Aprender jogando videogame é tendência crescente no Brasil

Em Pernambuco, empresas que investem em desenvolver games educativos figuram entre as maiores do País
MARÍLIA BANHOLZER
Publicado em 05/01/2020 às 7:10
Em Pernambuco, empresas que investem em desenvolver games educativos figuram entre as maiores do País Foto: Imagem meramente ilustrativa. Foto: Pixabay


"Sai do videogame, vai estudar!" Em pleno 2020, essa frase está ultrapassada. Os games estão cada vez mais integrados à educação. As próprias escolas públicas e privadas já entenderam isso. Os desenvolvedores de jogos também, e estão criando opções ainda mais educativas. De acordo com o 2º Censo da Indústria Brasileira de Jogos Digitais, divulgado em novembro de 2018 pelo então Ministério da Cultura (MinC) e pela Unesco, dos 1.718 jogos desenvolvidos entre 2016 e 2018 no País, 51% eram educativos.

O mercado de games no Brasil tem se mostrado lucrativo. Dados da 19ª Pesquisa Global de Entretenimento e Mídia, da PwC, revela que o faturamento do setor no País atingiu US$ 1,5 bilhão. Com esses números, a indústria brasuca de jogos mantém a posição de líder no latino-americano e o 13º lugar na classificação global. Em Pernambuco, escolas públicas já aderiram aos games para estimular o aprendizado dos alunos. É o caso da rede municipal do Recife, que utiliza a plataforma OJE, da pernambucana Joy Street, desde 2017.

Faturamento do setor de games no Brasil atingiu US$ 1,5 bilhão em 2018

Gameficação do ensino no Recife

De acordo com o secretário executivo de Educação, Francisco Luiz dos Santos, ainda não existem dados que mostrem o quão positivo tem sido o uso dos games nas escolas públicas da cidade. No entanto, professores e gestores da rede concordam que a ferramenta tem gerado mais interesse dos adolescentes na sala de aula. "Iniciamos em 2014 com jogos analógicos, como xadrez. Em 2017 conseguimos implementar a plataforma da Olimpíada de Jogos Digitais e Educação (OJE). Esses games têm sido grandes aliados. Às vezes, parece mais complicado aprender um conteúdo com o livro. É fácil desistir. Com os games, normalmente não percebem que estão aprendendo", opina o secretário.

Alunos do Recife participam da Olimpíada de Jogos Digitais e Educação (OJE). Foto: divulgação PCR

A gestão municipal já investiu R$ 27 milhões no processo de gameficação do ensino, cerca de R$ 51 por aluno, por ano. O valor diz respeito não só à plataforma desenvolvida pela Joy Street, como à compra de computadores, tablets e instalação de banda larga nas escolas. Atualmente, a OJE atende cerca de 12 mil estudantes do 6º ao 9º ano, matriculados nas 36 escolas municipais de Anos Finais. A estimativa da gestão municipal é que o projeto seja ampliado para 14 escolas de anos iniciais. "Tanto entendemos os benefícios que nossos professores fizeram uma varredura em apps disponíveis e selecionaram 72 jogos educativos para disponibilizar nos equipamentos das escolas", relata o secretário executivo.

Para o coordenador de Inovação da Joy Street, Luciano Meira, a gameficação é um terreno fértil e tende a crescer, já que com o tempo, tem sido possível verificar os benefícios na qualidade de ensino. "Hoje, no Brasil, já se estuda muito os reflexos desses games nas escolas, mas nos EUA já existem indicativos de que os jogos têm gerado alunos mais qualificados", comenta. Para ele, logo, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) deve começar a melhorar nas escolas que investem na gameficação do ensino.

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