K-pop

K-pop é fenômeno em ascensão no Ocidente

Vários sucessos de grupos do gênero vêm dominando paradas musicais por todo o mundo

João Rêgo
João Rêgo
Publicado em 03/06/2019 às 13:02
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Vários sucessos de grupos do gênero vêm dominando paradas musicais por todo o mundo - FOTO: Reprodução
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Em 2012, o videoclipe da música Gangnam Style, do rapper sul-coreano Psy, despontava como o mais visto na história do YouTube. Hoje em 6º lugar no ranking, talvez a composição já não goze do mesmo prestígio, mas o mesmo não pode ser dito da indústria por trás dela. O pop sul-coreano, ou k-pop, se tornou um dos mercados musicais que mais crescem no mundo. Astros, boybands e girlbands que já dominavam seu país, agora exportam seus hits e figuram no topo de paradas musicais longe do seu território.

Fruto de um processo de mais de 15 anos, o sucesso de hoje também contou com incentivos estratégicos do próprio governo da Coreia do Sul. Dentro do Ministério da Cultura do país, por exemplo, há uma pasta dedicada exclusivamente para o gênero – o “departamento k-pop” – que visa movimentar a economia através da lucrativa indústria. No orçamento de 2019, a propósito, o país dedicará R$ 6,4 bilhões a cultura.

Pernambuco, por sinal, vem recebendo por diversos anos um festival dedicado à disseminação da cultura coreana no Estado (que inclui o k-pop na maior parte da sua programação). Uma iniciativa que parte da própria embaixada do país no Brasil. O evento é o momento perfeito para os fãs locais juntarem seus grupos de dança – inspirados pelas coreografias do gênero – e se apresentarem em concursos, além de reunir um considerável número de "armys" (nome dado a fãs dos grupos sul-coreanos). 

Para além dos subsídios estatais ou privados, o fenômeno do k-pop também é resultado das suas próprias particularidades dentro da cultura pop. Coreografias milimetricamente sincronizadas, concepções sonoras bem marcantes, a criação de “idols” e o cuidado com suas imagens, entre outras distinções, criaram um público consumidor muito fiel ao gênero.

Este cenário também foi propício para o surgimento de alguns problemas. Diversos artistas já tentaram o suicídio – por pressões relacionadas à manutenção da imagem na indústria (Kim Jong-hyun, principal vocalista do SHINee, suicidou-se aos 27 anos; Seo Min-woo, líder do grupo 100%, morreu após uma parada cardíaca possivelmente causada por overdose, para citar alguns casos), inúmeras denúncias já revelaram abusos de empresas do ramo com artistas, além dos mais recentes escândalos sexuais envolvendo grandes nomes do meio.

Apesar dessas complicações, a tendência do k-pop vem sendo a expansão. O forte relacionamento com o público e sua boa aceitação no Ocidente o alçaram a lugares antes inimagináveis – até Kim Jong-Un, líder norte-coreano, assistiu a um concerto do gênero.

Os brasileiros também não ficaram de fora. Toda essa efervescência foi trazida para o país no dia 25 deste mês na cidade de São Paulo.

Talvez maior expoente do gênero no cenário ocidental – sendo o primeiro grupo de k-pop a ter o álbum número um de vendas nos EUA –, a boyband BTS apresentou a turnê Love Yourself: Speak Yourself para um público de 42 mil pessoas. Número que traduz muito bem a força do k-pop no Brasil.

Uma das fãs no show era a pernambucana Mariana Alves. Apaixonada desde 2017 pelo conjunto, ela viajou a São Paulo para poder acompanhar a apresentação.

“Cheguei com duas amigas e fiquei desde as 4h da manhã na fila para entrar. O show só começava às 19h, mas queria garantir um bom lugar” conta.

A estratégia funcionou. Mariana conseguiu ficar bem em frente ao palco, próximo aos cantores. “Eles sempre estavam interagindo. Foi maravilhoso”.

VARIAÇÕES

Expressão oriental, o k-pop, mesmo com suas particularidades, tem como grande fonte de referência a cultura pop ocidental. Longe de replicá-la, essa relação vem sendo bastante prolífica. Muitos cantores do gênero, por exemplo, buscaram nesse intercâmbio estabelecer relações com outra tendências musicais.

Fã do gênero, a estudante Mayara Maciel costuma buscar artistas com essas variações. “Eu sempre tive um ouvido muito aberto a outras sonoridades. Geralmente vou, além dos grandes grupos, para escutar outros artistas menos conhecidos”.

Foi assim que encontrou nomes como Dean, Mino, Loco, entre outros. Todos com grande influências de tendências recentes do R&B, trip-hop e hip-hop. “O Dean, por exemplo, tem composições com uma integrante da banda The Internet, que é hoje uma das principais no cenário do R&B” ressalta.

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