Renato Góes se torna um Médico Sem Fronteiras em 'Os Dias Eram Assim'

Em entrevista, o recifense de 30 anos diz acreditar que vivemos um momento de luta semelhante ao dos ''anos de chumbo''
da Estadão Conteúdo
RAQUEL RODRIGUES
Publicado em 26/04/2017 às 10:40
Em entrevista, o recifense de 30 anos diz acreditar que vivemos um momento de luta semelhante ao dos ''anos de chumbo'' Foto: Foto: GShow/Divulgação


Renato Góes aproveita os dias de glória interpretando o protagonista da trama das 23h da Globo, Os Dias Eram Assim. Após dar vida a Santo na primeira fase de 'Velho Chico' (2016), o ator recebeu o convite para ser o personagem principal da história de Angela Chaves e Alessandra Poggi. E, por conta disso, foi liberado de 'A Lei do Amor' (2016/2017). No enredo atual, o médico Renato é obrigado a se afastar de Alice (Sophie Charlotte) depois da intervenção de Vitor (Daniel de Oliveira) e Arnaldo (Antonio Calloni). Então ele foge para o Chile e se torna membro da organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras. A armação para afastar os dois amantes inclui mentiras que o fazem acreditar que seu grande amor resolveu abandoná-lo.

Na entrevista a seguir, o recifense de 30 anos fala sobre o novo trabalho, sua preparação para o papel e como foram as gravações em Chiloé, arquipélago ao sul do Chile. Além disso, o ator conta o que estudou sobre o período histórico abordado, entre 1970 e 1984, comenta seu lado musical e abre o jogo sobre as cenas quentes da trama.

ENTREVISTA: RENATO GÓES

Você foi muito elogiado por sua interpretação em 'Velho Chico' e agora está protagonizando 'Os Dias Eram Assim'. Sente uma responsabilidade maior?

RENATO GÓES - Quando estava fazendo 'Cordel Encantado', o (Marcos) Caruso falou da evolução natural da profissão. Ele disse: "Renato, quando vierem os aplausos, que eles não alimentem teu ego, e, sim, a sua responsabilidade". Então, acho que esse é um momento disso. Estou focado nessa responsabilidade, mas não acho que isso veio do nada. É uma construção de onze anos que estou longe da família, dos amigos e seguindo o que idealizei. Não é algo que veio de surpresa, mas que venho construindo.

Você foi retirado do elenco de 'A Lei do Amor' para fazer 'Os Dias Eram Assim'. Como foi sua preparação?

RENATO - A principal informação que eu tinha para a formação do caráter do personagem é que ele viria a ser um Médico Sem Fronteiras. Então, resolvi beber da fonte mesmo. Principalmente quando comecei a frequentar a sede da organização no centro do Rio de Janeiro. Eles não estão ali por nada a não ser amor ao próximo. Era o coração deles que eu queria para o Renato. A minha principal preparação foi focar neles.

Conte um pouco mais sobre esta experiência...

RENATO - Fui lá e eles me apresentaram toda a história através de fotos, falando da mentalidade do projeto. Foi uma experiência muito boa. A gente falava com parteiras de campo, pessoal de todo tipo de logística, os enfermeiros e médicos. Tiveram alguns que puderam fazer reuniões com a gente (o elenco). Foi um momento bem enriquecedor da preparação.

E como foram as gravações no Chile?

RENATO - Sempre comento que, quando você começa pela externa, por um lugar onde está o elenco e a produção unidos em um hotel, todo mundo acaba de gravar e discute as cenas. Você passa entre 20 e 40 dias respirando aquilo. Então, o fato de ter começado a gravar no Chile foi muito bom. Pisar num lugar, sentir as pessoas, ouvir como elas falam e se comportam é o melhor laboratório.

'Os Dias Eram Assim' se passa entre 1970 e 1984. De que forma você estudou esse período histórico?

RENATO - Eu li um livro chamado 'Exílio' (de autoria de Marcela Tagliaferri) e também ouvimos depoimentos de muitas pessoas como Peninha, Nelson Motta e Fernando Gabeira, que nos contaram um pouco das suas experiências em workshops. Vi ainda documentários como 'Militares da Democracia: Os Militares que Disseram Não' e 'Uma noite em 67'.

Você viveria numa época como essa?

RENATO - Viveria, com certeza, porque acho que estamos em um momento que a gente tem de lutar, saber dos nossos ideais, correr atrás, levantar nossa bandeira e, na época, a batalha seria a mesma. Talvez maior, por falta de conhecimento de uma série de acontecimentos que hoje discutimos abertamente e facilita nosso entendimento. Por outro lado, tinha a riqueza da música. É uma época em que surgiu muito do que escuto até hoje. A Tropicália é um movimento com o qual me identifico muito.

Você canta (ao lado de parte do elenco) a música 'Aos Nossos Filhos' na abertura de 'Os Dias Eram Assim'. Pensa em explorar mais esse lado?

RENATO - Eu fiz o Marcelo D2 no cinema, no filme 'Anjos da Lapa', que deve estrear no final do ano. Essa foi uma primeira experiência que exigiu de mim a música. Fiz uma preparação e foi a minha forma de me familiarizar. Sou um cara musical. Venho descobrindo e gostando disso, mas, de repente, talvez eu possa usufruir mais disso. Toco violão, bateria e percussão.

Uma trama das 23h costuma ter cenas quentes, por causa da liberdade do horário. Está sendo tranquilo pra você?

RENATO - Isso nunca foi tabu pra mim. Mas a gente trata de uma forma muito linda. Sempre dei sorte e tive o privilégio de trabalhar com diretores que tiveram um cuidado muito grande na hora dessas cenas. A nudez não é o chamariz da novela de jeito nenhum.

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