prédios com arquitetura moderna especialmente em Boa Viagem e Piedade, onde construiu edifícios que desbravaram a região apesar das restrições de construção na beira mar por força das limitações decorrentes do cone do Aeroporto Internacional do Recife.

Em boa Viagem ele construiu o edifício Fator Hotel um flat onde no térreo abrigou uma franquia da boate Hipopótamos, do Rio de Janeiro que fechou anos depois.

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