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SÍNDROME DA DOMESTICAÇÃO

Domesticação diminuiu o cérebro dos animais ao longo das gerações; entenda

A domesticação funciona como um processo de tortura para o cérebro do cachorro

Cadastrado por

Paloma Xavier

Publicado em 12/01/2022 às 20:04 | Atualizado em 12/01/2022 às 20:04
O bulldog inglês é considerado como uma das raças mais dóceis - PIXABAY

Segundo estimativas, os cachorros se “separaram” dos lobos há cerca de 27 a 40 mil anos, com o 1° enterro de cachorro datado de 12.200 a.C. Nessa mesma época, os humanos começaram a domesticar esses animais.

As pessoas adoram ver um cachorrinho obedecer às ordens de seu tutor, como se sentar ou pular quando ordenado e até passando por circuitos em competições para pets.

Entretanto, a domesticação funciona como um processo de tortura para o cérebro do cachorro. Ovelhas, gados, porcos, cavalos e cachorros compartilham a mesma inteligência social dócil e agradável porque a domesticação tornou os cérebros desses animais menores no decorrer de gerações.

O que é a síndrome da domesticação?

Uma pesquisa publicada em 2020 na Royal Publishing Society, mostra que os porcos domesticados têm cérebros 35% menores do que os javalis. Isso constitui o fenômeno chamado síndrome da domesticação: um conjunto de efeitos colaterais que acontece em todos os animais sujeitos a esse processo.

O estudo analisou o sentido intuitivo dos cachorros domesticados e revelou que eles se tornam estúpidos, como crianças dependentes, cujas mentes se atrofiam por falta de sofrimento.

Nossos ancestrais avaliavam quais animais pareciam mais dóceis e podiam ser controlados mais facilmente. Dessa forma, criaram-nos de um jeito que comprometeu a anatomia do cérebro deles.

O aspecto dócil característico da síndrome acontece porque, indo contra a natureza dos animais, os cérebros domesticados encolhem em regiões específicas Algumas das afetadas comprometem o monitoramento de perigos ambientais, e, consequentemente prejudica a resposta do animal em uma situação entre fugir ou lutar é moderada. Ou seja, ele estão mais propensos a reagir com menos agressividade a ameaças em potencial.

Animais como porcos, vacas, cabras, ovelhas, cães e coelhos têm orelhas caídas, focinhos mais curtos, pelos mais claros e padrões de cores manchados porque as alterações morfológicas acontecem em toda a linhagem de seres domesticados que passam isso por meio dos genes.

A genética dos animais domesticados muda?

Conforme estudo publicado na revista Genetics em 2014, uma teoria mostra a existência de um conjunto específico de células chamadas "células da crista neural", que têm influência no desenvolvimento de todas as características de cada animal domesticado - inclusive a mansidão.

Durante o desenvolvimento desses animais no útero, as células da crista neural migram para os ouvidos e formam a cartilagem, a pele para criar cor e o nariz para aumentar o comprimento. Elas chegam até a se instalar nos rins para induzir a produção de adrenalina, hormônio responsável por alimentar a resposta de lutar ou fugir. A baixa quantidade de células desse tipo é responsável por transformar um lobo em um cachorrinho dócil.

Um estudo realizado em 1960 pelo Instituto de Citologia e Genética da Academia Russa de Ciências, separou 130 raposas prateadas e começou a criá-las para serem mansas. O experimento foi supervisionado pelo geneticista Dmitry Belyaev.

Em uma matéria do Washington Post de 1979 - 19 anos depois - Belyaev relata que notou mudanças físicas nos animais, como cauda enrolada, orelhas curtas, pele manchada e outras mudanças.

A pesquisa foi duramente criticada. Muitas pessoas tentavam encontrar uma maneira de justificar a prática contínua que deforma o comportamento animal. Algumas delas diziam, por exemplo, que as raposas eram mais domesticadas do que a maioria dos animais.

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