Mariposa Cartonera faz seus primeiros lançamentos em papelão

Editora recifense criada por Wellington de Melo mostra livros de Sidney Rocha, Micheliny Verunschk e Bruno Liberal
Diogo Guedes
Publicado em 21/03/2014 às 5:53


Na contramão da padronização dos livros, as obras artesanais sempre buscaram atrair leitores por sua capacidade de serem únicas. O movimento cartonero, nascido em 2003, na Argentina, radicaliza esse caminho, trazendo a economia solidária e a reciclagem para a cadeia produtiva do livro, através de capas de papelão produzidas à mão, em parcerias com catadores do material, e investindo em ousadia editorial. No fim do ano passado, o Recife ganhou a sua primeira iniciativa do tipo, a Mariposa Cartonera, criada pelo escritor Wellington de Melo, que faz nesta sexta (21/3) um lançamento coletivo dos seus mais novos títulos no Café Castro Alves (Rua do Lima, 280, Santo Amaro), às 20h.

Na ocasião, três livros são lançados, todos com uma tiragem exclusiva de 50 exemplares – numerados e assinados –, produzidos pelo próprio Wellington. Os primeiros convidados da Mariposa foram três nomes de boa trajetória: os escritores Sidney Rocha e Bruno Liberal, do Ceará e de Goiás, respectivamente, e a poeta pernambucana Micheliny Verunschk. O projeto gráfico é de Sidney e da designer Patrícia Cruz Lima, com direito a caricaturas de Miguel Falcão, chargista deste JC.

“A ideia é publicar autores contemporâneos de diferentes linguagens. Fui atrás de escritores de que gosto e que entendem o espírito da editora”, conta Wellington. A primeira seleção mostra a diversidade da editora. Castilho Hernandez, o cantor e sua solidão, de Sidney, é uma seleta dos seus contos utilizados em sala de aula pela professora e organizadora do volume Zuleide Duarte, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Tirados dos volumes Matriuska e O destino das metáforas (vencedor do Jabuti de contos), são uma bela introdução à prosa do cearense radicado em Pernambuco. O conto-título do livro, por exemplo, mostra um cantor esquecido, Castilho, que decide fingir ser um cover de si mesmo em um concurso.

Os poemas de b de bruxa, da pernambucana Micheliny, são inéditos em livros. “Ela escrevia os textos no Facebook, discutindo e alterando. Depois, propus editar em livro e ela topou na hora”, conta Wellington. A obra, alternando poemas em verso e prosa, brinca com a ideia de bruxas que se alimentam de homens – aqui, eles são as caças e não os caçadores.

Bruno Liberal, goiano radicado em Petrolina, republica em Juro por Deus que é um final feliz um dos contos do seu livro Olho morto amarelo, em uma nova versão, e traz dois textos inéditos: O contrário de B. e Esse último sorriso. Como as capas foram feitas por uma oficina na Bomba do Hemetério, o autor aceitou doar os direitos autorais para o fortalecimento do movimento cartonero no bairro.

Leia a matéria completa no Jornal do Commercio desta sexta (21/3)

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