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Contrariando desejo da torcida, reunião do Conselho Deliberativo do Sport será exclusiva para conselheiros

Torcida do Sport deseja que reunião do Conselho Deliberativo aconteça de forma aberta para todo mundo, mas será apenas para conselheiros, segundo o vice-presidente do Deliberativo

Lucas Holanda
Lucas Holanda
Publicado em 16/06/2021 às 10:57
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ARNALDO CARVALHO/ACERVO JC IMAGEM
As novas eleições no Sport serão realizadas no dia 15 de julho - FOTO: ARNALDO CARVALHO/ACERVO JC IMAGEM
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A reunião do Conselho Deliberativo que vai definir o futuro do Executivo do Sport após as renúncias de Milton Bivar e Carlos Frederico será exclusiva para os conselheiros do clube. Quem confirmou isso foi o vice-presidente do órgão, Gustavo Oiticica, em rápido contato com a reportagem do Jornal do Commercio. Questionado se a discussão entre os rubro-negros seria transmitida ao vivo e aberta para os torcedores leoninos, Oiticica afirmou que não. "Será virtual nos moldes das anteriores. É uma reunião exclusiva para referendar a pessoa que vai ficar neste período de 20 dias", disse.

Nas redes sociais, a torcida do Sport vem levantando hashtags para que a reunião do Conselho Deliberativo seja aberta para todo mundo, sendo divulgada na conta oficial do clube no Youtube. O motivo é óbvio: é um dia importante na democracia rubro-negra e o torcedor quer acompanhar de perto o que será definido sobre o futuro do clube. Os leoninos, inclusive, estão organizando um protesto na tarde desta terça-feira na Ilha do Retiro.

Na noite dessa terça-feira, as renúncias de Milton Bivar e Carlos Frederico, presidente e vice-presidente, respectivamente, foram oficializadas. A partir daí, o Conselho Deliberativo marcou uma reunião extraordinária, às 19h30, para debater o futuro do Executivo do clube - que está sem presidente desde ontem. De acordo com o estatuto do Sport, um vice-presidente provisório deve ser escolhido pelos conselheiros. Em um prazo de até 15 dias, essa pessoa deve convocar uma nova eleição para que os associados leoninos decidam quem vai comandar o Rubro-Negro até o fim da próxima temporada.

Ainda nessa terça-feira, a possibilidade de eleição indireta, com o Conselho Deliberativo escolhendo o presidente e vice-presidente foi levantada. No entanto, foi rechaçada quase que por unanimidade entre os rubro-negros. O estatuto do clube, inclusive, é muito claro com relação a esse ponto. A eleição indireta é algo possível, mas desde que seja para eleger um presidente provisório, com ele sendo o responsável em conduzir eleições diretas, como manda o estatuto do clube.

No art. 88, que fala sobre essa possível eleição indireta, também está escrito que deve ser ‘observado o art. 86’, ou seja, trazendo a interpretação que o escolhido pelo Conselho Deliberativo assumiria de forma provisória, ficando até os sócios escolherem o novo presidente. “Paragrafo único: Na hipótese de vacância simultânea dos cargos do Presidente Executivo e de Vice-Presidente Executivo, o Conselho Deliberativo realizará a eleição de que trata este artigo observando o disposto no art. 86”, diz um trecho do art.88.

E o que diz o art. 86? Afirma que, quando a renúncia acontece antes de chegar na metade do mandato, algo que aconteceu com Milton Bivar, o vice-presidente executivo, Carlos Frederico, assumiria provisoriamente e convocaria eleições diretas. E aí, se o vice também renuncia, como aconteceu, o Conselho Deliberativo tem a missão de eleger o novo presidente provisório, que por sua vez tem a missão de convocar o pleito normal e com direito a voto para os sócios.

O que diz o Estatuto?

Art. 86. Decorrido metade do mandato do Presidente Executivo, se houver a vacância do cargo, este será assumido pelo Vice-Presidente Executivo, pelo restante do mandato.

§1º. Ocorrendo a vacância do cargo de Presidente Executivo antes de alcançada a metade do mandato, será realizada eleição para o cargo no prazo máximo de quinze dias e a substituição pelo Vice-Presidente Executivo será provisória, até à posse do eleito.

§2º. O Vice-Presidente, no exercício provisório do cargo de Presidente Executivo, dará continuidade às ações por este desenvolvidas.

Art. 87. O Presidente Executivo e o Vice-Presidente Executivo poderão se licenciar do cargo pelo prazo máximo de seis meses, mediante concessão do Conselho Deliberativo.

§1º. Quando licenciado, o Presidente Executivo será substituído pelo Vice-Presidente Executivo.

§2º. As licenças aos Vice-Presidentes e Diretores serão concedidas pelo Presidente-Executivo.

§3º. A substituição do Vice-Presidente licenciado se dará, preferencialmente, por um Diretor do respectivo departamento.

Art. 88. Havendo licenciamento simultâneo do Presidente Executivo e do Vice-Presidente Executivo, o Conselho Deliberativo se reunirá de imediato e em regime de urgência para eleger um Vice-Presidente Executivo que, nessa qualidade, exercerá o cargo de Presidente Executivo, com mandato até o retorno de qualquer um dos licenciados.

Paragrafo único: Na hipótese de vacância simultânea dos cargos do Presidente Executivo e de Vice-Presidente Executivo, o Conselho Deliberativo realizará a eleição de que trata este artigo observando o disposto no art. 86.

Como foi a última eleição do Sport?

A eleição do Sport foi marcada por muita turbulência. Inicialmente prevista para acontecer no dia 18 de dezembro de 2020, de acordo com o estatuto do clube, a definição do novo presidente só ocorreu em 9 de abril de 2021. Foi um processo eleitoral agitado, marcado por adiamentos (três no total) e um clima de efervescência política muito grande. Além disso, houve uma troca na chapa da situação, com Milton Bivar assumindo a cabeça do grupo no lugar de Fred Domingos.

No dia do processo eleitoral, Milton Bivar foi reeleito presidente do Sport. Ele venceu Nelo Campos, principal opositor, com uma diferença de 38 votos. 1023 sócios escolheram Bivar, enquanto 985 optaram por Nelo. Delmiro Gouveia teve 232 votos e Eduardo Carvalho conseguiu 119 adesões ao seu projeto. O pleito do dia 9 de abril, aliás, foi realizado via drive-thru, algo que pode se repetir caso novas eleições sejam convocadas com a renúncia de Milton Bivar.

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