Em sabatina da Fiepe, Marília Arraes defende atração de indústrias para as periferias do Recife

Segundo Marília, o estímulo para que as indústrias se estabeleçam no Recife vai fomentar não só na geração de emprego, mas a qualidade de vida dos trabalhadores que serão eventualmente contratados
Luisa Farias
Publicado em 19/10/2020 às 14:46
PT Marília quer parceria com o setor empresarial para estimular retomada Foto: LAÍS SIQUEIRA/DIVULGAÇÃO


Arte: JC - Eleições 2020

Durante a sua participação na sabatina promovida pela Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe) na manhã desta segunda-feira (19), a candidata a prefeita do Recife Marília Arraes (PT) defendeu a atração de indústrias para a periferia da capital pernambucana. 

Segundo Marília, o estímulo para que as indústrias se estabeleçam no Recife vai fomentar não só na geração de emprego, mas a qualidade de vida dos trabalhadores que serão eventualmente contratados. "Isso) impacta na mobilidade, na forma como as pessoas vão se deslocar até seus empregos e que isso pode ser muito mais facilitado se a gente atrai esses locais que geram postos de trabalho próximo de onde as pessoas moram", pontuou a candidata.

>> Em sabatina na Fiepe, João Campos anuncia criação de uma agência de desenvolvimento semelhante a AD Diper

>> ''Vamos exigir da Compesa que cumpra com o seu dever'', garante Mendonça Filho, candidato a prefeito do Recife

A candidata elencou os números relacionados à indústria: Recife sedia 20% das indústrias do estado de Pernambuco. São mais de 1700 estabelecimentos industriais, em sua maiores pequenas indústrias, que empregam quase 30 mil pessoas. 

Marília também falou da necessidade de direcionar os programas de qualificação oferecidos com as demandas do mercado de trabalho, ação não é efetiva na gestão municipal, de acordo com a candidata. Ela apresenta como exemplo o Programa Universidade para Todos (Prouni) Recife, programa que oferece bolsas de estudo gratuitas em instituições privadas de ensino superior exclusivamente para os recifenses. 

"A gente tem que fazer com que esse investimento retorne para a prefeitura. Por exemplo direcionando os cursos que são oferecidos para as vagas que são ofertadas no mercado de trabalho. Hoje somente no Porto Digital existem 1500 vagas ociosas, porque não tem gente suficiente, qualificada, direcionada para aquela demanda que o mercado tem. Enquanto isso o Prouni Municipal está custeando vagas de cursos que muitas vezes não têm empregabilidade da mesma maneira e que pessoas estão cursando ali determinadas carreiras quando na verdade queriam estar cursando outras", afirmou Marília. 

A candidata também falou sobre uma parceria com o setor empresarial para estimular a recuperação econômica e lembrou da sua proposta de microcrédito para empreendedores. De acordo com essa proposta, será criado um fundo gerido pela prefeitura do Recife com recursos serão oriundos de uma reserva anual de 1% da Receita Corrente Líquida (RCL) do município, equivalente a R$ 50 milhões. 

>> Marília Arraes propõe criação de fundo para oferecer crédito a empreendedores

"A gente já fez um estudo orçamentário e dá para destinar 1% da Receita Corrente Líquida para que a gente possa ajudar esses microempresários, essas pessoas que empreendem, esses empreendedores individuais, os trabalhadores informais também para que eles possam ser inseridos no mercado de trabalho, no processo de geração de renda", afirmou Marília. 

A prefeitura vai subsidiar 50% do crédito, segundo explicou a petista na sabatina. "Esse dinheiro vai retornar para a gente. Metade a prefeitura vai oferecer como benefício, como forma de um auxílio e a outra metade esses trabalhadores vão retornar, vão pagar em 24 meses sem juros, porque não faz sentido cobrar juros de pessoas que já foram tão massacradas pela crise", disse. 

Marília também voltou a criticar a proposta de Crédito Popular apresentada pelo seu adversário João Campos (PSB), que propõe linhas de crédito de R$ 3 mil e taxas de juros reduzidas. A meta inicial é de realizar 10 mil operações por ano, totalizando um investimento de R$ 23 milhões em quatro anos de gestão.  

"Pelos números que ele oferece beneficiaria cerca de 1600 pessoas por ano. Qual é o impacto que vai gerar para a nossa sociedade? O Recife tem 150 mil desempregados, ou seja, isso não vai impactar diretamente na economia e fora que vai emprestar dinheiro a juros para as pessoas que estão em uma situação gravíssima de crise", pontuou a candidata. 


IPTU Verde

Outro ponto levantado pela candidata foi a proposta do Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) Verde, com o oferecimento de benefícios fiscais como estímulo à coleta seletiva, aliado a uma moeda social que circule entre os bairros. 

"Cerca de 98% do lixo do Recife não é reaproveitado, então nós temos a proposta de vincular o estímulo a essa coleta seletiva, tanto a benefícios no IPTU quanto a também a uma moeda social. A periferia pode contribuir e muito com a coleta seletiva, agora com estímulo por meio da coleta social, para que esse recurso que a prefeitura vai economizar por haver uma coleta seletiva que funcione de verdade, retorne para aquelas pessoas que são de áreas mais populares, mais carentes e que esse dinheiro passe a circular ali na própria região", completou a candidata.

Creches

Uma da série de perguntas de empresários do setor industrial feitas à candidata foi sobre o que faria para garantir o cumprimento da diretriz do Plano Nacional de Educação (PNE) que prevê que até 2024, 50% das crianças de até três anos e 11 meses estejam matriculadas em creches. 

Marília ressaltou a sua promessa de zerar a fila nas creches municipais, uma das prioridades do seu plano de governo, além de zerar as palafitas e erradicação de um terço dos pontos de risco dos morros do Recife. Segundo Marília, o programa voltado para as creches começaria com um diagnóstico do déficit de vagas. 

A ideia é criar creches comunitárias com imóveis adaptados nas comunidades, próximas as famílias, e gestão da prefeitura em parceria com as próprias mães. "Isso vai aumentar a arrecadação do Fundeb, é perfeitamente possível implementar, com orientação pedagógica e nutricional desses espaços, mas que as mães atuem colocando em prática essa política", explicou Marília. 

Ainda de acordo com a proposta da candidata, serão dois turnos de seis horas nas creches e um pelo período de 12 horas. Marília ressaltou que o programa vai integrar ações das Secretarias de Educação e Assistência Social. "Essas mães vão ter uma rede de apoio seja para inserção de programas sociais, seja para o combate à violência contra a mulher, vão passar por todo um diagnóstico da situação social de cada família, de cada criança, de cada mulher que está ali deixando o seu filho, para que a gente possa ter uma assistência maior da prefeitura", completou. 

Confira a participação da candidata na sabatina:

TAGS
eleiçõesSJCC eleições 2020 Marília Arraes
Veja também
últimas
Mais Lidas
Webstory