Eleições 2020: PSDB, DEM e outros partidos de centro vão governar a maioria dos eleitores

Puxado pela vitória de Bruno Covas em São Paulo, o PSDB se manterá como o partido que governa uma parcela maior da população
JC
Publicado em 30/11/2020 às 19:17
Prefeito Bruno Covas (PSDB) foi reeleito para mais quatro anos no comando da Cidade de São Paulo, com apoio do governador de São Paulo, João Doria (PSDB) Foto: ANTONIO MOLINA/ESTADÃO CONTEÚDO


Com os resultados das eleições municipais já confirmados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cinco partidos de centro governarão a maior parte da população brasileira e as maiores economias entre as cidades do País. Essas legendas também estão entre as que mais elegeram prefeitos.

Puxado pela vitória de Bruno Covas em São Paulo, o PSDB se manterá como o partido que governa uma parcela maior da população. Terão prefeitos tucanos 34 milhões de pessoas país afora, ante 26 milhões do segundo partido com o maior tamanho nesse quesito, o MDB. Adotando-se o mesmo critério, os tucanos e emedebistas são seguidos pelo DEM, PSD, PP e PDT, todos com mais de 10 milhões de habitantes nos municípios comandados.

Embora esteja no topo da lista, o PSDB perdeu o controle de importantes cidades, sofrendo uma queda de aproximadamente 40% no tamanho da população governada, quando os dados deste ano são comparados com 2016. Ao todo, 14,3 milhões de pessoas deixaram de ser governadas pela sigla.

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Esquerda e Bolsonarismo enfraquecidos

O resultado do segundo turno confirmou a redução do espaço dos partidos tradicionais de esquerda. Do grupo, o PSB, do prefeito eleito do Recife João Campos, foi o mais enfraquecido. Os socialistas têm saldo negativo de 7,4 milhões de habitantes. O resultado foi influenciado por derrotas eleitorais em cidades como Paulista, no Grande Recife, e em Rio Branco, no Acre. Além disso, a migração para o PSD do prefeito reeleito Guarulhos, Guti, ajudou a encolher o tamanho da legenda neste quesito.

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Juntos, PDT, PSB, PT e PCdoB, perderam prefeituras em relação a 2016 e governarão 27 milhões de habitantes, ou seja, menos de 13% da população total. O grupo venceu em apenas 12 das 96 maiores cidades.

Em contraste com os demais partidos da esquerda, o PSOL aumentou o seu capital eleitoral em 2020 e conquistou a prefeitura de Belém, no Pará, que passará a ser a maior cidade já administrada pelo partido em toda a sua história.

Entre os candidatos apoiados publicamente pelo presidente Jair Bolsonaro, o único a obter sucesso nas urnas foi Tião Bocalom em Rio Branco. O PSL, partido pelo qual o atual chefe do Executivo nacional se elegeu em 2018, comandará mais prefeituras, contudo nenhuma delas está entre as 96 maiores do país. Já o Republicanos, partido de dois dos três filhos do presidente, levou três grandes cidades, entre elas uma capital — Vitória (ES) — e uma com mais de 1 milhão de habitantes — Campinas (SP) —, mas perdeu o comando do Rio de Janeiro (RJ).

Centro fortalecido

Por outro lado, o centro sai com mais força das eleições municipais. O grupo tem a legendas que mais ganharam habitantes para governar. Em primeiro vem o DEM, que passou por reveses nos tempos em que o PT detinha a Presidência da República, com saldo positivo de 13,5 milhões de habitantes. O partido foi ajudado pela vitória de Eduardo Paes no Rio de Janeiro, onde vivem mais de 6,7 milhões de habitantes. Em seguida vêm PSD, com 9,5 milhões, e PP, com 6,9 milhões.

Na avaliação do cientista político, o recorte de população governada tem importância no jogo de forças partidário do país porque reflete as zonas de influência de cada agremiação, um ativo, por exemplo, na hora da montagem dos palanques nas eleições gerais de 2022. “Também reflete o peso orçamentário sob a administração de cada legenda, fator relevante para a confecção de vitrines políticas ou na formação de novas lideranças de projeção nacional”, diz o especialista.

Confira o ranking de habitantes por partidos:

MARCELO APRÍGIO/JC - Ranking de habitantes por partidos
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Política Brasil Eleições 2020
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