Petrolina

Família Coelho ignora ranço do MDB por Bolsonaro e, ao lado de Queiroga, se derrete em elogios ao governo federal

Ministro da Saúde está em Pernambuco e participou de inaugurações na rede de atenção básica de Petrolina nesta segunda (2)

Renata Monteiro
Renata Monteiro
Publicado em 02/08/2021 às 16:30
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Jonas Santos/Divulgação
Fernando Bezerra Coelho, Marcelo Queiroga, Miguel Coelho e Antônio Coelho em Petrolina - FOTO: Jonas Santos/Divulgação
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Após ignorar a decisão do MDB de Pernambuco de não lançar candidatura a governador em 2022 e iniciar, na semana passada, um giro pelo Estado para tratar do pleito do próximo ano com lideranças de oposição, a família Coelho recebeu em Petrolina nesta segunda-feira (2) o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, para inaugurações na rede de atenção básica da cidade. Apesar de a proximidade do clã com o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ter sido apontado pela cúpula emedebista como o principal motivo para o veto à postulação de Miguel Coelho a governador, todos os membros da família fizeram elogios efusivos ao governo federal, relacionados principalmente a ações ligadas ao combate da pandemia e à vacinação.

Desde que demonstrou interesse em disputar o Palácio do Campo das Princesas, Miguel despertou entre os emedebistas pernambucanos a dúvida sobre quem seria o candidato a presidente apoiado por ele em 2022. Como o seu pai, Fernando Bezerra Coelho (MDB), é o líder do governo Bolsonaro no Senado, a hipótese de que ele estaria ao lado do militar da reserva no pleito era a mais aceita na sigla, mesmo que o pré-candidato não tenha declarado isso abertamente em nenhuma ocasião.

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O problema é que, além de o MDB integrar, hoje, a base de apoio ao governador Paulo Câmara (PSB), Jarbas Vasconcelos e Raul Henry, os dois maiores caciques locais do partido, fazem dura oposição ao governo federal no Congresso. Além disso, nacionalmente a legenda tem tido reiterados posicionamentos contrários ao presidente e até ameaçou expulsar filiados que porventura aceitem algum ministério deste governo.

O gesto dos Coelho nesta manhã, portanto, desenha duas possíveis estratégias em que o grupo pode estar apostando: esticar a corda dentro do partido para tentar convencer a nacional a abraçar Miguel sem abrir mão de um possível apoio de Bolsonaro, ou deixar o MDB e entrar em uma sigla que esteja alinhada com o presidente. Agora em agosto, FBC tem uma reunião marcada com o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, para tratar sobre as eleições em Pernambuco.

"Toda hora que a gente bate na porta dos gabinetes, a gente encontra o senhor (se dirigindo ao ministro Queiroga), a gente encontra o presidente Bolsonaro, uma pessoa muito atenciosa e que não tem medido esforços para que a gente possa tratar os municípios necessitados do Brasil com mais atenção. E essa proatividade do governo federal, essa garra de estar sempre presente, sempre fazendo cada vez mais, é na verdade um alento, principalmente quando a gente compara com a omissão e falta de compromisso do Governo do Estado", observou o deputado estadual Antônio Coelho (DEM) durante a solenidade.

FBC, por sua vez, ressaltou o que considera acertos do governo durante a pandemia e disse, sobre as investigações em curso na CPI da Covid, que se houve algum tipo de "omissão" por parte do Executivo federal, ela não foi intencional. "No meio de uma pandemia em que o governo se tornou algo de críticas, sobretudo com relação à campanha de vacinação, o ministro Marcelo queiroga não deu bola para as intrigas nem para as críticas ácidas que têm sido veiculadas. Preferiu trabalhar e o que a gente assiste é que, além de ter concluído a aquisição de mais de 600 milhões de doses, ele buscou antecipar o calendário de entregas e hoje o Brasil já avança para mais de 60% da população adulta vacinada com uma dose da vacina", detalhou o senador, dizendo acreditar que, em outubro, "se a gente continuar nessa pisada, é capaz de o Brasil ter passado os Estados Unidos em termos de vacinação da sua população".

"É evidente que em uma pandemia dessas, com uma doença desconhecida, que foi um desafio para toda a ciência do mundo, pode ter ocorrido erros, omissões, mas nada de forma dolosa. Tudo o que se fez foi para buscar o melhor resultado e foi feito muita coisa. O presidente Bolsonaro não esqueceu da solidariedade federativa. Quanto muitos criticam, esquecem de falar dos R$ 33 bilhões que foram transferidos para Estados e municípios brasileiros", completou o parlamentar sertanejo.

No seu pronunciamento, Miguel Coelho também priorizou os agradecimentos ao governo Bolsonaro e o estreitamento de laços com o Ministério da Saúde. "Se não fossem os repasses que o governo federal foi presente em trazer, a situação do Brasil seria muito pior do que foi e do que está sendo ao longo dessa pandemia. Foi através do dinheiro do governo federal que a gente conseguiu abrir leitos de UTI, hospitais de campanha, conseguimos fazer o treinamento e preparar todos os investimentos e tecnologias para, hoje, viabilizar a aplicação das vacinas que estão vindo do governo federal", pontuou.

O plano dos Coelho de apostar em uma possível aliança com o presidente Bolsonaro em 2022 se assemelha em muito à estratégia do então candidato à Prefeitura do Recife, Mendonça Filho (DEM), em 2020. Na época, em diversas ocasiões o democrata demonstrou alinhamento com o governo do militar da reserva, sem que o presidente desse nenhuma garantia da formalização desse apoio nas urnas. Às vésperas do primeiro turno, Bolsonaro acabou apoiando a Delegada Patrícia (Pode) no pleito.

Inaugurações

Esta foi a primeira visita oficial de Queiroga a Petrolina e, durante a sua passagem pela cidade, o ministro participou da entrega de novas estruturas para atendimento básico e especializado à população. Apenas hoje foram inaugurados um novo posto de saúde, as obras de requalificação da policlínica e um equipamento para mamografias.

"Temos que investir forte em toda a estratégia de saúde da família. É controlando a pressão arterial, o diabetes, levando a atenção adequada às crianças que faremos a verdadeira revolução do sistema de saúde", observou o auxiliar de Bolsonaro.

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